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Gisele Barcelos - 16/06/2013

Pesquisador defende criao do mundo

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Ciência e fé podem ser aliadas? Esta é a pergunta levada pelo pesquisador Adauto Lourenço em várias palestras realizadas no Brasil sobre a origem do universo e da vida. Nascido no interior do Estado de São Paulo e pertencente a uma família cristã, Adauto começou a luta internamente durante a faculdade e os questionamentos cresceram junto com as experiências acumuladas no currículo. Depois de buscar respostas na Física e na Matemática, o pesquisador abandonou a teoria da evolução para se tornar um defensor do modelo chamado criacionismo científico. O resultado dos anos de estudo foi registrado no livro "Como Tudo Começou". A obra contesta a preferência do evolucionismo no atual sistema de ensino e ainda garante: as evidências da criação são concretas. 

Jornal da Manhã - O senhor inicialmente era defensor do evolucionismo. Mudou de posicionamento por causa da conversão ao cristianismo?
Adauto Lourenço
- Eu sou de uma família evangélica e me converti aos 10 anos de idade. Então, a minha mudança saindo do evolucionismo para o criacionismo científico não se deu por causa de uma conversão religiosa. Durante a faculdade, eu estava muito relacionado com aquilo que a gente chama de evolucionismo teísta. Isso significa que de uma forma específica eu aceitava a teoria da evolução como totalmente verdadeira e acreditava que o relato bíblico era verdadeiro também. Só não sabia como juntar as duas coisas. Então, eu tinha tendência de pegar certos textos da Bíblia, como Gênesis, e pensar de uma forma mais alegórica e não como uma história literal. Porém, na época de mestrado, eu comecei a questionar algumas coisas com meus orientadores e eu percebi que muitas dúvidas que eu tinha, eles também tinham. Enquanto anteriormente a teoria da evolução me foi passada como comprovada e sem problemas, eles me mostraram que aquela era a forma como se acreditava que poderia ter acontecido. E existe uma diferença entre acreditar que poderia ter sido assim e efetivamente ter acontecido. Então, chegou a um ponto que eu quase entrei em parafuso. Foi um processo mais ou menos de uns cinco anos migrar do evolucionismo para o criacionismo. Não foi assim: deitei evolucionista e acordei criacionista. Eu fui questionando e quanto mais eu questionava, mais eu pude perceber que literalmente não havia uma consistência entre a evidência científica e o modelo evolucionista. Foi passando o tempo e eu percebi que alguma coisa tinha que ser feita. Durante esses anos de pesquisa pessoal, eu fui encontrando outros que eram criacionistas, mas não eram religiosos. Isso para mim foi uma grande surpresa. Porque eu pensava que quem era criacionista era religioso. E eu encontrei muitos criacionistas que são inclusive ateus. Por quê? Não é uma questão de tentar provar que Deus criou o mundo ou que a Bíblia está correta. O que discutimos é: processos naturais e leis da natureza teriam trazido à existência o universo, a vida e toda a complexidade que encontramos neles? Existe uma satisfação intelectual em responder essa pergunta: tudo surgiu ou não espontaneamente?  

JM - Mas o criacionismo é sempre apresentado nos livros didáticos como ficção, de que forma isso pode ser refutado cientificamente?
AL
- Existem três criacionismos distintos: o científico, o religioso e o bíblico. No primeiro caso, é possível sim demonstrar cientificamente que o universo e a vida foram criados. Só não é possível demonstrar quem criou. Por exemplo, eu pego um relógio e é fácil demonstrar de forma científica que o objeto foi criado e não surgiu espontaneamente. Independente de provar quem o criou. São duas coisas totalmente distintas. O criacionismo científico trabalha apenas a questão se o universo e a vida foram criados ou surgiram espontaneamente. Já os religiosos tentam explicar por que uma determinada divindade teria criado o universo e a vida. E o bíblico é descritivo, não explica o porquê, apenas cita o que Deus fez. Normalmente, quando falamos de criacionismo, as pessoas associam apenas aos dois últimos. Poucas pessoas, principalmente no meio acadêmico, conhecem a respeito do criacionismo científico. Não são todos iguais. Os nossos centros de ensino não permitem o ensino do criacionismo e existe um motivo para isso. Muitas pessoas não conhecem o criacionismo científico e querem ensinar a questão religiosa ou bíblica. Obviamente a escola é para ensinar ciência. A proposta do criacionismo científico não é religiosa, embora possua implicações religiosas. 

JM - Quais são então os argumentos para contestar a evolução?
AL
- A teoria da evolução diz que os seres humanos, no caso os Neandertais e os Homo sapiens, teriam vindo de um ancestral comum aos gorilas, chimpanzés e talvez possivelmente aos orangotangos. Analisando o aspecto da ancestralidade, não temos evidências genômicas para comprovar isso [O cientista argumenta em suas palestras que as pesquisas utilizaram um número reduzido de genes para fazer a comparação do homem e do macaco. Por isso, na análise total a semelhança genômica entre as duas espécies seria praticamente nula]. A única possibilidade, então, seria a interpretação do registro fóssil. A interpretação é algo interessante. Não temos uma sequência que mostre seres humanos evoluindo de um ancestral comum aos gorilas e chimpanzés. Temos fósseis como o Australophitecus [na teoria da evolução, este animal é considerado o ancestral direto do homem moderno], em que um dos mais conhecidos é a Lucy [fóssil encontrado em 1974 e apresentada como o elo perdido da sequência da evolução humana]. No entanto, a estrutura óssea mostra questões interessantes a respeito de suas patas, principalmente o sistema locomotor inferior. Esse sistema não permitia a esse animal ficar em pé, ou seja, não tem nada de ancestralidade do ser humano. A imagem de uma Lucy em pé nas suas patas inferiores não existe. Nós sabemos isso por várias publicações científicas de pesquisadores que têm trabalhado no estudo especificamente do sistema locomotor do Australophitecus. Por isso, sabemos que eles nunca foram criaturas que ficaram em pé como o ser humano fica. A evidência é que não houve evolução porque todos esses fósseis que estão sendo encontrados são muito semelhantes aos chimpanzés, gorilas e orangotangos. Eles não são semelhantes aos seres humanos. Ou seja, se pegar esses fósseis e fizer um estudo, o desvio da estrutura do fóssil é muito pequeno ao comparar entre chimpanzés, gorilas e orangotangos. É gigantesca ao comparar com o ser humano. Daí, falam que eram pequenas transições. Não! Eram apenas pequenas variações entre chimpanzés, gorilas e orangotangos. Não era evolução da espécie para chegar ao ser humano. Mas eu entendo que não é essa a compreensão da maioria dos cientistas, principalmente os evolucionistas. Agora, a verdade científica não é estabelecida por número de adeptos, é estabelecida em laboratório. O desvio desses fósseis, com respeito a formas de vida que nós conhecemos hoje, é um desvio menor em função dos chimpanzés, gorilas e orangotangos? Ou é menor com respeito ao ser humano? A resposta é óbvia: os Australophitecus são muito mais parecidos com chimpanzés, gorilas e orangotangos do que qualquer coisa com seres humanos. Chamá-los de ancestrais humanos ou hominídeos é um exagero.  

JM - Então, para os criacionistas, Lucy seria apenas um tipo de macaco primitivo?
AL
- O que temos encontrado até o presente momento nos fósseis dos chamados hominídeos é um desvio praticamente zero comparado com gorilas, chimpanzés e orangotangos. Quando se compara ser humano, o desvio é enorme. A estrutura morfológica dos artelhos das patas inferiores do Australophitecus é exatamente igual à de chimpanzés, gorilas e orangotangos. Aquilo não é um pé. É praticamente a mesma estrutura das mãos. As pessoas argumentam que é porque estava no início do processo evolutivo. Não! Isso não é o início do processo evolutivo, é a forma daquele organismo. A própria estrutura dos Australophitecus mostra que eram extremamente preparados para subir em árvore como os gorilas e chimpanzés. O ser humano não é preparado para subir em árvores. A nossa coluna vertebral não funciona desse jeito. O nosso centro de gravidade não funciona assim. Os macacos inclusive têm centro de gravidade diferente do nosso para facilitar essa atividade. Estão mandando olhar o registro fóssil e é exatamente isso que estamos fazendo. Os Australophitecus seriam nada mais, nada menos que pequenas variações dos gorilas, chimpanzés e orangotangos que temos hoje. Eles teriam existido no passado e provavelmente estão extintos atualmente. 

JM - Mas os fósseis não são justamente a prova da existência da vida na Terra há milhões de anos e da evolução de diversas espécies ao longo do tempo?
AL
- Primeiro, precisamos observar o registro fóssil e depois interpretar os dados. Observar está relacionado à quantidade de fósseis que nós temos e o que eles nos mostram. Quando estudo o registro fóssil, duas coisas ficam evidentes imediatamente: existem formas de vida fossilizadas que não existem mais hoje e existem formas de vida fossilizadas que continuam existindo até hoje. Daí, a pergunta passa a ser a seguinte: qual delas é predominante? E aproximadamente 75% do registro fóssil é composto de plantas e organismos que ainda estão vivos. Isso é importante porque permite comparar como esses organismos foram no passado com aquilo que são hoje. Podemos estudar o tamanho da caixa craniana, estrutura óssea, peso e estatura. Ao fazer a interpretação disso não é possível ver no registro fóssil uma sequência que mostre peixes evoluindo em anfíbios, por exemplo. Existem peixes com características diferentes e anfíbios com características diferentes. Não há peixes com patas nem anfíbios com nadadeiras. Existem registros que se desviam um pouquinho da maioria, mas isso não significa evolução. É apenas um pequeno desvio. Não é porque você tem um anfíbio que tem a pata óssea, mas um pouco diferenciada com membranas grandes entre os dedos, por exemplo, que podemos dizer que já foi nadadeira no passado. Não tem nada a ver. O registro mostra uma pata com uma membrana grande para facilitar o deslocamento na água. O problema principal é a interpretação do registro fóssil. 

JM - Dentro dessa lógica, a teoria criacionista nega também a seleção natural?
AL
- Pelo contrário, a seleção natural é um dos maiores aliados que o criacionismo tem dentro da biologia. Por exemplo, uma boa pata sempre será escolhida pela seleção natural ao contrário de uma pata em mutação, pois uma pata em mutação não seria mais uma boa pata. Para que uma boa pata se transforme numa boa asa, vai ter um momento em que ela seria primeiro uma pata que não andaria e uma asa que não voaria. Agora você não vai me dizer que isso seria uma vantagem seletiva. Segundo o modelo da seleção natural, seria eliminado. Desta forma, a seleção natural eliminaria possibilidades evolutivas e favoreceria microvariações e microadaptações. Muitas pessoas argumentam: “Várias microvariações iriam produzir o quê?”. Apenas várias microvariações. 

JM - E a existência dos dinossauros é admitida dentro desta teoria?
AL
- Sim, por todos os criacionistas. A quantidade de fósseis é inegável e não tem como escapar. Também não há um desejo que os dinossauros não tenham existido. Pelo contrário. Para a gente, os dinossauros são evidência muito grande da criação. Para chegar aos grandes dinossauros, como apatossauros, que eram gigantescos e tinham acima de doze metros de altura, você está falando de estruturas espetaculares. Agora como essa megaestrutura teria vindo à existência espontaneamente a partir de pequenos répteis? A estrutura mostra claramente um design e um planejamento absurdo. Estamos falando de megaconstruções desde os músculos e nervos, para sustentar o peso, até os pulmões. Não teria como construir estrutura tão grande como essa por meio de pequenos saltos evolutivos. A quantidade de informação genética que teria que ser acumulada para chegar a algo assim é fabulosa. Os dinossauros são uma evidência muito grande de criação. Tem outro ponto muito legal ao analisar as pinturas rupestres em muitas cavernas, pois os desenhos mostram dinossauros. Por que os homens das cavernas não desenharam ossos? A resposta é óbvia: eles foram contemporâneos.  

JM - Então, o que aconteceu com eles? Foram extintos?
AL
- Se fôssemos procurar dinossauros hoje, deveríamos fazê-lo nas regiões de florestas tropicais. Existe um balanço que no planeta Terra existem 13,5 milhões de quilômetros quadrados de florestas tropicais e menos de 1% foi pesquisado. Temos muito a pesquisar e o que vamos encontrar lá dentro só podemos dizer depois disso (risos). Como matemático, eu poderia dizer que a probabilidade de os dinossauros estarem extintos não é zero. 

JM - O senhor pode voltar ao posicionamento antigo e retomar a defesa do evolucionismo?
AL
- Como um pesquisador e como cientista, a resposta sempre tem que ser sim. Basta apenas ter uma evidência ou um grupo de evidências que destruam ou desmontem o modelo no qual eu e outros temos trabalhado. Sem dúvida. É só provar que estamos errados. Como seria possível? É só demonstrar que processos naturais e leis da natureza teriam feito toda a complexidade da vida e do universo. 

JM - Uma afirmação que existe é que a religião e a fé inviabilizam a ciência... O senhor concorda com isso?
AL
- Para responder de forma adequada, seria preciso responder qual religião. Porque existem religiões que realmente fazem isso, outras não. O cristianismo verdadeiro e autêntico é literalmente o berço onde a ciência prospera porque a proposta que vem da Bíblia é que os crentes examinem as escrituras diariamente para ver se as coisas eram de fato como estavam sendo ensinadas. Então, pesquisar faz parte da mentalidade do cristianismo. Aceitar como dogma não faz parte do cristianismo e nunca foi. O cristianismo nos ensina a questionar. Quando olhamos a história, na época da chamada reforma protestante, podemos ver que durante o movimento houve uma grande explosão de conhecimento. Grandes universidades surgiram – como Yale, Princeton e Harvard, nos Estados Unidos –, outras ganharam a forma que têm atualmente – como Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Infelizmente, o cristianismo do século XX perdeu a sua autenticidade e a sua capacidade de ser questionador. Os cristãos esqueceram a essência do cristianismo. Daí é que você encontra alguns grupos que são literalmente anticiência, mas eles não representam o cristianismo verdadeiro e nem entenderam a essência do cristianismo. 

JM - O senhor enfrenta preconceito dentro da comunidade científica?
AL
- Sim. Porque dentro da comunidade científica existe uma ideia de que se você é religioso, você é tendencioso. Como se o ateu não fosse tendencioso. Tanto um ateu como alguém que acredita na existência de Deus trabalham em cima de preconceitos. Ou seja, o ateu tem uma percepção baseada na sua cosmovisão. O cristão também. Sendo ambos cientistas, o ateu não está numa posição melhor do que o religioso. De forma alguma. Os dois trabalham em cima de ideias preconcebidas. O problema é se o modelo proposto descreve a realidade, independente da tendenciosidade do cientista. 

JM - E existem publicações científicas tratando do criacionismo?
AL
- Não. Primeiro porque é praticamente impossível publicar no Brasil, Estados Unidos e Europa pelos meios convencionais. Isso não significa que não tenha criacionistas publicando seus trabalhos. O professor doutor Marcos Eberlin, da Unicamp, trabalha na área de Design Inteligente e tem mais de 600 publicações científicas e mais de 6.000 citações dos trabalhos dele na área de espectrometria de aceleração de massa. Se tentar algo sobre Design Inteligente – como tentou –, não é aceito. Não é uma questão de capacidade e nem de titulação. Mas existe um posicionamento preferencial pela academia que evita publicações relacionadas com qualquer coisa envolvendo criacionista ou Design Inteligente. 

JM - O senhor acredita que isso pode mudar?
AL
- Haveria possibilidade de mudança se fosse possível, por exemplo, criar uma academia brasileira de cientistas independentes. 

JM - Vida extraterrestre: possível ou não?
AL
- Para que vida exista no planeta Terra são necessários pelo menos dois milhões de variáveis perfeitamente balanceados até onde nós sabemos. Para achar um outro planeta que tenha só 10% disso – o que não permitiria a existência de vida –, a probabilidade é de aproximadamente uma em um quatrilhão. Isso foi calculado há pouco tempo pelo pessoal da Nasa que trabalha na área de exociência, ou seja, vida fora do planeta Terra. Até o presente momento não recebemos um único sinal vindo do espaço sideral que indicasse que foi produzido por vida inteligente. Se existe vida fora da Terra, não parece ser inteligente. A outra possibilidade seria vida biológica não inteligente. Quanto a isso, não temos como detectar até agora.




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