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A ganância

Uma realidade identificada como injusta e iníqua

- Por Dom Paulo Mendes Peixoto Última atualização: 28/09/2013 - 20:16:50.

Uma realidade identificada como injusta e iníqua só se transforma quando se converte em atos de solidariedade e justiça social. Isto significa que a ganância não deve ter espaço, nem entre os ricos, e nem entre os pobres. Ela revela uma prática que dificulta a partilha, a fraternidade e impede a pessoa de perceber o mal que poderá estar fazendo e não facilita a existência do bem comum.

Muitas pessoas ricas esbanjam e aproveitam a vida sem se importar com a ruína do povo. Por outro lado, poderiam fazer muito bem se se colocassem um pouco de seus dotes econômicos para amenizar o sofrimento de inúmeras famílias necessitadas e vivendo em condições totalmente desumanas. Deixar-se levar pela sociedade de consumo é cair na atitude de comprar o que é desnecessário.

Enquanto uns estão sempre distribuindo alimentos, outros tiram o pão da boca do povo. É preciso aprender o que é a justiça e o direito. O luxo e a luxúria podem ser entendidos como sintoma de irresponsabilidade, que é uma realidade própria da classe dominante e inescrupulosa. São práticas que estão na mira das profundas críticas dos profetas, como as do profeta Amós (Am 6, 1-7).

O evangelista Lucas cita o caso de um rico, sem nome, e um pobre chamado Lázaro. O rico faz inúmeras festas para amigos. Lázaro é um maltrapilho e pedinte, querendo matar sua fome com as migalhas da mesa do rico, mas a insensibilidade do rico dificulta que isto aconteça e demonstra pobreza interior, que podemos interpretar com a seguinte frase: “O rico era tão pobre que só tinha dinheiro”.

Na cultura brasileira, muita coisa sobra e é descartada de forma quase sempre errada. Faltamos até com a educação, jogando lixo para todo lado. Além de desperdiçar, não contribuímos com a limpeza, com a higiene e, em determinadas situações, ajudamos a criar doenças. Aqui podemos citar o caso do mosquito da dengue, fruto da nossa falta de atenção e de cooperação com a realidade pública, prejudicando todo mundo.

 

(*) Arcebispo de Uberaba

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