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Aristteles Atheniense - 07/08/2012

O custo e os efeitos de uma olimpada

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Se uma olimpíada repercute externamente, fazendo com que a cidade onde se realiza adquira grande prestígio internacional, o mesmo não acontece em relação à opinião pública, considerando as suas consequências.

O primeiro-ministro David Cameron espera que os atuais Jogos Olímpicos contribuam para revitalizar a economia do país, gerando um novo clima de confiança no futuro.

A experiência ora vivida pelo Reino Unido deve servir de advertência ao Brasil. A visita da presidente Dilma Rousseff não deve ter efeitos meramente protocolares.

O desgaste que vem sofrendo o governo britânico já é alvo de preocupações, inobstante a grandeza da cerimônia inaugural acompanhada por milhões de cidadãos em todo o mundo, além das disputas que findarão em 12 de agosto, quando Londres transferirá a tocha olímpica ao Rio de Janeiro.

Em 2005, ficou assentado que o orçamento proposto para as atuais olimpíadas foi de US$ 5,1 bilhões. Decorridos dois anos, esse valor foi elevado a US$ 14,4 bilhões. Já no mês passado, Cameron anunciou que conseguira gerar redução no custo da ordem de US$ 800 milhões em relação ao “quantum” primitivo anunciado.

Este êxito era apenas aparente se considerado o fato de que a poupança obtida ainda superava em 180% a projeção inicial feita em 2005.

Assim, a organização desse grande evento esportivo custou quatro vezes mais do que fora proposto inicialmente, devendo os cidadãos britânicos suportar este aumento, premidos pela elevação de impostos, assim que finde o acontecimento.

Por maior que fosse o deslumbramento proporcionado a todo mundo, foi negativa a informação divulgada às vésperas da inauguração de que a economia local encolhera 0,7% no último semestre. Segundo analistas credenciados, a nação atravessa a sua maior recessão desde os tempos dos Jogos da Austeridade, como foram denominadas as olimpíadas de 1948, época em que os londrinos ainda sofriam as agruras decorrentes da Segunda Guerra Mundial.

Apesar das críticas recebidas por parte da mídia e da oposição, Cameron teve a lealdade de reconhecer que “o país tem de enfrentar verdades e tomar decisões difíceis”. E entre essas está prevista a elevação dos tributos.

Diante de tanto esforço havido na organização e nas alterações introduzidas na vida diária dos habitantes de Londres, questiona-se se houve conveniência na realização dos Jogos Olímpicos. E se resultou algum proveito concreto.

O orgulho em haver acolhido pela terceira vez a família olímpica e o fato de sua capital ter se tornado o centro do mundo talvez não sejam suficientes para justificar os gastos realizados, diante de sua repercussão no cotidiano.

Some-se a isso o caos que vivem os londrinos em consequência das restrições do tráfego, da afluência de turistas, além de excepcionais medidas de segurança implantadas.

As autoridades mostram-se preocupadas com essas providências extremas, consideradas as maiores em tempo de paz na história de Londres – segundo o próprio Cameron –, sobretudo depois do fiasco sofrido em relação à companhia privada contratada para gerir essas modificações, que importou na mobilização de milhares de soldados.

 

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
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