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Thassiana Macedo - 22/11/2015

Psiclogo Alexandre Rodrigues fala ao JM sobre o que fazer quando a crise econmica afeta a vida familiar

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Quando a crise econômica afeta a vida familiar

Está nos noticiários, nas conversas entre amigos, nas redes sociais e em toda a internet que o Brasil vive um momento de crise. Mesmo as previsões mais otimistas orientam cautela e economia, mas não descartam a possibilidade de algum aperto econômico. Os impostos aumentaram, assim como as contas de energia, água e combustível, por exemplo, o que tem mexido no bolso da população em geral.

Em tempos de instabilidade no país, alguns fatores podem contribuir para situações como a perda de emprego, a redução do dinheiro no orçamento familiar, devido à inflação sobre os salários, e a dificuldade para conseguir crédito, por conta dos juros mais altos e aumento de tributos.

Há um provérbio popular que diz: “Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela”. Mas essa crise econômica pode mesmo afetar meu casamento? O Jornal da Manhã traz na entrevista especial de hoje o psicólogo Alexandre Rodrigues Barbosa, que faz algumas reflexões importantes sobre como fica a relação do casal diante das dificuldades financeiras e como evitar que todo esse cenário interfira no cotidiano das famílias. 

Jornal da Manhã – Em geral, os relacionamentos de hoje são baseados em que valores?
Alexandre Rodrigues Barbosa –
Acredito em família e que o relacionamento é a busca desse congraçamento familiar. Ainda que digam que família é uma instituição falida, a tendência e a busca natural dos homens continuam sendo se juntar e criar células, sendo a célula familiar uma delas e a mais importante. Isso predomina, embora os valores tenham se modificado ao longo dos anos. Hoje, as pessoas comunicam-se muitas vezes pelo WhatsApp, mas se comunicam, ainda que de maneira diferente. Reclama-se que na hora da novela ou do futebol as pessoas não conversam, mas estão juntas, e depois sempre há algum comentário ou uma brincadeira, então existe união. O importante é adaptar-se a estes tempos, pois o mundo está continuamente se modificando e evoluindo. 

JM – Estes valores são fortes o bastante para enfrentar crises econômicas?
Barbosa –
Uma família bem constituída e bem formada, sim. É claro que ela estará sempre pronta a enfrentar qualquer tempestade. No entanto, a fragilidade existe e, muitas vezes, ela é disfarçada até mesmo pelo poder econômico ou questões sociais. E quando existe essa fragilidade frente a uma pressão, seja ela de que ordem for, a tendência é o casamento ruir ou as pessoas se machucarem, se distanciarem e se acusarem. Enfim, é aí que o problema emerge. Porém, trata-se de um problema que já existia, mas que as pessoas não viam ou não queriam perceber a fim de permanecer na zona de conforto. Desta forma, evitam-se brigas, agressões e transtornos, mas chega uma hora em que a coisa explode. 

JM – Como é a relação do casal de hoje, diante das dificuldades financeiras?
Barbosa –
Vim de uma geração em que mulheres eram donas de casa, e com muito orgulho. As poucas que trabalhavam, em sua grande maioria, eram professoras e egressas do curso normal. Somente algumas tinham ensino superior. Ou seja, o provedor da família era o marido. E isso não existe mais. É rara a família em que o marido é o único provedor. Isso significa que a responsabilidade pela renda familiar passa a ser de ambos. Por isso, ambos estão envolvidos em todos os setores, quer seja da compra, do gasto ou dos investimentos. Então, a família fortalecida é aquela que faz as coisas junto e que divide as responsabilidades. Não é porque ela ganha mais ou ele que a responsabilidade é maior, mas passa a ser de ambos, porque o fruto são os filhos e a vida que eles estão construindo. Por isso, diria que isto é quase uma exigência subjacente a uma formação de uma família fortalecida. 

JM – Ao falarmos da interferência da questão financeira nos relacionamentos, quais são os erros mais comuns?
Barbosa –
Trata-se de algo tão amplo e ao mesmo tempo tão específico de cada família, mas o que vejo no consultório que me chama a atenção ou me intriga muito é a crítica. Naturalmente, temos dificuldade de assumir as nossas falhas ou fraquezas. O mais fácil é apontá-las no outro. Então, é o marido acusando a esposa, ou a esposa acusando o marido. E com estas acusações não se chega a lugar algum, pelo contrário. Esse é um problema seriíssimo. Costumo dizer que entre pessoas que se amam – e parto do pressuposto de que o casal está junto porque quer estar junto e construir algo – é preciso conversar. E conversar é versar junto. É até romântico, pois ela faz um verso, ele faz outro verso, e os dois constroem um poema. Quando eles estão se acusando por dificuldade de assumir os próprios erros e suas verdades, a rigor, há um jogo. E como em todo jogo, não existe empate. Sempre um ganha e o outro perde. No futebol, um sempre sai com o gosto da vitória e o outro, da derrota. Em se tratando do casal que se acusa, um quer ganhar e o outro também, por isso acabam se machucando, o que só destrói. O que se deve fazer é simples, não jogar e viver sem disputa. E é bom assinalar que conversar não quer dizer diálogo.  

JM – Quando o senhor faz essa distinção entre conversa e diálogo, o que quer dizer?
Barbosa –
Muitas vezes, o diálogo ocorre entre “surdos” e “mudos”, quando uma pessoa fala e a outra responde por responder, ou seja, para se ver livre da situação ou apenas para ser educado e demonstrar respeito, mas isso ocorre sempre de forma evasiva, sem interesse ou envolvimento. 

JM – Quais são os sinais de que a vida financeira está afetando o casamento? E como identificá-los?
Barbosa –
Existem alguns sinais evidentes de que algo está acontecendo quando o casal não está em sintonia, porque um diz para o outro: “Hoje não vamos mais poder sair com nossos amigos porque estamos apertados”. Isso já é um sinal evidente de que tem alguma coisa acontecendo. O que é diferente de dizer que o casal não vai sair porque tem que economizar para aproveitar mais tempo de uma viagem. Privar-se de algo ao qual se estava habituado é um sinal importante. Ou seja, não posso comprar isso, não posso ir a determinado lugar, vou ter que largar a academia, não vai dar mais para frequentar o clube, tenho que trocar os filhos de escola ou temos que racionar a gasolina do carro são exemplos de que algo está acontecendo. Porém, é importante identificar se isso está ocorrendo no núcleo familiar ou na questão macro, por uma questão econômica e política do país. Muitas vezes colocamos a culpa no governo e pode não ser bem assim. Podem ser gastos descontrolados ou desmandos que acabam aparecendo através dessas situações. Os sinais se evidenciam nos números, mas algumas vezes eles também são disfarçados, porque existe o aspecto social, o orgulho de mostrar que as coisas não mudaram. É aí que as pessoas começam a se endividar. Ao invés de viver com economia, gastam mais do que podem para mostrar que não estão tão apertadas, e há casais que fazem isso juntos. 

JM – Que medidas o casal deve tomar e que podem contribuir para o enfrentamento de situações como perda de emprego ou redução do orçamento familiar?
Barbosa –
A melhor medida é viver sempre na realidade e com os pés no chão. Não dá para trocar o carro agora, as férias vão ser reduzidas, etc. E o núcleo familiar deve viver essa realidade junto. Essa história de querer poupar os filhos é um trabalho de deseducação, de não prepará-los para a realidade atual e futura. Os filhos têm que viver essas nuances também, sabendo que vêm ocorrendo em um plano macro ou no plano familiar, para que eles possam, até mesmo, desenvolver seus elementos de defesa para sobreviver neste mundo. Realidade é fundamental com planejamento, em que cada um tem o seu papel, suas responsabilidades e seus limites. 

JM – Quando é melhor discutir a vida financeira do casal?
Barbosa –
Não existe necessidade de gastar, quem vive isso precisa acender a luz de perigo, pois está entrando na raia da doença, pois alguma compensação psíquica está ocorrendo, em que a pessoa está tendo esta “necessidade” de gastar, muitas vezes, para suprir uma falta ou para se enganar, dizendo que a vida está bela. Ou seja, isto é fugir da realidade. Porém, não acredito que se tenha a melhor hora de conversar. A conversa tem que ocorrer sempre e em todos os momentos, ela deve ser contínua, e deve ocorrer até quando as coisas estão boas. É claro que existem momentos mais agudos, em que surgem situações novas, como um dos membros da família perder o emprego, mudando a renda familiar. O que fazer? Adaptar-se a esta nova realidade, e isso precisa ser conversado, sem esperar virem as consequências ruins desse fato novo. Ou seja, é preciso anteceder-se a isso e preparar-se. 

JM – Quando procurar ajuda profissional para ajudar a organizar a vida financeira e emocional?
Barbosa –
Quando começar a se sentir triste e que a vida não está sorrindo como antes... Muitas vezes é difícil admitir isso e por isso buscamos sempre algumas justificativas. Mas há momentos em que estamos angustiados, que está doendo por dentro, em que a conversa já não flui como antes, e nos afastamos, perdemos vontades. São sinais de que buscar ajuda profissional pode ser interessante. Por mais próximo que estejamos do cônjuge ou dos filhos, tem hora que isso não basta e precisamos nos abastecer fora. Então, essa busca é importante mesmo, mas é importante alertar que, com muita frequência, as pessoas acham que essa busca profissional é atravessar a rua e comprar um remédio na farmácia, ou ir ao boteco beber um chope a mais, apelar para o cigarro e outras drogas, e não é por aí. O comportamento de quem vai em busca de ansiolítico ou de um calmante é muito parecido qualitativamente com aquele que vai cheirar cocaína, fumar maconha ou encher a cara. Os motivos que o levam a isso é a fuga da realidade e de encarar os problemas ou de conversar. E quando falamos em busca de ajuda, não me refiro apenas a profissionais. Seria como dizer: “Vai buscar o psicólogo” – e não é isso. Existe esse tipo de ajuda, mas há outras que também fortalecem e ajudam a conviver melhor com as adversidades. Ou seja, buscar espiritualidade ou religião, exercício físico e lazer, como produzir uma pipa enquanto conversa com o filho e, de repente, se divertir com isso. Aqueles que têm dom podem tocar um instrumento musical, pintar ou fazer esculturas, buscando extravasar seus sentimentos em prol de algo.




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