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Uberaba, 26 de março de 2019 -

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Maria Luísa Leal Salvador Caetano

Desfavor às Crianças

Recentemente tenho tido contato com alunos de 6 a 12 anos de uma creche e pude notar que eles vêm tendo um comportamento um tanto preocupante. Como quaisquer crianças, sabia que essas também tinham medo. Não imaginei, porém, que o medo fosse de fatos com que nunca precisariam ter se preocupado.

Em 2000, todos tivemos de lidar com o extenuante mito de que o mundo acabaria naquele ano; era o ano do bug do milênio. E neste ano estamos enfrentando um presságio semelhante, que, desta vez, encontra embasamento disfarçado nas culturas maia e mesopotâmica (que não têm relação entre si). A profecia é de tal forma fantástica que rendeu mais de dez obras cinematográficas!

As crianças – não apenas as daquela escola – estão apavoradas por suas vidas ainda tão curtas terem de acabar de repente. Mais do que isso, devido a tal turbilhão mexendo com suas vidas, estão se sentindo cada vez mais afetadas por outros muitos medos.

As lendas urbanas, por exemplo, popularizadas por programas sensacionalistas, estão deixando as crianças extremamente receosas de irem ao banheiro, de ficarem sozinhas e até mesmo de enfrentarem o escuro, um medo que seria mais comum aos três ou quatro anos.

Outras histórias que assustam são aquelas criadas para dominar o outro. São várias: a do homem do saco, a do maleiro e mesmo aquelas que transformam injustamente profissionais em vilões (dentistas, médicos, lixeiros e catadores de recicláveis). Como se garotos não entendessem argumentos baseados na razão...

A nós, mais velhos e mais conscientes do nosso papel, cabe-nos desmembrar esses medos e expor as falhas de tantas histórias extraordinárias com cuja difusão a mídia contribui. Além disso, somos responsáveis por não criar mais lendas que sirvam para nos poupar do trabalho de cuidar das crianças, que têm mais criatividade que nós. E nós não temos o direito de usar a criatividade com tamanha imprudência.

 

(*) Aluna do 1º período de Medicina da Uniube

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