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02/12/2008

Leia em JM Extra - Educao Infantil

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 No século XXI, a Educação Infantil ganhou modificações significativas que contribuem para a formação de um novo indivíduo.
Passamos do assistencialismo à pluralidade de concepções da educação. A linguagem se transformou: Português, Matemática, Ciências e História são disciplinas aprendidas com as lições do cotidiano

O antigo modelo assistencialista de Educação Infantil deu lugar à valorização da criança como ser completo, que precisa do cuidado, mas também de se formar como cidadão dotado de inteligência e sabedoria. Direito respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que define e regulariza o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição.

Criada em 1961, reformulada em 1971, vigorou até 1996, quando foi promulgada sua mais recente versão. Baseada no princípio do direito universal à educação para todos, a LDB do século XX trouxe mudanças, como a inserção da Educação Infantil (creches e pré-escolas) na primeira etapa da Educação Básica. Mas o grande salto para a Educação Infantil foi em 2007, com a sanção da lei que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

"Além do cidadão ter direito ao acesso, ele tem direito à permanência e à qualidade do ensino. O Fundo Nacional vinha para o Ensino Fundamental e, agora, é para Educação Básica, que inclui a Educação Infantil. Foi uma conquista", comemora a chefe da seção de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Uberaba, Lúcia Helena Borges de Oliveira.

De acordo com o Ministério da Educação, o Fundeb terá vigência até 2020 e atenderá, a partir do terceiro ano — 2010 —, 47 milhões de alunos da Educação Básica, contemplando creches, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos.

A Educação Infantil é de responsabilidade do município, e não do Estado. Em Uberaba, a secretaria municipal traçou metas e desenvolve o Plano Decenal de Educação, que trabalha com os mesmos objetivos gerais do Plano Nacional de Educação. "Na rede, temos um acompanhamento desse plano, como, por exemplo, a avaliação sistêmica dos alunos a partir dos
6 anos de idade, que aprecia também o profissional", diz Lúcia Borges.

Vale ressaltar que as crianças de
6 anos fazem parte da Educação Fundamental, e não mais na Educação Infantil, conforme previa a lei.

Desde 2006, a rede busca trabalhar a "Escola como ambiente de aprendizagem e de formação humana-cidadã". Lúcia considera os avanços na Educação Infantil relevantes, mas sabe que ainda há muito a fazer, como por exemplo, completar o quadro de funcionários incluindo alguns professores de educação física e pedagogos voltados para os pequenos. Outra proposta é inserir as aulas de arte e música no currículo deles nos próximos anos.


 Das creches para os Cemeis a mudança de conceitos

Levar uma criança para a creche significava, há muito pouco tempo, a certeza de que ela seria muito bem cuidada, teria boa alimentação e higiene pessoal completa. Atualmente, essa realidade mudou, impulsionada pela legislação e pelos profissionais que trabalham no segmento. "Havia uma função bem de assistência. Hoje, no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei), a criança fica dois períodos aprendendo", diz Lúcia Borges. Ela completa, ainda, que, em Uberaba, o nome creche está sendo abolido aos poucos e há um esforço para mostrar aos responsáveis pelas crianças a importância do trabalho educativo.

"As creches eram da Secretaria de Ação Social e passaram para a Secretaria de Educação. Isso mudou o foco, desenvolvemos um trabalho pedagógico. Consolidando essa passagem, através da Lei Delegada, modificamos o cargo das coordenadoras de creche para diretoras de Cemei. Há toda uma exigência vinculada ao Magistério", explica.

No Cemei, Márcio Eurípedes Martins dos Santos, no bairro Costa Telles, a educação em tempo integral começa a partir dos 4 meses de idade. São cerca de 30 colaboradores sintonizados e a diretora da unidade, Maria Terezinha Barbosa, conta que, muito antes da lei, já trabalhavam com esta filosofia. São 180 crianças, entre 0 e 5 anos, recebendo atendimento pedagógico e atenção pessoal necessários para se desenvolverem como seres humanos. "Cuidar e educar é desde o momento em que a gente recebe a criança lá no berçário. Não fica só no cuidar, vai além. O profissional tem que ser capacitado, precisa ter conhecimento, não pode ficar só no informal", afirma.

A diretora explica, ainda, que os profissionais passaram a buscar qualificação. A maioria tem grau de estudo em nível superior ou, se não tem, está terminando. A supervisora Maria de Fátima Batista Fortes indica outro ponto fundamental na valorização dos Cemeis: "Além da sala de aula, temos quadra, parque, um pátio que chamamos de amarelinha, cantinho de leitura e temos o Positivo (laboratório de informática). Montamos a rotina de forma que todas as crianças não fiquem em um único ambiente".

A fórmula parece dar certo. Ranieri Aparecido da Silva Fideles, de 5 anos, diz que gosta do Cemei porque é tudo muito limpinho, a sala é gostosa, ele já escreve no caderno, faz desenhos, brinca com jogos, diverte-se na quadra e no parque. "É muito legal, mas eu gosto mesmo é do computador", conta o pequeno, cheio de orgulho.

Mãe de aluno, dona Luciana Dias de Sousa diz que sente uma grande satisfação e confiança em deixar o filho no Cemei, pois sabe que estará bem cuidado e em segurança. "Me orgulho de poder fazer parte deste espaço, pois é a segunda casa do meu filho. Os profissionais são responsáveis, qualificados e carinhosos. Já sinto tristeza em saber que este é o último ano dele aqui", lamenta.

Na rede pública municipal (tanto Cemeis quanto escolas) é aplicada a teoria sociointeracionista, que tem como fundamento respeitar o que é próprio da criança na respectiva faixa etária.
É a brincadeira como forma de valorizar a criança na sua forma de pensar.

"A Educação Infantil é corpo a corpo, é sentar no chão, é sujar. Tanto administrativa como pedagogicamente, somos responsáveis por essas crianças. O que elas aprenderem aqui vão levar para o resto da vida. Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje", acrescenta a diretora Maria Terezinha.  


 Do público para o particular outro olhar para o jardim de infância

 Ao se falar em Educação Infantil, presume-se que ela tenha a mesma essência em todas as instituições, já que segue os parâmetros também de uma só lei. Ao entrar numa escola pública é possível ver que há uma consonância de idéias e princípios, que são literalmente vivenciados pelas crianças.


A representante da Educação Infantil em Uberaba, Lúcia Borges, afirma que tem experiência bastante nas redes pública e privada para dizer que não vê muita diferença em relação à organização curricular, já que, atualmente, a lei prevê o desenvolvimento da área de conhecimento, e não exatamente de conteúdo.

"A diferença está na família. A pessoa que utiliza o sistema público não sabe que tem direito à qualidade. Você tenta levar a família, mas ela é um pouco mais distante. Não podemos generalizar, mas você tem a presença maior na rede particular", ressalta.

Esse é um dos propósitos da Escola Municipal São Judas Tadeu. A diretora Andréa Beatriz Pereira Richitelli Teixeira conta que o trabalho tem sido constante para que os pais participem da vida escolar dos filhos. A gestão da escola é referência. Alunos de 6 anos de idade receberam a maior nota, pelo segundo ano consecutivo, na Avaliação Sistêmica do Município. E isso, para a diretora, é fruto do trabalho de continuidade feito na escola. "A gente tem um projeto pedagógico que está sendo reconstruído permanentemente. É um lançar adiante", explica a diretora.

Os educadores contemporâneos têm a concepção de que a educação não pode seguir regras rígidas. O mais importante é o aprender fazendo. A criança passou a ser respeitada, conforme as suas características, diante do diagnóstico dos vários tipos de inteligência, como a verbal e a corporal.

Há quase um ano, a Escola Municipal São Judas passou por reforma e ganhou uma biblioteca com acervo de mil e 300 livros, aberta a empréstimos para a comunidade. Os resultados são visíveis.

"Um dos pontos mais positivos da escola é o incentivo à leitura, pois minha filha leva livros emprestados, sabe contar a história. Sem falar que fazem teatros e atividades em grupo sobre assuntos que prendem a atenção deles. Posso dizer que acertei na escolha da escola e na confiança que depositei no respeito e profissionalismo de toda a equipe", diz dona Geórgia, mãe de Cléo Lurian, de 5 anos.

Entre outros projetos da escola, que tem 350 alunos em dois turnos, está o da saúde bucal. Os próprios funcionários agendam consultas para os alunos que precisam do tratamento.

Com a permissão dos pais, a maioria das crianças faz uma visita, uma vez por mês, à Igreja São Judas Tadeu, que fica um quarteirão abaixo da escola. "É um momento rico, em que elas fazem orações espontâneas", acrescenta a diretora.

 






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