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Dom Paulo Mendes Peixoto - 15/02/2014

Amor e fidelidade

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No meu fraco entender, as duas palavras perderam muito naquilo que as identificam. Que tipo de amor e de fidelidade é projetado hoje? Sabemos que, sendo bem assumidos, constituem toda a justiça e a harmonia da sociedade. Palavras que são fonte de paz, serenidade, segurança, respeito e valor pela pessoa do próximo. São dons que devem ser conquistados.

A fidelidade sendo exercitada confirma o verdadeiro amor. Não é um fato apenas de ação externa, superficial, mas de compromisso que vem de dentro da pessoa, que envolve a razão e o coração. Isto é impossível para quem tem uma mente poluída de maldades, de consumismo e de descompromisso para com as realidades de seu cotidiano.

O crescimento da violência, que acontece como efeito cascata, porque já diz o ditado popular, “violência gera violência”, significa incapacidade, na qual a sociedade está vivendo, para se deixar penetrar pela sabedoria do Evangelho, que é “misteriosa e oculta” (I Cor 2,7). Com isto, perdemos o sentido sagrado da pessoa humana e passamos a nos agredir uns aos outros, sem temor.

Quem não participa da justiça como proposta de vida comunitária tem dificuldade para ajudar na construção do bem. Aliás, não basta “não matar”, mas também superar as atitudes de desamor, de vingança, de ressentimento, de ódio etc. Amor e fidelidade conjugam-se com a palavra “perdão”, ou capacidade de despir-se da arrogância e da maldade do coração.

Na cultura do medo, perdemos muito na qualidade de nossa vida humana. Estando o amor e a fidelidade “no fundo do poço”, questionamos o tipo de felicidade que as pessoas conseguem viver. Não estamos fazendo as escolhas certas, mesmo sendo dado ao ser humano o dom do livre arbítrio e a capacidade de escolha. A liberdade tem se transformado em libertinagem.

É importante cultivar a sabedoria que vem de Deus. Ela supõe despojamento, amor ao extremo e foge da lógica propagada pelo mundo. Sabedoria que constrói liberdade e não é escravizadora. Somente no exercício da liberdade autêntica o ser humano poderá ser realmente feliz.

(*) Arcebispo de Uberaba




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