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Uberaba, 19 de julho de 2019 -

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Maria Aparecida Alves de Brito

O preço do desenvolvimento

 O preço do desenvolvimento

Nós, os uberabenses, estamos tentando nos ajustar a uma situação que nos tirou da nossa zona de conforto. Não está sendo fácil. A cidade cresceu repentinamente e ocasionou mudanças significativas nos hábitos e no comportamento das pessoas. Tentando dar um ar de modernidade à cidade, muito mais do que melhorar o transporte público, implantaram, em uma avenida estreita, que não comportava, pelo grande número de veículos particulares circulando por aquele local, não um facilitador que pudesse fazer fluir melhor o trânsito, mas um dificultador, que vem causando transtornos, não somente nos horários de pico, mas a qualquer hora do dia.

No centro não há estacionamentos suficientes, prejudicando o comércio e a locomoção dos pedestres que por lá circulam. Eu respeito as divergências de opiniões na medida em que elas tragam soluções satisfatórias, capazes de alterar eficazmente as mudanças que nos foram impostas, num primeiro momento. Algumas alternativas foram sugeridas como, por exemplo, a remoção dos obstáculos que formam o corredor exclusivo para a circulação mais rápida dos coletivos. Contudo, à primeira vista, penso não ser esta uma boa solução, já que os coletivos transitam por aquele local a cada quatro minutos, e se o corredor for aberto para os veículos particulares, implicaria em uma série de transtornos, como atrasos nos horários que os mesmos precisam cumprir para que haja uma perfeita sincronia entre todas as linhas.

É difícil aceitar e verificar que ainda não desenvolvemos uma educação de primeiro mundo em relação ao trânsito. Não damos passagem imediatamente ao ouvirmos a sirene de uma ambulância a caminho de um hospital, ou a um caminhão do corpo de bombeiros em socorro a um sinistro, a uma viatura policial que poderia naquele momento evitar uma tragédia como um sequestro ou um latrocínio, ou até mesmo um cidadão em perigo de morte. É preciso reconhecer, que o que se está pretendendo implantar em outras avenidas, também estreitas, e de pouco movimento, não é necessário no momento e seria um gasto de dinheiro público, no mínimo, desnecessário.

No momento, embora Uberaba tenha crescido consideravelmente, o trânsito ainda flui com certa facilidade, sendo desnecessária a implantação de mais um BRT. E remediar as coisas a qualquer custo, como por exemplo, liberar o estacionamento na avenida, comprometendo mais uma faixa de rolamento, creio que não seja a melhor solução. Vale ressaltar que os políticos, antes de tomarem qualquer resolução que afetaria diretamente a população, deveriam ter para cada situação um olhar diferenciado. Um para analisar o agora, outro para avaliar as consequências futuras e, outro, que utilizasse os dois para servir de parâmetro entre o bom senso e o óbvio.

Maria Aparecida Alves de Brito
Professora

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