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Dom Paulo Mendes Peixoto - 18/05/2013

Misso continuada

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Na história da humanidade encontramos duas situações extremamente opostas, mas ricas em significado dentro do contexto do cristianismo. De um lado, a Torre de Babel (Gn 11, 4), mostrando as consequências negativas para uma sociedade desorganizada. De outro, Pentecostes, lido como vinda do Espírito, capaz de convergir os atos da sociedade para a unidade.

Pentecostes marca o nascimento da Igreja, com a missão de construir a paz. É uma prática que só terá frutos quando os diferentes forem capazes de dialogar e de agregar dons, ministérios e serviços, formando um só corpo com objetivos comuns. Nessa trajetória podemos sentir que Cristo continua sua ação salvadora.

A missão continuada tem exigências pertinentes para os dias de hoje. Não é fácil ser discípulo missionário, dando destaque concreto à missão de Jesus Cristo. Temos muitas ferramentas para isto, mas precisam ser motivadas, saindo do conservadorismo, sendo capazes de criar experiências novas, não ficando apenas no verniz.

Necessitamos de novo Pentecostes. Ele já acontece no mundo tecnológico e carece de real visibilidade nos âmbitos social e religioso. É hora de acolher com carinho as iniciativas fortes na busca de libertação. São, sim, um “pingo d’água” no oceano do capitalismo, mas não deixam de provocar sensibilidade e descontentamento ético.

Preparamo-nos para a 5ª Semana Social Brasileira. Será em Brasília, no segundo semestre deste ano, com o tema: “O Estado que temos, para que e para quem”. Por isto estamos articulando as Pastorais Sociais, porque elas podem ser meios de transformação da sociedade. Temos instrumentos de ação, mas ainda pouco motivados para agir. O Estado pode ser diferente e de acesso para todo cidadão.

Sentimos um novo sopro do Espírito, um novo Pentecostes já está acontecendo. É oportunidade de aproximação dos extremos que dificultam a unidade. Isto se dá no âmbito econômico, social, político e até religioso. As consequências são danosas para a maioria da população, porque cria exclusão nos diversos níveis. Nos altos e baixos da história, os rumos devem ser marcados por uma busca de maior unidade.

 

(*) Arcebispo de Uberaba




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