JM Online

Jornal da Manhã 46 anos

Uberaba, 23 de maio de 2019 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Articulistas

Outros Articulistas

Cláudia Feres Garcia

O funk e a tolerância

O funk é um estilo musical que se caracteriza por ser alvo de muita resistência da sociedade, sofrendo muitas críticas por parcela significativa da população, incluindo intelectuais. O criticismo vem da associação do ritmo “pancadão” ao consumo e tráfico de drogas, à pobreza criativa (por apresentar uma linguagem obscena e fazer apologia à violência), além do volume altíssimo do som no qual costuma ser executado. Observa-se, diante disso, a preconceituosa generalização e a consequente intolerância aos funkeiros, estigmatizando-os e estereotipando-os. Entretanto, há que se levar em consideração que o funk é definido por lei (Lei nº 5543/09) como “movimento cultural e musical de caráter popular”. Ele gera empregos, agita a economia do país, representa a realidade de parte do povo brasileiro, além de falar de amor, de humor, pedir paz, e representar a liberdade democrática de expressão. A nossa capacidade de aceitar o outro e seus valores distintos daqueles por nós adotados, diante das atitudes diferentes das que nos são comuns, nos torna pessoas tolerantes e mais humanas. Aceitar diversas opiniões ou comportamentos díspares daqueles estabelecidos pelo meio social que vivemos é uma atitude respeitosa e convivial. Não confundir o divergente com a capacidade de aceitar o diferente é compreender a pluralidade. Existem pessoas dispostas a propagar bons valores e a lutar contra qualquer tipo de conceito pronto, a favor de transformações do ser humano para melhor. Todavia, a humanidade parece caminhar para trás. Não reconhecer a liberdade das pessoas no seu direito de escolha do que ouvir e/ou dançar é um retrocesso. Quem está em exercício de tolerância está a “anos-luz” da sabedoria. 

(*) Professora universitária e agente literária

DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia