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Uberaba, 19 de julho de 2019 -

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Maria Aparecida Alves de Brito

Escola, que lugar é este?

Vou me ater a um campo que conheço bem. A escola. Já estou aposentada e fora das salas de aula, mas diferentemente de pessoas que, sem terem o devido conhecimento da dinâmica, da organização e do processo do cenário escolar, ficam polemizando e responsabilizando o sistema educacional por todos os problemas que acontecem na sociedade.

A Câmara dos Deputados resolveu, em meio à grande crise econômica e ética que desacreditou todo o sistema político deste país, votar a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, apenas porque um preso foi flagrado com 30 gramas de maconha, votar a redução da maioridade penal de dezoito para dezesseis anos, e a ideologia de gênero.

Como professora, pedagoga e pós-graduada em ensino especial, fico imaginando alunos adentrando a sala de aula, portando na mochila, uma trouxinha de maconha. Um aluno solicitando a professora a ida ao banheiro e lá fizesse uso de droga e voltando drogado para “assistir” à aula. Alunos de 12 anos ou mais convivendo com crianças de 6, 7, 8 anos de idade e que nunca tiveram contato com entorpecentes. Não foi feito um questionamento se os professores estão devidamente preparados para perceber qual de seus alunos fez uso de drogas antes de entrar para a sala de aula. Não realizaram um estudo para saber a opinião dos pais. Se eles estão de acordo que seus filhos menores de doze anos convivam com alunos maiores, usuários de drogas, o dia todo, no caso de alunos que frequentam o ensino em regime de tempo integral. Se o SUS possui estrutura para tratar um problema que se transformará em casos de saúde pública e mental. Não foi feito um estudo que analisasse o comprometimento negativo no critério de progressão escolar desses alunos. Acredito que estamos longe de esgotar estas questões, e do quanto é importante um aprofundamento nesse tema.

Outro problema para a já tão fragilizada escola resolver, com salas lotadas, professores assoberbados, cansados, lutando para conseguirem incluir alunos que necessitam de maior atenção para atingirem os objetivos propostos para a faixa etária em que eles se encontram e avançar juntamente com os outros e não ficar ninguém ao longo do caminho. Tendo que lidar com alunos adolescentes, cumprindo medidas sócioeducativas ou com restrição e privação da liberdade que, segundo o ECA, varia de acordo com a gravidade da infração. No Brasil estes números são os seguintes: 88.022 cumprem medidas em meio aberto e precisam frequentar a escola; 20.532 estão em restrição ou privação da liberdade; 43% passaram por internação mais de uma vez. Após cumprirem as medidas de privação da liberdade, voltam a frequentar, por ordem judicial, esporadicamente uma escola em que, certamente, não mais se adaptam, por diversas razões. A educação no Brasil deveria ser prioridade, para que tais problemas não acontecessem com essas crianças.

Outro motivo de reflexão e um assunto ainda muito recente para todos é a questão da inclusão nos currículos escolares, da chamada Ideologia de Gênero. Já lecionei para crianças de várias faixas etárias e, nenhuma, jamais, veio me perguntar se era menino ou menina. Se o amiguinho ou a amiguinha era menina ou menino. Por que isso agora? Acho a abordagem desnecessária, pois se trata de um assunto irrelevante no cotidiano da vida escolar dos alunos. Estas polêmicas só acontecem na cabeça de adultos que não têm o que fazer. Este assunto nunca foi prioridade entre as crianças, e não cabe à escola levantar essa questão. 

(*) Professora

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