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02/12/2008

JM Extra - A saga das famlias na educao

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Sonhos, ideais e muita batalha fizeram nascer casas do saber. Mais do que escolas, são projetos transformadores da realidade de muitos e orgulho para aqueles que ainda hoje, todos os dias, perpetuam os sonhos de seus antepassados

 

Família Palmério

O italiano Francisco Palmério chegou ao Brasil no final do século XIX. Morou em várias cidades mineiras, trabalhou como engenheiro, agrimensor, advogado e jornalista, até se aposentar como juiz de direito. Em 1914, o patriarca dos Palmério, para complementar a renda da família, trabalhou também como professor de Matemática em São Sebastião do Paraíso (MG), na escola em que estudavam seus filhos. Desde então, o talento para a educação ficou gravado no DNA, como conta o jornalista e historiador André Azevedo da Fonseca, que atualmente pesquisa no doutorado a experiência política de Mário Palmério.

 ário era um homem ímpar, foi capaz de perceber que o Triângulo Mineiro estava se desenvolvendo e que lhe poderia trazer oportunidades na área de educação. Em meados da década de 40, os dois colégios mais populares na cidade eram o Diocesano e o Nossa Senhora das Dores, mas havia mais, como o Colégio Oliveira, o Souza Novais, o Santa Terezinha, o Ginásio Brasil, a Escola de Comércio José Bonifácio, entre outros. Não parecia uma boa idéia montar mais uma escola, com tanta concorrência, mas Mário Palmério percebeu que poderia ter sucesso com cursos voltados para adultos que haviam deixado os estudos – os chamados cursos de madureza. Ele se uniu à experiência da irmã Lourencina e, juntos, criaram o Curso de Madureza Triângulo Mineiro.

Mas aquele inquieto filho de italiano queria mais. Anunciou um curso ginasial, um curso normal – para preparação de professores, e uma escola de comércio no Liceu do Triângulo Mineiro. Essa escola contava com cinco professores, já incluindo o próprio Mário. Antes mesmode ser autorizado pelo Departamento Nacional de Educação, ele anunciou a criação de um curso primário, outro preparatório para concurso do Banco do Brasil e de uma Faculdade de Comércio.

 Em 1947, o governo federal autorizou o funcionamento da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro. Era o primeiro passo para a transformação de Uberaba em cidade universitária. Palmério também contribuiu para a fundação e a instalação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Na década de 50, fundou as faculdades de Direito e de Engenharia. Ele tinha outras paixões. Por dois mandatos, foi deputado federal e ingressou também na vida literária. As 40 anos, publicou o seu primeiro livro. "Vila dos Confins nasceu relatório, cresceu crônica e acabou romance...", confessou o próprio autor. Mas o grande sonho ainda estava por realizar: fazer da cidade referência em Ensino Superior. Ele então construiu a Cidade Universitária, em terreno de área superior a 300 mil metros quadrados, as Faculdades Integradas de Uberaba (Fiube) e o Hospital Mário Palmério (atual Hospital Hélio Angotti).

Em 1962, foi nomeado pelo então presidente João Goulart para o cargo de Embaixador do Brasil junto ao governo do Paraguai, ficando esposa e filho à frente da Fiube. No retorno ao Brasil, Mário isolou-se em sua fazenda, no sudoeste do Mato Grosso, e escreveu seu segundo livro: Chapadão do Bugre. Durante vários anos, seguiu de barco pelo rio Amazonas e seus afluentes, levantando dados sobre a realidade física, social e cultural da região. No fim dos anos 80, voltou a morar em Uberaba e assumiu a presidência das Faculdades, ocasião em teve uma nova conquista: o reconhecimento da instituição como Universidade de Uberaba, pelo Ministério da Educação.

Em 1996, aos 80 anos, ele morreu. Em meio à tristeza da perda, o filho Marcelo assumiu a reitoria da Universidade. Em 1997, a instituição foi autorizada a ofertar os cursos da área da Saúde. Hoje, a terceira geração dos Palmério atua na Uniube. São os filhos de Marcelo: Eduardo, Ana Vera e Maria Cecília. A Universidade conta com aproximadamente 14 mil alunos da educação presencial. São 36 cursos de graduação, oito tecnológicos e 34 de pós-graduação, incluindo dois mestrados (Educação e Odontologia). Existe também o Programa de Educação a Distância, com cerca de 12.500 alunos matriculados. "Tive a sorte de nascer nesse ambiente educacional, ter um pai sensível, inteligente e responsável. Temos uma equipe de profissionais eficiente e é um orgulho ter entre essas pessoas meus filhos participando do crescimento da instituição, que nasceu a partir do sonho e do trabalho do meu pai", finaliza Marcelo Palmério.

"Os primeiros anos não foram nada fáceis. Mário Palmério chegou a anunciar aulas particulares de Matemática e a parceria com a irmã não durou muito tempo", conta André Azevedo. As escolas foram se firmando, até que, em 1943, ele conseguiu um grande financiamento da Caixa Econômica Federal – que muitos consideraram uma loucura – com vistas à construção de um conjunto de edifícios, para sediar o Colégio do Triângulo Mineiro e a Escola Técnica de Comércio do Triângulo Mineiro.

As faculdades e a vida política

Entre os filhos do italiano, a primeira que demonstrou talento para a gestão educacional foi Lourencina, nascida. Aos 19 anos, a jovem professora já era diretora de um curso de datilografia muito famoso em Uberaba. "Os alunos da Lourencina até hoje devem tremer de medo da sua disciplina", brinca o historiador, referindo-se ao rigor da professora. Mário Palmério nasceu em Monte Carmelo, mas já engatinhou em Uberaba. Ele estudou no Colégio Diocesano e, aos 19 anos, matriculou-se na Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Trabalhou na sucursal paulista do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, mas logo foi contratado para ministrar aulas de Matemática, no Colégio Pan Americano, e assumiu aulas também no Colégio Universitário da Escola Politécnica. Em 1939, matriculou-se no curso de Matemática da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e, neste mesmo ano, casou-se com Cecília Arantes, com quem teve os filhos Marcelo e Marília.

 

Família Bracarense

Foi aos 17 anos que Abigail Emília de Jesus Bracarense entrou para o mundo da educação e nunca mais saiu. Nascida em Lavras, Minas Gerais, hoje tem 62 anos, dos quais 45 foram de envolvimento com o universo escolar. Uma herança que recebeu do pai, José Vicente Bracarense, um militar, com princípios firmes, que construiu em Uberaba o Colégio Tiradentes. A mãe, Cinira de Jesus Bracarense, de personalidade alegre, sempre exerceu sua liderança na família, amparada pela firmeza e determinação do esposo.

Senhor José Vicente completou 85 anos. Nascido em São João Del Rei, estudou em Escola Militar e seguiu carreira no sul do estado. "Nos casamos em 1942 e ficamos juntos durante 38 anos. Foi uma união muito feliz", lembra o coronel. O presente desta união são os dez filhos, criados nos caminhos do saber, em meio ao amor e à disciplina; todos – quatro homens e seis mulheres – estão ou já estiveram envolvidos com a Educação. "Antigamente, toda família queria ter um filho professor. Nós admirávamos muito essa profissão. Ser educador era um orgulho. No meu caso, tive muita sorte; todos eles se envolveram de uma forma de outra", conta o pai, orgulhoso.

José Vicente viveu em Lavras até 1946, quando foi fazer um curso em Belo Horizonte e por lá ficou. Com tantas transferências, os filhos de militares acabavam prejudicados, uma vez que, ao acompanhar os pais, mudavam de escola a qualquer época do ano, com todas as conseqüências.

Para superar essa dificuldade, surgiu em Minas Gerais a rede dos Colégios Tiradentes, específica para atender os filhos dos militares. Aqui, o 4º Batalhão da Polícia Militar havia criado a escola, que funcionava apenas no período noturno, num espaço emprestado, onde hoje é a Escola Municipal Uberaba, na Praça Estevão Pucci.

Esse ar de improviso começou a mudar quando o coronel Bracarense veio para a cidade. "Fui transferido para cá em 1964. Na época, era tenente-coronel", lembra o coronel.

Para erguer o Colégio Tiradentes, o coronel não mediu esforços e mobilizou o contingente do Batalhão – que compreendia todo o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. "Verifiquei entre o pessoal do Batalhão e encontrei pedreiros, carpinteiros, pintores, marceneiros. Foi com essa mão-de-obra que construímos o ‘Tiradentes’. Todos eles trabalhavam felizes, pois estavam construindo uma escola para os filhos. Em Água Comprida, adquirimos uma olaria e os nossos soldados fizeram os tijolos. O único material que compramos pronto foram as telhas francesas. O restante foi obra das mãos dos nossos colegas", revela.

O dinheiro também saiu do bolso dos PMs. A contribuição de 2% do total do salário foi descontada durante um ano, podendo ser prorrogada por mais um ano. Até os professores que já lecionavam na escola contribuíram com esse valor. A ajuda foi totalmente voluntária. Documentos que o coronel Bracarense guarda até hoje mostram que houve quem optou por não contribuir.

Em 24 de novembro de 1967 foi inaugurada a sede do Colégio Tiradentes. "Dois comportamentos foram diferenciados nesta inauguração. Em primeiro lugar, a placa não tinha nome de autoridades, como é de costume, mas sim uma frase, agradecendo a todos que contribuíram para a construção. Essa mesma placa foi descerrada pelo soldado José Pinheiro, o mais antigo do Batalhão e de excepcional comportamento. Por meio dele, homenageamos os trabalhadores e verdadeiros financiadores do empreendimento", relata.

Hoje, o Colégio Tiradentes funciona nos períodos matutino e vespertino, tem cerca de 720 alunos e ainda é voltado apenas para os filhos dos militares, conforme Gleuce Aparecida, que é a vice-diretora da Escola e nora do senhor Bracarense.

Nesta escola, estudaram pelo menos cinco dos filhos do coronel. Alguns outros, já formados ou em formação, começaram a fazer suas carreiras também lá. "Eu brinco que, juntando eu e todos os meus filhos, podemos quase montar uma escola. Cada um tem uma formação que contribuiria muito para isso", diverte-se o idealista.

Abigail foi quem deu o pontapé inicial nessa história de irmãos educadores. Em 1965, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino (Fista) para cursar Pedagogia, ao mesmo tempo em que dava continuidade ao exercício do magistério na escola pública, que teve seu início ainda em Belo Horizonte. "Enquanto estava em BH, dei aula no então Grupo Escolar, hoje Escola Estadual Henrique Diniz; participei do movimento estudantil (UEC) e fui coordenadora do Departamento Feminino do Grêmio Lítero-Cultural Leonel Franca, além de atuar em atividades sociais na chamada Favela dos Marmiteiros".

Chegando a Uberaba, a primeira escola em que atuou foi na Estadual Professor Chaves, mas lecionou também no Colégio Nossa Senhora das Dores, no Tiradentes e, entre tantas experiências, foi diretora da Fista.

Paralelo ao trabalho, ela reservou tempo para construir sua família. Casou-se e teve dois filhos. "Meus lindos filhos, a Luciana, uma menina que hoje é arquiteta, com mestrado na área de Restauro de Edificações Antigas, pela UFRJ, e o Marco Túlio, que infelizmente faleceu aos 17 anos, deixando uma saudade infinda no meu coração".

Bem antes do filho, Abigail, seus irmãos e o senhor Bracarense perderam Dona Cinira. "Foi em 1981. Meu pai casou-se pela segunda vez e nos deu mais uma irmã. Fabiana é bacharel em Educação Física", conta a professora.

Aliás, Abigail faz questão de ser chamada de professora. "Até nas correspondências que recebo, prefiro ler professora do que dona ou senhora Abigail", brinca. O título é merecido: fez pós-graduação, participou de concursos públicos, implantou e dirigiu por 11 anos a Escola Polivalente, teve experiência no Ministério da Educação e Cultura (MEC), através do Programa de Reforma e Expansão do Ensino Médio da Educação Nacional (Premen); exerceu o magistério superior em Uberaba de 1970 a 1982; trabalhou na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde ingressou mediante concurso e atuou até se aposentar, na década de 90, entre tantos outros desafios.

A aposentadoria, portanto, não significou "parar", pois ela ainda exerceu o cargo de superintendente regional de Ensino e fez mais dois cursos presenciais de pós-graduação: Educação Brasileira e Educação e Desenvolvimento de Recursos Humanos, ambos no Rio de Janeiro.

A trilha da primogênita foi seguida pela maioria dos irmãos. Águeda Maria é professora de Ciências e Biologia, com Mestrado na área de Educação e Valores Humanos. Já trabalhou na Fista, Uniube, Unipac e, de modo especial, no Colégio Tiradentes de Uberaba, onde lecionou e se aposentou como diretora.

Outras três Marias também fizeram dos alunos suas estrelas. Maria de Fátima licenciou-se em Ciências e Matemática e desempenhou ainda a função de coordenadora de Educação e Cultura, na Superintendência Regional de Ensino. Após se aposentar, trabalhou anos como voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Maria Cristina também contribuiu com o Colégio Tiradentes e foi vice-diretora da Faculdade de Educação de Uberaba (FEU). Maria José graduou-se em Administração e licenciou-se em Francês. Lecionou em várias escolas e hoje trabalha no Centro Interescolar Estadual de Línguas (Ciel).

Outra irmã, Ângela Regina, é professora de Português/Francês, em Brasília.

Os homens também fizeram sucesso nessa seara. José Vicente Bracarense Filho é engenheiro civil, licenciado em Matemática e ministrou aulas no Tiradentes. O caçula, Paulo de Tarso, técnico em Segurança do Trabalho e graduado em Administração Pública, com pós-graduação em Recursos Humanos, já exerceu o magistério nessa área e, atualmente, faz Curso de Pós-Graduação em Educação a Distância.

Com tantos estímulos, o senhor Bracarense foi contagiado. Quando deixou de atuar na Polícia, decidiu cursar Pedagogia. "Não queria estudar em detrimento dos meus filhos, mas quando vi todos eles já formados ou encaminhados para tal, resolvi estudar. E nada melhor do que ter como professora a própria filha; Abigail me deu aula durante um período do curso. Depois de formado, lecionei no Colégio Doutor José Ferreira", conta o coronel-professor Bracarense.

Essa coragem de inovar sempre é coisa dos Bracarense. A professora Abigail juntou a experiência na área e resolveu criar uma empresa de consultoria em educação, com o objetivo de ensinar a ensinar. Em 2000, surgia em Uberaba a primeira consultoria no segmento. "As últimas turmas que se formaram pela Consultoria Técnica em Educação e Cultura (CTEC) estão recebendo os diplomas este ano. Agora, estamos voltados apenas para a Consultoria. Por tudo isso é que sinto o justo orgulho de dizer que ‘pisei’ a história da educação em Uberaba".

Orgulho sem fim. Imagine interferir na formação de milhares de cidadãos, erguer mais do que paredes, dar vida a sonhos de uma comunidade, projetar profissionais, criar e recriar... A arte da família Bracarense é tão simples quanto transformadora: disponibilizar o saber a serviço do outro.

 

Família Saad

Em 1952, chegava a Uberaba um forasteiro, com o coração cheio de vontade de ser bacharel em Direito. Foi na Praça Rui Barbosa que Alexandre Amim Saad teve a certeza de estar na cidade certa. "Sou do Mato Grosso. Fui para Lins, em São Paulo, em busca de estudos e acabei vindo parar em Uberaba, para fazer a faculdade de Direito. Quando desci do ônibus e fiquei de frente para a Catedral, vi o Cristo abrindo os braços. Com essa acolhida tão significativa, decidi que era o lugar certo para eu ficar, tanto que estou aqui até hoje", conta.

Ele integrou a primeira turma de formandos da Faculdade de Direito de Uberaba (1956) e logo começou a ministrar aulas no Colégio Triângulo Mineiro, onde conheceu Odilmaris Guido Fernandes Saad, futuramente sua esposa e companheira. Era professor dela, mas só depois da saída da moça do Colégio é que a paixão foi revelada. O namoro e o noivado foram permeados pelo sonho de Alexandre de montar uma escola.

Na era de Juscelino Kubitschek, o jovem casal, encantado pela educação, batalhava para concretizar a idéia. "Nessa época, o governo era totalmente a favor do professorado. Estávamos em 1958. O Alexandre, também vereador na época, correu atrás de incentivos e conseguiu junto ao Ministério da Educação o aumento de salário para alguns professores. Isso favoreceu a classe e auxiliou na idéia da fundação da Escola", explica Odilmaris.

No ritmo do desenvolvimento, um grupo sólido surgia. Além de Alexandre e Odilmaris, o sogro dele, Odilon Fernandes, mais Renato Santos e Dalva Guido se uniam por um ideal: o Colégio Osvaldo Cruz (COC).

Foi um desafio. Em meio aos preparativos do casamento, que aconteceu em 1959, o casalzinho e seus apoiadores conseguiram alugar, no período noturno, salas do Grupo Minas Gerais. As primeiras turmas de Ginásio e de Ensino Médio começavam a vingar. "As primeiras aulas foram preparadas por pessoas da nossa família — eu, já esposa, irmãos, cunhados —, todas capacitadas e muito interessadas na fundação deste Colégio", lembra a professora.

Ela tinha experiência e já dava aulas nas Faculdades Integradas São Tomás de Aquino (Fista), ocupando as cadeiras de Pedagogia e Letras. O marido, Alexandre, além das aulas e do mandato na Câmara, exercia a profissão de advogado na área Civil e, ainda assim, lhe sobrava tempo. Foi fundador do Rotary Club Uberaba Sul, diretor do Clube Sírio Libanês e integrava o setor jurídico do Instituto de Cegos. A trajetória de tanto investimento valeu a pena.

Em 1960, conseguiram comprar um terreno da família Antônio Bento Brandão. Uma das entradas era pela Rua Afonso Rato e a outra ficava em frente do córrego — hoje Leopoldino de Oliveira. "Plantamos todas as árvores que existem hoje no Colégio. Tivemos que tirar as que eram frutíferas e plantar outras no lugar. O primeiro plano era fazer um prédio com vários pavimentos, mas acabamos criando um jardim dentro de uma escola, com o objetivo didático-pedagógico de descontrair alunos e professores. Ao sair da sala, todos se deparam com o verde. Deu certo", explica a senhora Saad.

Mas levou tempo para que fosse totalmente construída. A escola chegou a funcionar em salas emprestadas da Escola Jaques Gonçalves, do Estado. Os primeiros cursos oferecidos foram Magistério, Contabilidade e Administração de Empresas. "Algumas mudanças nas diretrizes da Educação fizeram com que o Ensino Profissionalizante passasse a ser intermediário. As mudanças ocorreram e o colégio foi se adaptando", conta a diretora.

E mais mudanças vieram para a família. Em 1961, nascia o primogênito, Alexandre Augusto Fernandes Saad. Na época, a casa deles ficava no mesmo terreno da escola, onde atualmente funciona a secretaria. "Mesmo grávida, trabalhei o tempo todo. No dia do nascimento do meu primeiro filho, eu estava em um exame de Admissão no Colégio Minas Gerais, o dia todo. Às 17h, o Alexandre nasceu. Ele cresceu literalmente dentro do colégio".

Vieram mais dois filhos, Luiz Carlos Fernandes Saad e Eduardo Fernandes Saad. Todos eles estudaram no colégio, sempre acompanhando o seu desenvolvimento, e, desde muito jovens, em torno dos 14 anos, começaram a trabalhar como auxiliares de portaria, de disciplina e em outras funções básicas.

A família unida moldava um ensino de qualidade. O colégio, embora privado, sempre facilitou a entrada de alunos que não tinham condições financeiras de pagar o valor total da mensalidade. "Aconteceu de darmos até mesmo bolsa integral e essa verba sempre saiu do nosso próprio bolso. O melhor era ver estes alunos saindo daqui formados e, mais tarde, com carreiras de sucesso", orgulha-se a matriarca.

Sucesso este que os filhos também alcançaram e enchem de orgulho os pais. Alexandre, o mais velho, conhecido como Guti, é cirurgião-dentista, envolvido com a cultura e, claro, com a educação. Durante alguns anos, foi diretor pedagógico do colégio. Agora, integra a mantenedora (Sociedade Educacional Osvaldo Cruz) e auxilia na área administrativa do COC. "Costumo dizer o seguinte em relação à família Saad: é a história de um forasteiro que se apaixonou pela princesa do sertão e, depois de alguns anos juntos, nasceu o primeiro filho, o Colégio Osvaldo Cruz. Em seguida, eu nasci; sou o segundo filho deles, que nasceu de um amor permeado pela educação", salienta Guti.

A realidade dos outros irmãos não é diferente. Luiz Carlos é engenheiro civil, diretor financeiro e administrativo do colégio e ocupa a sala que revela a história do colégio. As paredes em pedra estão à mostra justamente com o objetivo de relembrar o começo de tudo. "Sempre brinco que meu pai é doido, porque um homem que sai lá do Mato Grosso, vem parar em Uberaba para estudar e acaba construindo um Colégio precisa ter muita garra. E ainda encontra uma companheira como a dona Odilmaris... Aí, pronto! Um par perfeito para contribuir para a história da educação da cidade", brinca.

A "raspa do tacho", Eduardo, é engenheiro e analista de sistemas. Atua como diretor administrativo e responde por toda a parte de informática do COC. "Eu sempre digo que a saliva do professor é importante ferramenta, ou seja, um computador, por exemplo, não pode dar aula. É um instrumento tecnológico que facilita a aprendizagem, mas a figura do professor é essencial. Hoje em dia, as crianças já vêm para a escola conhecendo as tecnologias. A nossa função é corrigir e direcionar essa utilização", explica Eduardo.

Nessa onda de tecnologia, há 12 anos o Colégio Osvaldo Cruz firmou parceria com o Sistema COC de Ensino, de Ribeirão Preto. "Somos pioneiros na Educação a Distância para o Ensino Médio, com cursos preparatórios e complementares. Uma nova idéia é criar cursos de pós-graduação pelo COC em parceria com o Instituto Getúlio Vargas, mas por enquanto são só planos", comenta Luiz Carlos.

Hoje, o Colégio tem cerca de mil alunos, divididos em duas unidades: a da Leopoldino de Oliveira, onde se concentram os cursos de Educação Infantil, do Ensino Fundamental 1ª fase (1ª a 4ª séries regulares) e do Ensino Fundamental 2ª fase (5ª a 8ª séries regulares), e a da Avenida Santa Beatriz, onde são ministradas as aulas do Ensino Médio Geral e cursinhos preparatórios para o vestibular.

Nessas sedes é possível encontrar as noras do senhor Alexandre e da dona Odilmaris. Simone Carvalho Guimarães Saad, esposa do Guti, é coordenadora do Ensino Fundamental; Heloísa Guimarães Saad, esposa do Luiz Carlos, é coordenadora da Educação Infantil, e a esposa do Eduardo, Luciana Castejon Saad, é ex-secretária da mantenedora e dona da cantina da Escola. Ou seja, elas fazem parte da Família COC.

"Eu posso dizer, com orgulho, que a minha família é o Colégio Osvaldo Cruz. Primeiro, porque ela é formada basicamente pelas pessoas que mais amo; depois, porque é fruto de uma idéia que um namorado meu teve um dia e, graças a ela, hoje temos 50 anos de COC, de vitórias e de uma história bem feita pela e para a educação. Sou muito feliz por isso", comenta a dedicada diretora do colégio.

 






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