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A política bolivariana

A terceira reeleição de Hugo Chávez

Por Aristóteles Atheniense. Última atualização: 09/11/2012 - 20:55:22.

A terceira reeleição de Hugo Chávez, que lhe assegurará a permanência de vinte anos no poder, contou com a participação de 80,94% do eleitorado, que foi o mais elevado índice da história da Venezuela.

Durante toda a campanha, Chávez procurou desmerecer o seu opositor, Henrique Capriles, que, embora contando com expressivo apoio da classe média, não logrou o resultado esperado. A diferença entre os candidatos foi de 54,42% contra 44,97%, conforme boletim do Conselho Nacional Eleitoral, o que importou numa vantagem de 1,3 milhão de votos.

Os problemas que afligem a sociedade venezuelana, nos últimos quatorze anos do governo socialista, ainda subsistem, sem perspectivas animadoras de solução. Segundo cientistas políticos, a maior deficiência da Venezuela é a insegurança. Cifras oficiais registraram uma taxa de cinquenta homicídios em cada 100 mil habitantes.

Conforme dados do Observatório Metropolitano de Segurança Cidadã de Caracas, só no corrente ano ocorreram 19 mil homicídios, o que elevaria a taxa anterior para 67 óbitos em cada 100 mil habitantes.

Com isto, a Venezuela tornou-se um dos países mais violentos do mundo. Chama a atenção o fato de não haver um conflito armado nem uma guerra contra o narcotráfico, como acontece na Colômbia.

Segundo a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), paradoxalmente, a pobreza passou de 49,4% em 1999 a 27,8% em 2010. o analfabetismo caiu de 9,1% em 1999 e 14,9% em 2011. Já o número de armas aumentou assustadoramente, concorrendo, assim, para o aumento da insegurança.

Vale, ainda, acrescentar que 90% dos crimes cometidos subsistem impunes, em razão de um sistema judicial reconhecidamente débil, atrelado aos desmandos do Executivo. Não menos preocupante é a falta de expectativa dos jovens, em uma sociedade assistencialista que não promove o desenvolvimento produtivo.

Ainda que a oposição tenha se tornado mais forte no último pleito, não há sinais de reconciliação com o governo. Este continua fazendo valer a sua empáfia, não cogitando de uma aproximação com os adversários destinada a realização de uma política construtiva.

Diante desse quadro, a CEPAL prevê uma desaceleração em 2013 do crescimento venezuelano, com a redução de 5% a 3% em sua taxa de crescimento. O país tem a inflação mais alta da América Latina, promovendo expropriações e atos de hostilidade contra investidores, sem que o Judiciário consiga coibir as temerárias iniciativas do Executivo.

Em setembro do corrente ano, ocorreram 550 apagões, batendo o número anterior, que foi de 503 interrupções de energia. Ainda que Chávez afirme que 96% dos venezuelanos contam com serviço de água potável, este informe foi contestado por Henrique Capriles, ao afirmar que quatro milhões de cidadãos não tem acesso ao precioso líquido.

Em seus últimos pronunciamentos, o caudilho reconheceu que seu governo não fora eficiente “con algunas cosas”; mas, no seu entendimento, mais importante que o bem-estar do povo é a revolução bolivariana.

 

(*) Advogado e conselheiro nato da OAB
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
Blog
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Twitter: @aatheniense

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