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02/12/2008

JM Extra: Mestres inesquecveis da histria da educao uberabense

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Geni Chaves: A guardiã dos saberes

Geni Chaves nasceu em 1920, na cidade de Abaeté. Filha do comerciante Francisco Faria Chaves e da educadora Maria Lataliza Chaves, veio ao mundo com o propósito de lutar por uma educação mais acessível e contextualizada. Diplomada em 1948 pelo curso de Administração Escolar do Instituto de Educação de Belo Horizonte, foi designada para o cargo de Delegada Regional de Ensino da cidade de Uberaba (1961). Um tempo marcado pela abertura de inúmeras escolas estaduais nas periferias, que contribuiu para a expansão do Ensino Fundamental na cidade. Não satisfeita somente com os prédios, ela criou e ministrou um dos primeiros cursos de alfabetização de adultos, com uma metodologia própria. Vieram também os cursos de verão, para recuperar alunos que tinham sido reprovados. As escolas não acataram a iniciativa da delegada e, como alternativa, foram criadas classes anexas à DRS, para receber esses estudantes. Foi o primeiro passo para os projetos que existem até hoje, mas com outras denominações. Geni faleceu em 14 de janeiro de 1973, na cidade de Tiros, deixando publicadas 14 obras de apoio didático e algumas obras literárias inacabadas.
 
Paulo Rodrigues: Um idealista emnome da liberdade
 
Quem não presta para servir não serve para viver; assim Paulo Rodrigues resumia sua vida. Nascido em 1929, no Rio de Janeiro, filho dos imigrantes portugueses, Manoel Rodrigues e Balcenina Moreira da Silva, iniciou sua vida educativa aos 12 anos, quando entrou para o Seminário Arquidiocesano São José. Paulo passou a lecionar catecismo nas penitenciárias e favelas cariocas, onde também ministrava aulas de cultura e noções de higiene. Foram 11 anos de seminário até se tornar professor. Veio para Uberaba em 1968, entrou para a equipe de docentes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, onde assumiu a cadeira de Humanas: História da Filosofia, Sociologia e Estudos dos Problemas Brasileiros. Lecionou em várias escolas de 2º Grau na cidade, sendo conhecido como o professor que lutava pela liberdade de expressão e ação, por meio da lógica que envolvia raciocínio e palavra. Paulo Rodrigues faleceu aos 61 anos, em Uberaba, em 6 de julho de 1990, dizendo que, enquanto educador, o pouco que fez não era nada em vista do muito que deveria ter feito pelo aluno e pela educação.
 
Terezinha Hueb de Menezes: Doçurapara uma educação profunda e duradoura
 
A educação dominicana no Colégio Nossa Senhora das Dores formou seu caráter solidário e humilde. Graduada em Letras pelas Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Fista), Terezinha Hueb lecionou Literatura e Português, com a doçura de mulher firme nos princípios da educação humanizadora. Sua história se confunde com a de Murilo Pacheco de Menezes, com quem foi casada por anos e, segundo ela, uma alma emoldurada em dois corpos. Ao lado de Murilo e de seu pai Salim Hueb, ajudou a fundar o Colégio Nossa Senhora das Graças. Foi também diretora do antigo Centro de Ciências e Letras da Uniube. Especialista em Redação, ainda ministra aulas e administra o colégio com a competência da família. Terezinha tem dois livros de poemas publicados e já organizou outros tantos. São 50 anos como educadora e escritora. Professora por grandeza, para quem educar é preparar para a vida, trabalha valores para que seus alunos cresçam em todos os sentidos.
 
José Maria Madureira: O professor ator
 
Nascido em Belo Horizonte, mas criado desde pequeno em Conceição do Mato Dentro, pequena cidade do norte de Minas, José Maria Madureira ou simplesmente Madureira — como é conhecido — mudou-se para Uberaba em 1972. Momento em que foi muito atuante no cenário efervescente do teatro não profissional na cidade, cuja referência era o Teatro Amador de Uberaba (TEU). Aqui, tornou-se uberabense por opção e de coração. Terminou o estudo Normal no Colégio Nossa Senhora das Graças e entrou para o curso de Letras, onde estudou Português Vernáculo (Português puro, Latim, Literatura e Lingüística) nas Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Fista). Lá, começou com aulas de Educação Artística e, depois, de Literatura. Também marcou presença no Colégio Nossa Senhora das Graças e no Colégio Marista Diocesano. São 38 anos de envolvimento profundo com o teatro e 30 como educador. Educador porque ele não se considera um simples “passador de matéria”, mas aquele que, através de sua posição, transmite princípios morais, discutindo ética, justiça, despertando nos educandos a necessidade da descoberta como atitude consciente de todo ser humano cidadão.
 
Tânia Mara: À frente de seu tempo
 
Formada em Ciências Políticas e Letras, Tânia Mara começou a lecionar em 1965, substituindo um professor de cursinho Pré-Vestibular, em Ribeirão Preto. Depois de convidada a ingressar nessa complexa área, apaixonou-se pelo giz e descobriu-se na missão de educadora. Trabalhou no estado de São Paulo e, em 1985, veio para Uberaba atuar como professora nos ensinos Fundamental e Médio. Para ela, a educação é o exercício contínuo de busca e investigação do conhecimento, é a produção de novos saberes que estimulam a ação criadora e conformam a consciência histórica. Seu trabalho está pautado no exemplo do grande educador brasileiro, Paulo Freire, para quem todo processo de educação deve ser revolucionário, transformando-se em meio de libertação. Hoje, Tânia ministra aulas de Filosofia, Geografia e História, sempre buscando combater qualquer forma de preconceito e estimulando a sede por conhecimento e a curiosidade de seus alunos.
 
José Mendonça:  Um intelectual e suas diversas facetas
 
Uberabense nato, José Mendonça veio ao mundo em 1904. Filho de advogado e promotor, José Mendonça também cursou Direito na Universidade do Rio de Janeiro, prezando sempre a retidão do princípio mais básico de um povo, o direito à justiça individual e social. Dotado de inteligência e sensibilidade singulares, pautava seu trabalho no aperfeiçoamento pessoal, na humildade e bondade, espírito de serviço e solidariedade. Homem culto que era, publicou seis obras importantes para a comunidade de estudiosos do Direito, tornando-se referência em estudos futuros. Mas, também, foi autor de três contos. Amante do conhecimento, dedicou-se a diferentes atividades: historiador, jornalista, crítico literário, atleta, religioso, músico e filantropo. Mas foi como professor que uniu todas essas facetas em um só homem, revelando-se um educador completo.
 
Peppe: O mestre das Ciências Exatas
 
O biólogo, químico e matemático José Peppe Júnior nasceu em 1920, em Uberlândia. O filho de José Peppe e Maria de Freitas Peppe sempre pensou em ser educador e começou a lecionar no Colégio Triângulo e na Escola Normal, em 1945. Entre os alunos do Ginásio, sua fama era imensa: sabia tudo de Exatas. Passou pelas escolas de Engenharia e participou do corpo docente da Universidade de Uberaba, dando aulas aos cursos de Odontologia. Peppinho, como era carinhosamente chamado pelos alunos, ficou em Uberaba por mais de 30 anos, retornando a Uberlândia para contribuir com a educação em sua terra natal, até o fim da sua jornada.
 
Décio Bragança Silva: Um partidário da libertação criativa
 
Uberabense de coração, Décio Bragança Silva ficou conhecido por sua maneira irreverente de ensinar, com propostas de discussões sempre polêmicas, mas nunca fúteis. Para ele, a verdadeira educação é aquela que vem seguida pela libertação através do amor, descerrando os véus da ignorância. Natural de Itabira, Minas Gerais, sua formação seminarista fundamentada na doutrina franciscana possibilitou contato estreito com o ideal de libertação do povo por meio da educação solidária. Aos 12 anos, já lecionava. Na juventude, fez votos, andou de batina, com direito a coroinha e barba farta, mas ser padre não era sua vocação. Trilhou o caminho da família e da sala de aula. Lecionou no Colégio Marista Diocesano, no Colégio Nossa Senhora das Dores, na Fista e, hoje, envolve os alunos da Universidade de Uberaba (Uniube) com sua rebeldia. Língua e História foram as veredas escolhidas por Décio Bragança como caminho para uma libertação humana e criativa rumo às boas formas de viver.
 
Therezinha Maciotti: Professora com todos os adjetivos
 
A sempre bem-humorada Therezinha, filha de José Maciotti e Angela Virmercartti, nasceu em 1927. Na adolescência, a uberabense nunca pensou em ser professora, mas seu destino parecia traçado, visto que os avós maternos eram educadores. Formou-se em História, pela faculdade de Filosofia de Uberaba. Começou a lecionar na década de 40, na Escola Normal, denominada em nossos dias de Escola Estadual Castelo Branco. Conhecida como a professora que mantinha a disciplina, Therezinha sempre gostou de lidar com crianças, dizendo que nessa época elas eram mais atenciosas e gostavam de leitura. Lecionou também no Colégio Triângulo e no Nossa Senhora das Dores. Em 1977, aposentou-se na Escola Normal, onde na ocasião lecionava para o Ginásio, hoje Ensino Fundamental. Aos 81 anos, dona Therezinha ainda se lembra dos tempos de educadora, com bastante saudade e com o sentimento puro de missão cumprida.
 
Santino Gomes de Matos: O mestre das Letras
 
Santino teve uma formação no seminário e, ainda jovem, lecionou Português, Francês, Inglês e Latim. Natural de Iço, no Ceará, faleceu aos 67 anos, na cidade de Uberaba, onde viveu intensamente seus últimos 40 anos. Dedicou-se profundamente ao jornalismo e ao magistério. Assumiu a cadeira de Língua Portuguesa na Escola Normal Oficial de Uberaba e lecionou Filologia Romântica e Portuguesa nas Faculdades Integradas Santo Tomaz de Aquino (Fista), além de Português e Literatura no Colégio Triângulo Mineiro. Apaixonado pela cidade, o então funcionário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santino candidatou-se a vereador de Uberaba, a fim de não ser transferido, e aqui acabou por publicar nove conceituadas obras entre livros de poesia, contos e filologia. Como grande mestre das línguas, era polêmico ao defender a identidade do povo brasileiro, sem perder a generosidade de educador social.





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Publicado decreto de n 1.083/2017, que tem durao de 30 dias, que vai multar quem desperdiar gua em Uberaba. Voc concorda com a medida?




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