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Thassiana Macedo - 23/12/2009

Fogo selvagem tem cura, mas exige persistncia

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Uberaba perdeu a fundadora do Hospital do Pênfigo, Aparecida Conceição Ferreira, mas não deixará de ser referência no tratamento do pênfigo. A doença, que é mais conhecida como fogo selvagem, é extremamente dolorosa, por ser caracterizada essencialmente pelo aparecimento de bolhas sobre a pele, principalmente no tórax, rosto e couro cabeludo. Em alguns casos, pode evoluir para todo o corpo, inclusive atingindo órgãos internos.
 
Por ser uma doença envolvida por muito desconhecimento, não é possível precisar quantas pessoas sofrem de pênfigo no Brasil. No entanto, sabe-se que somente o Hospital do Pênfigo atende cerca de 3.600 pessoas por mês para tratamento. Dividida em dois tipos, de acordo com a agressividade, existe o pênfigo foliácio e o vulgar.
 
Segundo a psicóloga hospitalar Maria Heloísa Vieira, filha de Dona Aparecida, as dúvidas sobre as causas é o que gera a crença de que ela é contagiosa, quando não é verdade.
 
Ela explica que é o organismo do paciente que produz anticorpos atuantes contra substâncias da pele, o que causa as bolhas. Maria Heloísa atende no Hospital do Pênfigo em Uberaba, e afirma que é por isso que ela não é contagiosa. Mas o preconceito ainda é um fator que dificulta o tratamento, que já é doloroso. “O isolamento dos doentes é necessário, mas não pelo contágio. É para preservar o próprio doente, que tem a pele comprometida, geralmente ficando em carne viva e mais suscetível às infecções”, conta a psicóloga. Ela frisa que o mais importante é evitar as complicações, porque há maneiras de controlar a doença, o que é feita com medicamentos, banhos tópicos, em solução produzida no próprio hospital, e óleo hidratante.
 
A psicóloga destaca que a doença é marcada por manifestações recorrentes durante toda a vida. Umas das explicações seriam as mudanças emocionais que interferem decisivamente no funcionamento dos anticorpos. “Podemos dizer que a cura existe, porém, o tratamento leva em média de 5 a 7 anos. Percebi que o fator emocional está sempre presente, tanto nas fases da doença quanto no seu aparecimento”, afirma Maria Heloísa.
 
Para a psicóloga, a primeira atitude deve vir do paciente e de sua família, que precisam acreditar na possibilidade de melhora, já que a cura existe. “E é importante que a comunidade também esteja presente, não deixando de ajudar o hospital para que o atendimento seja mantido”, finaliza
 





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