JM Online

Jornal da Manhã 46 anos

Uberaba, 14 de dezembro de 2018 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

ENTREVISTA

Odo Adão: respeitado cirurgião

Cônsul do Senegal em Minas Gerais, o cirurgião plástico de renome nacional ...

- Por Thassiana Macedo Última atualização: 05/12/2010 - 09:34:46.

Cônsul do Senegal em Minas Gerais, o cirurgião plástico de renome nacional e internacional Odo Adão luta incansavelmente para fazer de sua história de superação um exemplo para outras pessoas, mas, principalmente, à comunidade negra. Registrado em Conquista (MG) em 18 de setembro de 1935, Odo Adão mudou-se cedo para Uberaba e adotou esta cidade como ponto de partida para a conquista do mundo.

Com mais de 40 anos dedicados à Medicina, Odo Adão é membro-examinador da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e guarda em sua sala uma parede repleta de homenagens e prêmios por suas contribuições à educação, à Medicina e à comunidade negra.

Ex-prefeito de Uberaba, assumiu o cargo no fim de 2004, após a renúncia de Marcos Montes Cordeiro, designado para a função de secretário estadual de Esportes e Juventude do governo Aécio Neves. Atuante na carreira de cirurgião plástico e fundador do curso de Residência em Cirurgia Plástica em Uberaba, foi um dos fundadores do Elite Clube de Uberaba e do Centro Nacional da Cidadania Negra (Ceneg), em favor da luta pelo povo negro da cidade. Agora, Odo Adão recebe o Jornal da Manhã para falar sobre consciência negra, Medicina e política na entrevista que você confere a seguir.

Jornal da Manhã – Quem é Odo Adão?
Odo Adão
– Odo foi uma criança órfã de pai aos quatro anos. Nasci numa comunidade rural na fazenda Dona Benvinda Araújo. Meu pai trabalhava na Companhia de Estradas de Ferro Mojiana. Um dia ele foi deslocado para trabalhar em uma estrada de ferro, e moramos entre a estação de Guaxima e Engenheiro Lisboa com trabalhadores que davam assistência à estrada, entre Uberaba e Conquista. Como morávamos em Guaxima, mas perto do município de Conquista, fui registrado lá. Mas nos mudamos para Uberaba antes que eu completasse três anos. Com a morte de meu pai, voltamos para a comunidade rural de Conquista, onde vivi com meu avô em uma fazenda. Minha mãe viúva, já com outra filha que tinha dois anos naquela época, trabalhava de cozinheira na fazenda. Aos sete anos, comecei a trabalhar com cana e cuidando de boi. Estudava na escola rural, onde dividia a sala com outros estudantes de várias idades e séries. Quando a família para quem minha mãe trabalhava veio para Uberaba, viemos também. Até hoje guardo um apreço muito grande pela família do senhor Hermógenes Afonso Rezende, tenho seus filhos como irmãos, e vice-versa, pois me deu apoio para que estudasse.

JM – Órfão de pai aos quatro anos, o senhor enfrentou dificuldades... Que fatos marcantes dessa formação faz questão de lembrar?
Odo Adão
– Para colaborar, tomava conta do caminhão em que traziam leite da fazenda. Não que exigissem, mas trabalhava em retribuição ao que faziam por mim e minha família. Entrei para a escola primária Guerra Junqueira e depois consegui transferência após fazer um teste na Escola Grupo Brasil. Abrindo um parêntese, há 15 anos, quando o grupo completava 70 anos de existência, fui homenageado como o aluno do 4º ano primário com as melhores notas. Um tempo depois fiz o teste de admissão e fui aceito no ginasial do Colégio Triângulo Mineiro. Como o colégio era particular, o prefeito Antônio Próspero me deu uma bolsa para que eu estudasse. Com o fim do mandato dele, um ano depois tive que pedir ajuda: o Oto Resende conversou com Cecília Palmério e ela me deu a bolsa para que eu terminasse os estudos, com o compromisso de nunca ser reprovado. Sempre tive as melhores notas. Acordava às quatro da manhã para trabalhar no caminhão leiteiro e voltava às 11h, almoçava e ainda trabalhava. Já fui engraxate e vendi doces na rua. Foi quando aprendi o ofício de sapateiro com o Chico Sapateiro, um homem simples, mas de uma grande filosofia e quem muito me ensinou sobre a vida. Da sapataria fui trabalhar na fábrica de sapatos Fenelon, tanto é que o sapato que usei no dia de minha formatura do curso ginasial fui eu mesmo que fiz.

JM – Foi nesta época que trabalhou no Hospital Beneficência Portuguesa?
Odo Adão
– Aí veio chegando a época do vestibular. Já pensava em fazer Medicina e sabia que fazendo esses trabalhos não conseguiria estudar. Então, através dos Resende, consegui com Leonor, esposa do Davi de Carvalho, da antiga Farmácia Cruzeiro, um emprego provisório de faxineiro no Hospital Beneficência Portuguesa. O irmão de Leonor fazia a higiene dos pacientes e, além disso, ainda administrava o hospital. Ele me ensinou o serviço com os pacientes e disse que quando o faxineiro voltasse, me colocaria na função. Mas o Hermínio nunca que voltava. Um dia, o encontrei na rua e expliquei que só estava cobrindo suas férias, ele voltou e comecei como auxiliar. Aprendi a dar injeção no próprio braço do diretor. Ele me ensinou tudo. Quando terminei o colegial, caí nas graças do cirurgião Hélio Angotti, fundador do Hospital do Câncer. Nesta época, surgiu a Escola de Medicina, que era particular. O Dr. Hélio, membro do grupo fundador da escola, junto com Hélio Costa, Jorge Furtado, Mozart Furtado, me deu uma bolsa e assim estudei até que Juscelino Kubistchek federalizou a escola.

JM – Formado em Medicina em 1962 pela Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, há uma história de que o senhor teria sido barrado na entrada da própria formatura no Jockey Club por ser negro. É verdadeira?
Odo Adão
– Totalmente falsa. O que aconteceu é que um grupo de médicos da cidade quis tomar a Escola de Medicina e convocaram os alunos para fazer greve para renovar os professores, inclusive o meu chefe, o Hélio Angotti. O meu grupo de colegas, que era a favor do Dr. Hélio, não concordou. Em represália, eu e outros 15 colegas achamos por bem não participar do baile de formatura, porque o diploma eles não poderiam nos negar, pois está previsto na Constituição. Com relação a preconceito, passei a notar que esse tipo de problema acontece com pessoas que têm dinheiro, mas são ignorantes. As pessoas cultas não sofrem discriminação. Houve episódios que não me chatearam. Assim que me formei, resolvi conhecer a Europa e os EUA, com minhas economias. Paguei tudo adiantado. Na volta, o responsável pela alfândega me perguntou: “Você é jogador de futebol?”. Respondi: “Não”. “Você é músico?”. “Não”. “Então, como conseguiu viajar?”. Disse: “Foi simples, eu comprei, paguei a viagem e fui”. Ele se sentiu ofendido, mas eu não.

JM – Embora a Prefeitura tenha decretado feriado municipal em celebração ao Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, a população e mesmo as organizações afro-descendentes não realizaram nenhuma comemoração... Como o senhor vê isso?
Odo Adão
– Isso foi uma falta de liderança. A Fundação Palmares, com sede em Brasília, foi criada em Uberaba. A cidade tem muita projeção neste sentido, mas as nossas lideranças, uns morreram e os novos não perpetuaram a luta. O que eles perpetuam é congada e desfile de carnaval, mais com o intuito de pegar dinheiro. Outro aspecto é que o fato de a escravidão ter sido abolida com a Lei Áurea fez com que o negro perdesse a sua autoestima. O livro “Casa Grande e Senzala” demonstra que apenas 15% da população negra ainda eram escravos em 1888, o resto já havia comprado a sua liberdade. Aquilo foi um golpe político que enfraqueceu o negro, já que ele não tinha mais motivos para lutar. Além disso, depois da libertação, o negro ficou jogado. Ao invés de dar emprego para o negro que só sabia mexer com lavoura, importaram. Os imigrantes alemães e italianos ganharam terras no Sul do país, mas os negros não. Por isso, passou-se de 13 de maio (assinatura da Lei Áurea) para 20 de novembro a comemoração do Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi de Palmares.

JM – O que falta para que o negro volte a ter autoestima?
Odo Adão
– Falta espelho. E quando menciono espelho, falo de negros ilustres. Tanto que durante o pouco tempo em que fui prefeito, no Dia da Consciência Negra, trouxe vários líderes negros, como Zezé Motta, Benedita da Silva, deputados negros, entre outros. Fizemos na prefeitura uma série de conferências com a finalidade de mostrar aos uberabenses que existem negros influentes e que conseguem subir na vida. Depois disso, fundamos o Elite Clube Uberaba, eu, Wagner do Nascimento, a família Mapuaba, para que negros pudessem se encontrar para conversar, mostrar danças, etc. E isso foi um estímulo, mas queríamos mais. Quando se quer ajudar uma pessoa, você vai e ajuda, mas quando quer auxiliar uma comunidade, somente através da política. Por isso, conversando com o Narcio Rodrigues, percebemos que para melhorar a autoestima do negro em Uberaba precisamos recuperá-lo profissional, cultural e politicamente.

JM – Foi assim que surgiu o Ceneg?
Odo Adão
– Sim. Eu era presidente de honra e não tinha funções administrativas, e o diretor executivo era o professor Caixeta. Essa ação foi importante, pois eram os negros daqui que ditavam as normas para vários Cenegs pelo Brasil. Mas o problema é que o Caixeta, no ímpeto de progredir, gastou muito dinheiro, contando com a verba que iria vir. E a verba não veio porque houve uma denúncia de outros negros, que pensavam que os negros que estavam lá dentro estavam roubando. Não defendo o Caixeta, mas não acho que ele foi tão mau assim. Se não tivesse havido essa denúncia, o dinheiro teria vindo e ele teria cumprido os compromissos. Mas o Ceneg conseguiu formar muitas pessoas em cursos de cabeleireiro, carpinteiro, pedreiro, teve até curso pré-vestibular. Onde, como vivemos em um país democrático, estudaram negros e brancos. Muitos negros passaram em faculdades particulares, mas não tinham como pagar. Tanto que nosso próximo passo era conseguir do governo verbas para financiar esses estudantes. E deu no que deu.

JM – As tecnologias utilizadas em cirurgia plástica têm avançado muito no Brasil. Quais são as últimas novidades em relação às modificações estéticas disponíveis no mercado de Uberaba?
Odo Adão
– A tecnologia é a mesma, só enriquecem os detalhes, sempre melhorando. Tanto que nós, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, temos congressos nacionais todos os anos, onde os profissionais trocam experiências e conhecimentos. Mudanças técnicas não há, existem fatos novos, como na lipoaspiração e também na melhoria de materiais para próteses. Aliás, tive a felicidade de ser um dos primeiros brasileiros a conhecer a prótese de silicone, que foi inventada no hospital da Universidade do Texas, onde morei por oito meses, em Houston (EUA), por um cirurgião chamado Cronin. Embora a prótese de silicone não tenha sido inventada para reparação por retirada para tratamento de câncer e nem com função estética. Ela foi criada para formar mamas em mulheres que sofriam da Síndrome de Poland. É uma doença rara em que elas nascem com ausência do broto mamário e geralmente sem duas ou três costelas.

JM – Nos últimos anos a cirurgia plástica se popularizou... Qual o perfil dos uberabenses que procuram o procedimento?
Odo Adão
– Se você computar o número de plásticas reparadoras mais estéticas, os EUA são os primeiros do mundo e nós estamos em segundo. Mas se considerarmos somente as cirurgias estéticas, o Brasil é o primeiro. E são pessoas procurando modificar o nariz, porque tem algum detalhe que as incomoda, pessoas que se sentem envelhecidas, mulheres com mama pequena, querendo aumentar, e outras diminuir. Detalhe, as mulheres que operei há 15 anos para diminuir as mamas hoje me procuram para aumentá-las novamente. Primeiro, porque hoje é moda, e segundo, porque com o passar do tempo envelhecemos e elas caem. Envelhecemos porque a pele cresce desde quando nascemos, mas quando atingimos 45 ou 50 anos, uns mais outros menos, há uma queda de hormônio e isso confere perda de elasticidade, a flacidez. Aparecem rugas que as pessoas interpretam como sinal de velhice e não tem nada a ver. Rugas são sinais de nossas expressões, quando sorrimos, por exemplo. Tanto que há jovens de 25 anos que tem mais pés-de-galinha que eu e não estão velhos.

JM – No último Congresso de Cirurgia Plástica, o tema mais debatido foi a questão da segurança dos procedimentos, já que cerca de 97% dos erros em cirurgias plásticas são cometidos por profissionais não capacitados. Que recomendação o senhor dá a quem procura o procedimento?
Odo Adão
– A principal é saber se o cirurgião é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e, depois, conferir se ele tem titulação ou a especialização correta. Hoje está muito fácil consultar o site da Sociedade. Quando uma pessoa se forma em Medicina, a lei a permite exercer qualquer ato médico, mas isso deve partir da consciência ética de cada pessoa. Um bom médico precisa estar realmente preparado para um procedimento. A lipoaspiração fascinou o mundo porque as pessoas passaram a ganhar muito dinheiro, mas é importante que saibam que a lipoaspiração não emagrece as pessoas. Esse procedimento serve para retirar o excesso de gordura que não desaparece após uma dieta, em especial nos flancos, abdome, culotes, onde ela se acumula e dificilmente perdemos com o regime de emagrecimento. Antes do regime a lipoaspiração é um risco.

JM – Como veio o convite para entrar na política?
Odo Adão
– Narcio Rodrigues e Marcos Montes achavam que eu iria angariar votos numa eleição para prefeitura e, por isso, me convidaram insistentemente. Disseram-me que vice-prefeito não teria que fazer nada, mas não foi bem assim. Durante a campanha o candidato faz inúmeras promessas e as pessoas passaram a me procurar, pois era mais fácil cobrar de mim. Quando vi a carga, para não atrapalhar minha atividade, montei uma vice-prefeitura na rua Bernardo Guimarães, onde ficava das 7h às 9h atendendo as pessoas e depois vinha para a clínica. Depois tive que assumir como prefeito e me complicou, porque tinha que ficar na prefeitura. Mas foi uma experiência desagradável, já que a minha filosofia, como médico, é sempre falar a verdade, e neguei muitos pedidos a pessoas que eram amigas e que achavam que eu poderia passar por cima da lei e conseguiriam coisas. Coisas que não podia fazer por ser contra a lei. Com isso arrumei muitos inimigos. Outra questão foi a indisposição que criei quando mudei três secretários assim que me tornei prefeito. Uma das pessoas foi o Dr. Hueb, oftalmologista. Coloquei o Djalma Santos na Secretaria de Esportes, uma pessoa que deu visibilidade e era do esporte. E isso causou mal-estar, porque quando acontecia qualquer coisa, antes mesmo de eu saber, o Marcos Montes já sabia, onde quer que ele estivesse. Foi o caso do desastre da FCA. Por isso, cheguei à conclusão de que política é carreira para político profissional. Médico tem que ser médico.

JM – Mas o senhor tem alguma pretensão futura de exercer outro cargo?
Odo Adão
– De jeito nenhum...

JM – Que ações o senhor priorizou na curta experiência como prefeito?
Odo Adão
– Tentei priorizar, primeiro, a segurança, mas não consegui por falta de verba. Fiz um projeto de colocar câmeras de segurança nos pontos mais prejudicados da cidade. Procurei também, no sentido de melhorar a segurança, algo que copiamos da prefeitura de Nova York, implementar a Delação Premiada. Que seria incentivar a população, criando um canal de comunicação, a denunciar crimes sem se identificar, já que as pessoas tinham medo de falar. Era intenção também colocar postos policiais nos pontos mais críticos. Isso tudo era uma ideia que tinha, mas que não consegui implementar por falta de dinheiro. Fizemos melhorias no comércio e levamos melhorias a comunidades no município de Uberaba. Tudo dentro das possibilidades financeiras. Não tenho mágoa de Marcos Montes, mas ele, quando saiu, inaugurou uma porção de obras e acabou com o dinheiro, deixando o caixa zerado, somente as dívidas. O que acontece é que determinada porcentagem do orçamento é destinada à Educação, por exemplo, e o valor não havia sido gasto. No fim de 2004, não havia mais tempo de fazer obras para a Educação. O que fiz quando assumi foi comprar computadores que faltavam às escolas e eram fáceis de adquirir. Fizemos a cotação e compramos de uma firma do governo computadores de última geração para preencher a porcentagem. Mas aí falaram que fizemos superfaturamento, que os equipamentos eram de fundo de quintal, mas não é nada disso.

JM – Aliás, o senhor responde, ao lado do atual deputado federal Marcos Montes, por processo de improbidade administrativa por contrair despesas, deixando mais de R$ 14 milhões em dívidas para o mandato de 2005, na época de Anderson Adauto. Como anda o processo?
Odo Adão
– Deixar dívidas para o próximo prefeito é uma coisa normal. Mas este processo já foi resolvido há muito tempo. O que posso dizer é que houve o processo e hoje foi esclarecido que os gastos eram referentes à compra destes computadores e, ainda, à ausência de pagamento de alguns funcionários, porque não havia mais dinheiro, todo gasto em obras pelo Marcos Montes, inauguração de viadutos, praças, etc. Agora, infelizmente, vi no jornal que o deputado federal Marcos Montes está impossibilitado de assumir o cargo, mas isso vai passar...

JM – O senhor acha que foi injusta essa condenação?
Odo Adão
– Eu acredito que foi injusta, mas são detalhes que os adversários pegam e procuram incriminar as pessoas, e que muita gente faz, embora não apareça. Uberlândia cresceu mais do que Uberaba, primeiro porque aqui somos dominados por famílias tradicionais, e porque lá os políticos se unem em benefício da cidade, diferente dos políticos daqui. Em Uberlândia, digladiam durante as campanhas eleitorais e depois os adversários se unem. Aqui não, continuam brigando, desmoralizando e desmanchando o que o anterior fez.

JM – E foi com o intuito de terminar o que havia começado que tentou disputar as eleições municipais como pré-candidato do PSDB?
Odo Adão
– Eu pertencia a um grupo político e foi este grupo que forçou isso. A filosofia deles é que quando uma pessoa
se torna membro de um partido, passa a ser soldado de suas leis e regras, e precisa decidir com a maioria. Estava bem cotado, mas o Fahim, que ganhou a disputa interna, não conseguiu o mesmo nas eleições e acabou perdendo. Isso para mim foi bom, porque eu realmente não tinha interesse em ser prefeito novamente.

JM – Em 2008, já filiado ao PDT, seu nome foi cogitado para integrar a chapa de reeleição do prefeito Anderson Adauto. O que foi que aconteceu?
Odo Adão
– Eu pertencia ao grupo político do Narcio, mas por ele mesmo passei para o grupo do Anderson Adauto. A pedido de Narcio e do governador Aécio Neves, que estava em vias de se colocar como pré-candidato para o cargo de presidente pelo PSDB, seria necessário que eu fizesse uma aproximação do prefeito Anderson, que era do PMDB, pensando no apoio à Presidência. Mas, em consequência disso, eu teria que me filiar a um partido correligionário do PMDB para isso, o PDT. Mas fiquei sabendo depois que, em troca desse apoio, o Narcio queria que o Anderson me colocasse como vice na disputa para a Prefeitura. Coisa que não era da minha pretensão. Houve a aproximação, mas no dia em que o Mário Franco perguntou se me interessava pleitear a vice-prefeitura, eu respondi: “Em hipótese nenhuma!”. Atualmente, quero mesmo é ser somente amigo de político... [Risos]

JM – Aos 75 anos, o senhor ainda tem expectativas de vida? Há algo que o senhor queira ver acontecer ou mesmo realizar?
Odo Adão
– De alto vulto não, mas de uma coisa tenho certeza, na minha profissão, continuo em atividade, não só na nossa clínica, com Dr. Chaem, Dr. Délcio Scandiuzzi e, recentemente, o Dr. Carlos Renato, mas, também, manter minhas funções na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Quero ainda poder acrescentar um ponto a mais na história da Medicina e da cirurgia plástica.

JM – Neste caso, quais são as expectativas para 2012 quanto às eleições municipais?
Odo Adão
– Confio atualmente no trabalho que está sendo feito pelo prefeito Anderson Adauto, que às vezes muitas pessoas não querem ver. Ele tem feito muita coisa para Uberaba. Infelizmente, em 2012 ele não poderá se candidatar mais, mas estou esperando que ele consiga formar um grupo para eleger seu sucessor...

Leia mais

DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia