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07/02/2016

Mal do sculo

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 Pacientes do SUS e particulares têm atendimento igual no Hélio Angotti


Médico Délcio Scandiuzzi diz que o Brasil precisa resolver o problema do subfinanciamento da saúde pública

“Algumas das virtudes do Hospital Dr. Hélio Angotti são o esmero e a qualidade no atendimento, sem qualquer distinção de seus pacientes”, afirma o presidente da instituição, médico oncologista Délcio Scandiuzzi, em entrevista ao Jornal da Manhã. Para ele, o aumento de casos de câncer no Brasil está ligado diretamente ao envelhecimento da população, destacando que a melhor forma de prevenção é a mudança de hábito das pessoas em relação ao tabagismo, ao combate ao sedentarismo e adoção de uma alimentação adequada. Com relação às dificuldades financeiras enfrentadas pelo Hélio Angotti, o presidente diz que a instituição não é uma ilha e os mesmos problemas que atingem os hospitais filantrópicos país afora também são vividos aqui. Para Délcio, o grande problema enfrentado por estas unidades é a baixa remuneração do SUS. Contudo, ele revela que o Hélio Angotti está passando por transformações profundas na gestão da instituição, com visão empresarial, sem perder a vocação de atender bem à região por meio do SUS.

Jornal da Manhã – O Jornal Nacional, da Rede Globo, fez uma série de reportagens mostrando grande diferença no atendimento da área de oncologia entre pacientes do SUS e particulares... Qual a realidade no Hospital Dr. Hélio Angotti? Existe também essa diferença?
Délcio Scandiuzzi – Uma das virtudes do Hospital Dr. Hélio Angotti é o esmero pela qualidade no atendimento, sem qualquer distinção. Isso nós temos debatido muito e procuramos fazer, levando em consideração que o câncer é uma doença grave, estigmatizante e causa grande impacto na vida das pessoas. O tratamento do câncer é multidisciplinar, envolve várias especialidades, desde cirurgia, quimioterapia e radioterapia, fisioterapia, cuidados paliativos, até a reabilitação psicológica do paciente. É importante entender essa complexidade. Apesar de toda a dificuldade pelo alto custo do tratamento, em nosso hospital os pacientes são todos tratados com esse esmero e sem diferenciação.

JM – O Hospital Dr. Hélio Angotti é referência regional... Pacientes de quantas cidades da região vêm para cá? Com eles vem algum tipo de recurso?
DS – Pelas regras do SUS, o Hospital Dr. Hélio Angotti é referência para a região Macro Triângulo Sul, com 27 municípios, incluindo Uberaba. O Hospital Dr. Hélio Angotti chegou a atender vários municípios de fora dessa área, mas isso onerou muito a nossa instituição. Por isso, tentamos um acordo com os municípios situados fora da Macro, não pactuados, mostrando que os recursos ainda são insuficientes. As conversas com esses municípios continuam porque o hospital faz muito mais pelos pacientes do que recebe.

 

Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o câncer como um dos graves problemas de saúde pública mundial no século XXI”

 

JM – A demanda por tratamentos de câncer cresce a cada dia... Isso significa que estamos tendo mais casos? O que tem provocado esse crescimento?
DS –
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o câncer como um dos graves problemas de saúde pública mundial no século XXI. A incidência aumentou bastante, o tratamento é extremamente complexo, com tecnologia de ponta, e os recursos são escassos. O fator mais importante para a incidência maior é o envelhecimento da população. A idade é o maior fator de risco para o câncer. Além do mais, temos as mudanças nos hábitos de vida da população, entre elas o sedentarismo, o tabagismo, o alcoolismo, a falta de atividade física e as dietas inadequadas. Mas a longevidade da população mundial é o principal fator.

 

Apesar de toda a dificuldade pelo alto custo do tratamento, em nosso hospital os pacientes são todos tratados com esse esmero e sem diferenciação”

 

JM – Quais os tipos de câncer que têm acometido mais os pacientes que recorrem ao Hospital Dr. Hélio Angotti em busca de tratamento? Há alguma estatística nesse sentido? Essa maior incidência está relacionada a algum fator específico?
DS –
O câncer mais comum no mundo todo é o de pele não-melanoma (o melanoma é agressivo, porém menos incidente). Nas mulheres, o tipo mais frequente é o de mama – 20% a 30%, dependendo da região do Brasil – e nos homens, o de próstata – 25% a 30% –, segundo os dados do governo federal. No Hélio Angotti, os números são próximos do registro do Brasil. Não há fator específico para a maior incidência, a não ser aquele conjunto já mencionado, envolvendo hábitos e estilo de vida.

JM – No Japão, pesquisas indicam que há grande incidência de casos de câncer no aparelho digestivo, fato este associado ao tipo de alimentação... No Brasil, há pesquisa indicando maior incidência de determinado tipo de câncer, também associado à alimentação?
DS –
Não. No Brasil não se tem visto aumento deste tipo de câncer. Aliás, o câncer de estômago e de aparelho digestivo tem até diminuído a incidência ao longo dos anos. Isso se deve ao controle da Helicobacter pylori [espécie de bactéria que infecta a mucosa do estômago humano] e tratamentos por endoscopia.

 

O fator mais importante para a incidência maior é o envelhecimento da população”

 

JM – Em qual faixa etária é mais comum o aparecimento de câncer em homens e em mulheres? Para a incidência do câncer há distinção entre os sexos?
DS –
O avanço da idade é fator de risco para os tipos mais incidentes de câncer, tanto em homens como em mulheres. Pelas estatísticas mundiais, há uma equivalência no número de casos para ambos os sexos. Da mesma forma que as mulheres sofrem mais com tumores na mama, os homens sofrem mais com tumores de próstata. Os casos de pele não-melanoma atingem ambos os sexos e são mais incidentes em pessoas de pele mais clara.

JM – Muitos pacientes se queixam do tratamento quimioterápico, em decorrência de seus efeitos colaterais? É possível combater o câncer por outro método menos doloroso para o paciente?
DS –
A principal preocupação no tratamento do câncer é a metástase das células cancerosas, isto é, a capacidade de atingir outras partes do corpo. Então, o tratamento sistêmico em geral tem como principal arma a quimioterapia, hoje aplicada a quase todos os tipos de câncer. Há, sim, efeitos colaterais intensos, que hoje são bastante combatidos. É uma luta difícil, pois os tratamentos são prolongados. Felizmente, temos hoje a terapia alvo, através de moléculas específicas, e a imunoterapia, que, de dois a três anos pra cá, ressurgiu com nova filosofia no tratamento do câncer. Mas, no curto prazo, não se vê a eliminação considerável desses efeitos colaterais.

JM – Tem-se falado sobre o surgimento de vacina contra o câncer... O senhor acredita que daqui a algum tempo o câncer estará erradicado, como aconteceu, por exemplo, com a tuberculose?
DS –
Não há vacina para prevenir o câncer. As vacinas disponíveis são as de imunoterapia, que se aplicam ao câncer já instalado. Esse é um dos maiores avanços na cura. Mas vacina para prevenir o câncer não está no horizonte da ciência até o momento. Importante salientar que o câncer é um conjunto de mais de cem doenças, ocasionadas basicamente por mutações genéticas. Há um mesmo tipo de tumor com mutações diferentes de um indivíduo para outro. E também num mesmo indivíduo as células de câncer têm mutações diferentes, por isso respondem diferentemente aos medicamentos. Infelizmente, não temos vacina para evitar essa mutação genética.

JM – Existe alguma ação que pode ser estabelecida em forma de política pública para a prevenção do câncer e dar alívio ao setor de oncologia?
DS –
A maneira mais eficaz de se prevenir primariamente o câncer é evitar o tabagismo. Depois, a mudança dos hábitos alimentares e adoção de práticas saudáveis [principalmente atividade física, controle do peso e abstinência de álcool]. Tudo isso diminui o risco de câncer. Combater o HPV (papiloma vírus humano), o vírus da hepatite C e a H. pylori também previne vários tipos de tumores. Temos também a prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce; e a prevenção terciária, que é evitar o retorno do câncer na pessoa que já tenha câncer, ou evitar um segundo tipo de câncer.

JM – Há vários anos o Hélio Angotti tem sofrido com o déficit financeiro... Qual a situação atual da instituição?
DS –
É preciso deixar claro que o subfinanciamento é um problema das instituições filantrópicas de todo o Brasil e não apenas do Hospital Dr. Hélio Angotti. Os hospitais filantrópicos respondem por mais de 50% dos serviços prestados pelo SUS, mas falta a contrapartida do Estado brasileiro, com remuneração adequada. A situação do Hospital Dr. Hélio Angotti tem sido muito difícil porque ela acompanha a evolução da saúde pública no Brasil. Ele não é uma ilha de dificuldade. Todos os pacientes do SUS precisam ser tratados, com tabelas extremamente defasadas. Basta lembrar que uma primeira consulta em oncologia, por exemplo, às vezes demora mais de uma hora, pois nela se planeja o tratamento, e o SUS remunera com R$10 essa consulta.

 

A maneira mais eficaz de se prevenir primariamente o câncer é evitar o tabagismo; depois, a mudança dos hábitos alimentares e adoção de práticas saudáveis”

 

JM – No ano passado, durante uma greve, foram revelados altos salários pagos pelo hospital... Após aquele movimento, o que mudou?
DS –
Primeiro, nós não consideramos altos os salários. Nós sabemos que hospital e aeroporto são as empresas mais difíceis de ser administradas. São necessários profissionais mais bem qualificados em suas áreas, e o Hospital Dr. Hélio Angotti sempre pagou valores compatíveis com o mercado. Estamos vivendo contratempos importantes na situação econômica do país e o Hospital Dr. Hélio Angotti, como todas as empresas, tem que se adaptar a esta nova fase. E é importante dizer: transformações profundas estão sendo feitas na gestão da nossa instituição, justamente com esta visão mais empresarial, sem perder a vocação de atender bem à região via SUS.

JM – Reuniões junto aos governos federal e estadual, da mesma forma com o município e cidades da região, foram realizadas para melhorar a situação de custeio do hospital... Houve evolução nesse processo? Há possibilidade de uma repactuação e melhorar os repasses à instituição?
DS –
A dificuldade, o aperto econômico e financeiro reclamados por todas as esferas de governo refletem na gestão do Hospital Dr. Hélio Angotti. Entretanto, não nos cansamos de mostrar a todas as esferas a importância do nosso hospital e que ele é solução para os governos. Continuamos mostrando os avanços conseguidos pelo Hospital Dr. Hélio Angotti, hoje um centro altamente especializado para tratamento do câncer, apesar de todas as barreiras.

 

A situação do Hospital Dr. Hélio Angotti tem sido muito difícil porque ela acompanha a evolução da saúde pública no Brasil; ele não é uma ilha de dificuldade”

 

JM – Quais as alternativas estão sendo consideradas para amenizar a situação financeira do hospital? Acredita que a encampação do Hospital Dr. Hélio Angotti pelo governo federal poderia resolver o problema? Já foi tentada essa alternativa?
DS –
Todo o noticiário recente sobre saúde, principalmente sobre hospitais filantrópicos, tem nos mostrado que o Hospital Dr. Hélio Angotti não está isolado neste cenário de dívidas e dificuldades. Os filantrópicos brasileiros, mais de duas mil instituições, têm dívidas que superam R$21 bilhões. Portanto, é inconveniente para o governo resolver o problema de um ou de outro, isoladamente. O Brasil precisa resolver o problema de subfinanciamento da saúde pública. Enquanto isso não ocorre, o Hospital Dr. Hélio Angotti luta com as forças e as armas de que dispõe. Temos o apoio da sociedade, sem a qual o nosso hospital já teria fechado suas portas. Além disso, as três esferas de governo têm ajudado o Hospital Dr. Hélio Angotti naquilo que podem, destinando subvenções importantes para a nossa instituição.

JM – O hospital anunciou o recebimento, em doação, de área para a construção de uma nova estrutura... Como está esse projeto?
DS –
Temos sempre que agradecer, em primeiro lugar, à família do saudoso Mário de Almeida Franco pela doação dessa magnífica área, numa das regiões mais nobres da nossa cidade. O hospital aguarda a transferência da propriedade doada e já iniciou discussão em todas as três esferas de governo, no sentido de demonstrar a importância deste projeto para a saúde pública e para o SUS. Este é um grande projeto dos nossos governos, da nossa região e da nossa cidade, que se transformará num centro ainda maior e mais importante de tratamento do câncer com a implantação dele.

 

O Brasil precisa resolver o problema de subfinanciamento da saúde pública”





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