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A lição do palhaço Tiririca

Quando Tiririca foi eleito, em 2010, com a maior votação do país, jamais aqueles que tomaram...

- Por Aristóteles Atheniense Última atualização: 08/02/2013 - 09:02:27.

Quando Tiririca foi eleito, em 2010, com a maior votação do país, jamais aqueles que tomaram conhecimento da notícia poderiam imaginar que, passados menos de três anos de seu mandato, o artista manifestasse sua desilusão com o que ficou conhecendo – e aprendendo – no Congresso Nacional.
Recentemente, o ex-jogador Romário, cujo ingresso no Parlamento fora recebido com reserva, externou o seu desalento com o comportamento de seus pares e a impossibilidade em realizar, em favor do povo, o que seria realmente de interesse da comunidade.
Agora, com o pronunciamento de Tiririca, chega-se à conclusão de que artista e atleta têm mais sensibilidade no desempenho da atividade pública do que aqueles que compartilham a longo tempo das benesses da Câmara dos Deputados, inclusive empregando seus vassalos e parentes, atraídos por um rendimento a que não fazem jus.
Os subsídios mensais de Tiririca de R$ 26,7 mil, a verba de gabinete de R$ 97,200 mil, o direito a apresentação de emendas no montante de R$ 15 milhões, não constituem atrativo bastante para o comediante, se comparados àqueles valores às atividades circenses que desempenha.
Segundo a sua avaliação, na condição de pai de seis filhos, permanecendo quase toda semana em Brasília, vem sentindo os efeitos negativos do afastamento da família, que lhe cobra uma presença mais efetiva no lar a que sempre se dedicou.
Tais considerações devem ser levadas em conta, na atualidade, diante dos interesses mesquinhos de alguns parlamentares, que não justificam aquilo que recebem. A maioria está sempre à procura de vantagens de toda a sorte, como se o mandato fosse um meio de vida, e não o desempenho de uma missão significativa, que deveria corresponder aos votos que receberam.
De acordo com o artista, a sua volta ao picadeiro, onde será apenas palhaço, proporciona-lhe maior conforto íntimo do que a sua participação no que tem assistido na Câmara: “Aqui é uma escola. Se aprende tanto ir para o caminho legal quanto ir para o outro...”.
Sem completar o raciocínio, para não se incompatibilizar com os colegas, Tiririca deixou subentendido que o “outro caminho” é aquele de que a mídia se ocupa frequentemente, envolvendo fatos comprometedores, que não são punidos devido ao espírito de corporação que sempre medrou no Legislativo.
Seria conveniente que, antes de encerrar o seu mandato, Tiririca fizesse um pronunciamento na tribuna da Câmara dos Deputados, fornecendo os motivos que o levaram a não pleitear uma reeleição.
Talvez, se dissesse tudo aquilo que pensa e que concorreu para a sua decepção, pudesse despertar nos seus pares a responsabilidade que lhes falta, optando por um desempenho digno, renunciando aos métodos condenáveis adotados sem o menor pudor e que concorreram para a obtenção de uma cadeira no Congresso.
Por tudo isso, chega-se à conclusão de que o deputado paulista sente-se mais confortado em retomar a atuação que lhe deu notoriedade do que se omitir, mesmo a contragosto, diante do quadro vergonhoso que veio a conhecer no Legislativo, onde esperava ser útil.

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