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Aristteles Atheniense - 13/01/2013

A estupidez humana

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A morte da estudante de fisioterapia, de 23 anos, de identidade desconhecida, vítima de estupro cometido por seis homens num ônibus de Nova Délhi, faz reviver a reflexão de Ernest Renan: “A estupidez humana é a única coisa que dá uma ideia do infinito”.

Os estupros coletivos tornaram-se banais na índia, pois não geram punições severas e as mulheres já não acreditam na repressão do Judiciário, nem na atuação da polícia, que se mostra conivente com esta selvageria.

Nova Délhi, a capital política do país, tornou-se conhecida, na atualidade, também como a capital dos estupros, cometidos a cada dezoito horas, onde a violência sexual aumentou em 17% nos quatro últimos anos, tendo agora atingido o seu ápice.

A população defende a imposição imediata da pena letal. Assim que houve a cremação da estudante, a turba enfurecida passou a sustentar o advento de uma lei que imponha aos violentadores pena de prisão por trinta anos, além de castração química.

Na primeira audiência realizada, com exame de um relatório policial de mil páginas, nenhum dos 2.500 advogados registrados perante o tribunal prontificou-se a defender os acusados, tal a repulsa manifestada pelo ato imoral dos infratores.

Segundo declarou Sanjay Kumar, um dos dirigentes da Ordem dos Advogados do distrito de Saket, os defensores credenciados juntos à Corte decidiram “permanecer à margem”, para garantir uma “justiça rápida”, o que importará na defesa dos suspeitos pelos advogados de ofício.

Projeto prevendo punição severa será encaminhado ao Congresso nos próximos dias, embora não esteja afastada a possibilidade dos criminosos serem levados à forca, tal a indignação que lastrou no país pelo assassínio da jovem, que passou a ser denominada de “filha da Índia”.

O seu infortúnio levou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a proclamar a todos os continentes: “A violência contra as mulheres nunca deve ser aceita, nunca deve ser desculpada, nunca deve ser tolerada”.

A sua advertência rima com o que já dissera o Nobel Albert Einstein, pai da teoria da relatividade: “O mundo não está ameaçado por pessoas más, e sim por aqueles que permitem a maldade”.

 

(*) Advogado e conselheiro nato da OAB
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