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Aristteles Atheniense - 14/12/2012

As apreenses da Venezuela

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Decorridos somente dois meses da consagradora votação recebida, o presidente Hugo Chávez surpreendeu o mundo com a notícia de que poderia afastar-se do poder, em consequência da evolução da doença de que foi acometido.

A possibilidade de deixar a Presidência da Venezuela não constitui mera especulação da mídia, mas um fato prestes a ocorrer, já havendo designado o chanceler Nicolás Maduro para ocupar o seu cargo, até que ocorram novas eleições em que o ora indicado seria o candidato do governo.

Nicolás Maduro, pessoa de origem humilde, que foi motorista de ônibus, é a figura ideal para dar prosseguimento à política de Chávez, estando no exercício da chancelaria há mais de seis anos. Sempre foi um crítico dos Estados Unidos e fiel seguidor das regras despóticas de seu líder.

No processo de alijamento do Paraguai do Mercosul, Maduro teve desempenho significativo, chegando a estimular uma comoção intestina em prol da permanência de Fernando Lugo.

O afastamento de Chávez talvez desperte na oposição interesse em disputar a governança do país, com o reagrupamento das forças contrárias ao atual mandatário.

Se o presidente eleito não for empossado até 10 de janeiro, deverão ser realizadas novas eleições dentro de 30 dias. Por igual, se o novo presidente, após ser empossado, vier a falecer, nos quatro primeiros anos de sua investidura deverão ser convocadas eleições e o vice-presidente responderá pelo governo, enquanto não for realizado novo pleito.

O comunicado de Chávez coincide com as eleições regionais previstas para a segunda quinzena de dezembro, que constitui fator importante para que o governo consiga retirar da oposição as poucas províncias que conserva, como Miranda (Norte) e Zulia (Noroeste).

Embora Chávez haja obtido a aprovação unânime da Assembleia Nacional para prosseguir seu tratamento em Havana, não chegou a transferir poderes a Maduro, pois continuará emitindo suas ordens de Cuba, tendo no militar reformado Diosdado Cabello o executor das determinações partidas da ilha.

Pairam, ainda, incertezas quanto ao que ocorrerá nos quartéis, devido à possibilidade de eventual dissenso entre as três armas, inobstante o comunicado do almirante Diego Molero Bellavia de absoluta fidelidade à pessoa de Chávez e à revolução bolivariana.

Diante desse quadro, começaram a surgir diversas especulações dentro das próprias hostes chavistas, que serão acompanhadas não só pelos Estados Unidos, como pelos demais países do Continente americano.

Vale salientar que na recente reunião havida em Brasília, com a participação de governantes identificados com Hugo Chávez, a Venezuela não se fez presente, sem que nas manifestações havidas o país caribenho não tivesse o seu futuro questionado.

Resta, pois, aguardar a evolução dos fatos.

 

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
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