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Uberaba, 17 de julho de 2019 -

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Ricardo Cavalcante Motta

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Tenho um dileto amigo que adverte: “Se atalho fosse bom, não existiria volta”. Isso, dar a volta para percorrer todo o caminho. Conhecer plenamente todas as nuances, os percalços. As flores que eventualmente estejam nesse itinerário. As sombras, para o frescor ou o prenúncio da escuridão. Enfim, com pedras ou não, conhecer toda  estrada. O atalho subtrai experiências e detém mais riscos ocultos. A vida, em suas veredas, não permite atalhos. Há que percorrer todo o trajeto nas vias traçadas, do dia do começo ao fim. Mas, se ficar parado, o tempo vai esculpindo uma inativa passagem. Assim anula-se a existência. A inércia é o atalho da vida. Sem participar, entrega-se ao acaso, do nascer ao morrer. Não evolui. A busca do conhecimento próprio está nessa fenda do viver para se construir melhor. Atalhar limita a instrução, como em aula resumida. Evite o corte. Supere toda rota sem pressa, com paradas oportunas, quando for o caso. Ninguém busca sofrer, mas quando ocorre, submeta-se o suficiente para aprender, sem subterfúgios. Até a dor é importante sentir profundamente, contudo sem a ela se render em definitivo. Vida sem rugas, sem cicatrizes, sem marcas, visíveis ou não, certamente não é vida vivida, bem urdida. É como voltar limpo da aventura, como a faca sem corte, laço que nunca laçou, ou sapato que não andou. Evite encurtar, é perder conteúdo. Que o atalho seja recurso extraordinário. O diálogo íntimo com o próprio ser, mestre de si, não é fácil. A tendência cômoda de se aliviar da autocrítica é comum. Mas, enfim, nessa via do viver, é sensato percorrer toda a trilha com atenção. Afinal, se o atalho fosse a melhor opção, não existiria volta, todos dele usariam. 
 
Ricardo Cavalcante Motta
 
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