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Sylvio Marcário Pereira Alves - 03/08/2012

A morte de um aposentado

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Por todos os anos de uma vida, o Sr. Sylvio Macário Pereira Alves trabalhou para o sustento de sua família. Começou com quatorze anos e se aposentou aos cinquenta anos de idade na antiga e já extinta fábrica de cimento Ponte Alta, onde trabalhou por mais cinco anos, através de um acerto salarial complementar.

Casou-se com a Sra. Enoe de Oliveira, a primeira professora do Distrito Rural de Ponte Alta, e teve com ela sete filhos: Maria Terezinha, Maria Inês, Paulo Marcos, Maria Dorotéa, Francisco de Oliveira, Sylvio Macário Júnior e Moysés de Oliveira.

Após se aposentar definitivamente, e depois de ter criado seus filhos e vê-los casados, gerando-lhe dezesseis netos e nove bisnetos, separou-se de sua primeira esposa, uma mulher forte e determinada. Apesar de tudo, juntos conseguiram dar uma boa educação aos seus filhos.

Passados quatro anos conheceu a Sra. Sônia Beatriz Massa e casou-se novamente, permanecendo com ela mais vinte e dois anos, até os últimos segundos de sua vida, com muita dedicação.

Por vários anos, o Sr. Sylvio Macário Pereira Alves foi escritor, poeta e contador de histórias e articulista, tendo escrito diversas matérias para revistas e jornais. Muitas delas com o enfoque ao seu maior sofrimento: o abandono do APOSENTADO.

Inconformado com sua situação de ter pagado a contribuição da seguridade social referente a dez salários mínimos durante toda sua carreira de trabalho como Contabilista, e nos últimos vinte e quatro anos de sua aposentadoria ter recebido apenas um salário e meio por mês, incluídos os infinitos descontos e empréstimos consignados.

Quantos processos judiciais de acerto de aposentadoria, solicitações de correções de cálculos salariais e cartas com apelos a vereadores municipais, deputados estaduais e senadores do nosso congresso nacional. Foram inúmeras as tentativas de se fazer justiça a uma classe trabalhadora totalmente esquecida e colocada à margem da sociedade.

Com muito pesar e sofrimento, informo que este aposentado Sr. Sylvio Macário Pereira Alves, aos seus setenta e nove anos bem vividos, faleceu ao lado de seus filhos e parentes, em 31 de julho de 2012, na cidade de Uberaba-MG. Tendo sido sepultado nesta última quarta-feira, na Quadra O, túmulo 192 do Cemitério São João Batista, ao lado de seus pais, Francisco Pereira Alves e Maria Santa P. Alves.

Às vésperas eleitorais e diante de tantas promessas aos cidadãos brasileiros, morre mais um APOSENTADO. E este fato isolado não muda nada para ninguém e muito menos para uma nação. Entretanto, quantos APOSENTADOS morrem diariamente, entubados nos precários hospitais públicos? Quantos velhinhos morrem antes mesmos de ser atendidos? Quantos APOSENTADOS dependem de seus familiares para pagar seus remédios e tratamentos caros? Quantos velhinhos foram esquecidos em algum asilo? Existe alguma esperança de serem reconhecidos como seres humanos que lutaram a vida inteira por um mínimo de dignidade e respeito?

Há alguns meses, o aposentado Sr. Sylvio Macário Pereira Alves ainda tentou pegar sua antiga e companheira máquina de escrever, marca Olivetti, e escrever uma última matéria relatando sua situação. Porém, suas mãos trêmulas e seus dedos calejados já não obedeciam mais. Sua mente ainda trazia as palavras certas e bem formuladas, expressando as verdades que queria contar. Contudo, seu corpo físico, sofrido e abatido, já reclamava para um sono mais profundo. Não conseguia mais escrever e a cada dia foi aumentando as dificuldades de também falar, andar e, por último, respirar.

Quando o visitei no seu leito de morte, na fria UTI de um hospital, percebi uma lágrima escorrendo em seu rosto velho e enrugado. Seu olhar triste e longínquo somente queria me dizer uma coisa: “Meu filho, eu confio em você”.

Estas palavras foram as últimas que consegui ouvir e entender de meu querido PAI, o SR. APOSENTADO SYLVIO MACÁRIO PEREIRA ALVES, do qual me orgulho muito de ter herdado seu ilustre nome.

Portanto, traduzo neste texto a última matéria de um homem trabalhador, honesto, pai de família, que tinha todos os defeitos e qualidades como qualquer pessoa. Todavia foi um incansável guerreiro na luta pelos direitos aos ESQUECIDOS E ABANDONADOS APOSENTADOS.

Em contrapartida à máxima que diz: “A esperança é a última que morre”, agora não mais um APOSENTADO esperando a justiça dos homens, e sim uma alma boa e generosa que merece a JUSTIÇA DIVINA.

 

Que Deus o tenha, em seus eternos braços.

 

Sylvio Macário Pereira Alves Júnior
seu amado filho
(a pedido de seu querido PAI, carinhosamente chamado de “VÉI”)




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