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28/05/2009

Diagnstico precoce de esclerose mltipla pode evitar sequelas

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A Federação Internacional de Esclerose Múltipla destacou o 27 de maio como o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, doença do sistema nervoso central que ativa o sistema imunológico de uma pessoa contra suas próprias estruturas neurológicas. Atividades de conscientização sobre a doença foram marcadas para ocorrer em mais de 100 países, mas no Brasil ainda não há mobilização.
Entre os tipos de esclerose múltipla estão a remitente, caracterizada por surtos, durante os quais podem surgir vários sintomas, com duração de minutos, dias ou semanas. Perda de força nas pernas, da sensibilidade e de visão, ou visão dupla, desequilíbrio, formigamentos, tremores, dificuldades para falar podem manifestar-se gradativamente. Já a forma crônica pode revelar os mesmos sintomas, mas por períodos maiores e com agravamentos. Cerca de dois terços dos casos se iniciam entre os 20 e 40 anos.
 
Dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) mostram que o país tem mais de 30 mil portadores da doença e apenas cinco mil desses recebem tratamento adequado. Atualmente, o principal entrave é a demora no diagnóstico. O neurologista Lineu Miziara informa que é fundamental que o médico tome cuidado ao excluir a possibilidade de outras doenças, que podem camuflar a esclerose múltipla. “Como o lúpus, por exemplo. A história clínica e o exame físico detalhados, a ressonância magnética, o liquor e diversos exames de sangue são necessários para um diagnóstico adequado”.
A demora no diagnóstico pode estar relacionada ao aparecimento de sintomas que, para leigos, podem indicar problemas menos sérios, levando portadores da doença a procurar atendimentos paliativos, o que atrasa o tratamento apropriado à esclerose. “Como a doença pode afetar várias áreas do sistema nervoso central, um grande número de manifestações pode ocorrer”, explica o neurologista. Um sintoma para cada surto diferente, com intervalos de meses ou anos.
 
Por isso é importante que as pessoas estejam atentas à possibilidade da doença, pois a prevenção é a única maneira de evitar a progressão da doença, além de suas sequelas.
Vida normal. As causas ainda são pouco conhecidas, mas, segundo Miziara, estudos indicam um caráter genético, além de fatores ambientais ligados aos mecanismos autoimunes. “E as mulheres são de duas a três vezes mais afetadas do que os homens. Esse fato se deve, provavelmente, à maior propensão a doenças inflamatórias e autoimunes relacionadas aos hormônios femininos. Além disso, sabemos que quanto mais nos encontramos distantes do Equador maior a incidência da doença”.
Apesar da doença, Miziara revela que os portadores da esclerose múltipla podem viver com certo grau de normalidade. “A evolução da doença depende de cada caso. Há pessoas que apresentam poucos surtos, com pouca ou nenhuma sequela. Outros, infelizmente, são vitimados por uma evolução mais grave, podendo levar à morte”, completa.
A esclerose não tem cura, mas existem maneiras de criar qualidade de vida oferecendo ao portador um controle maior sobre a doença, com o uso de corticóides, além de fisioterapias e psicoterapias.





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