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Uberaba, 20 de maio de 2019 -

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Moura Miranda

O TORCEDOR NÃO É O CULPADO

Tenho ouvido críticas à torcida do Uberaba Sport Club com as quais não concordo. Já ouvi absurdos tipo: com esta torcida não dá para montar time e o melhor é fechar as portas. Calma, Mané! Tem muito time disputando o Campeonato Brasileiro da Série A que gostaria de ter uma torcida como a colorada em seus jogos. Tudo bem dizer que o público poderia ser um pouco melhor nos últimos jogos realizados no Uberabão, mas daí a encontrar razões para dizer que a torcida tem decepcionado é uma grande injustiça. A primeira coisa que precisa ser feita para discutir a quantidade de torcedores presentes ao estádio é não olhar os números oficiais. Em um país onde a mentira está institucionalizada desde o Congresso Nacional às mais humildes favelas, é ser muito exigente querer que ela prevaleça em um estádio de futebol. Concordo plenamente com números divulgados e com os motivos pelos quais assim o fazem, mas não aceito usá-los para jogar a culpa na torcida pelas dificuldades financeiras que o clube enfrenta.
 
A torcida do colorado é o seu maior e único patrimônio no momento. A diretoria sabe disso e tem procurado, mesmo que de forma precária, explorar este fato para garantir o suporte financeiro que o clube precisa para sobreviver. Já está provado que apenas com as rendas dos jogos isso não é possível. O maior problema não é o número de torcedores nos estádios, e sim as despesas que aparecem nos borderôs e rapam todos os caraminguás que sobram, depois de quitados os gastos essenciais para a realização da partida. Para mim, 4.000 torcedores foram um número pelo menos razoável no jogo passado. Agora, cobrar quase quatro mil reais da arbitragem que trabalhou na preliminar foi um absurdo. Mandar autoridades de Belo Horizonte para apitar um jogo de Juniores, mesmo sendo entre Flamengo e Vasco, é um luxo que o pobre futebol brasileiro da atualidade não pode bancar. Acredito que nas ligas de Uberaba e Uberlândia teríamos árbitros tão bons quanto aqueles que aqui estiveram. Este é apenas um dos muitos exemplos de “sangramento” nas rendas dos nossos jogos.
 
MOTIVOS PARA IR AO ESTÁDIO
 
Atualmente, são vários os motivos para se desejar que o número de torcedores no Uberabão seja maior. O principal deles é que a diretoria se esforçou e se arriscou, montando um bom elenco para que o time tivesse condições de obter bons resultados dentro de campo. Como o torcedor é a principal fonte de arrecadação do clube, quanto mais ele estiver presente, maior segurança terão os diretores. Com um bom time conquistando resultados satisfatórios, fica mais difícil a desculpa para não ir ao estádio. O Uberaba está disputando um Campeonato Brasileiro, e não uma competiçãozinha qualquer. Somente através dele é que o colorado voltará ao lugar em que um dia esteve. Portanto, é esta a competição mais importante do colorado. Se ela não atrair o torcedor, qual irá atrair?
 
MOTIVOS PARA NÃO IR AO ESTÁDIO
 
Preço único no Uberabão, o que felizmente não aconteceu no último jogo, atrapalha a presença de torcedores. A questão do preço do ingresso é muito complicada. Para quem tem um bom salário e um bom saldo na conta bancária, R$ 15, R$ 20 ou até R$ 30 é barato. Já para aqueles que catam latinhas na rua — e eles existem e gostam do USC — é caro. Sempre disse que temos o estádio mais democrático do mundo e aqui o zebuzeiro e o servente de pedreiro assistem aos jogos nos mesmos lugares, juntos e, na maioria das vezes, pagando o mesmo valor pelo ingresso. Isso filosoficamente é bom, mas financeiramente é ruim para o clube. Há 35 anos que venho falando que é preciso fazer mudanças no estádio para que preços diferenciados sejam praticados. Não há no Uberabão um lugar com cadeiras confortáveis, um bom serviço de bar, cobertura para proteção de sol e chuva, pelo qual os mais abastados financeiramente poderiam pagar mais. Em Mirassol, no jogo com o Uberaba, apenas 65 torcedores locais pagaram ingresso de arquibancada, mas alguns assistiram ao jogo de confortáveis camarotes móveis, colocados bem próximos do campo, inclusive com ar condicionado. A lei seca também prejudica. Aqui, em Minas Gerais, é um dos poucos estados onde não se pode vender bebida nos estádios. Para muitos, cerveja gelada e futebol têm tudo a ver. Para outros, o transporte para se chegar ao estádio é o grande problema. Pergunte a um torcedor que mora no Chica Ferreira e não tem carro o que ele tem que fazer para assistir a um jogo no Uberabão?
 
CONCORRÊNCIA DA TELEVISÃO
 
Se os clubes de futebol do interior ficarem preocupados com a concorrência da televisão, eles vão desaparecer. Com a modernidade atual, todo dia e toda hora tem um bom jogo na telinha, com motivos para justificar a não ida ao jogo local. Fugir da concorrência de jogos diretos está impossível. A solução é motivar o torcedor para que ele vá ao estádio sentir a inigualável emoção de um bom jogo ao vivo. Mostrar que o time de sua cidade, seu time de coração é muito mais importante, com todas as suas deficiências e limitações, é o desafio. Investir nesse verdadeiro prazer do futebol, na minha opinião, é a saída para que clubes tradicionais e de história, como o Uberaba Sport Club, sobrevivam nos difíceis dias atuais. Que trabalhem as cabeças e os cérebros encontrem boas opções.
 
UM BOM DOMINGO A TODOS. TOMARA QUE GARANTIDOS NA PRÓXIMA FASE DO BRASILEIRO.
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