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Uberaba, 14 de agosto de 2018 -

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O que vem a ser um jornal?

Um jornal não deve ser apenas um meio de comunicação impresso

Por Aristóteles Atheniense. Última atualização: 03/07/2012 - 21:21:11.

Um jornal não deve ser apenas um meio de comunicação impresso, destinado a satisfazer as conveniências da empresa que o edita na divulgação dos fatos do cotidiano. Há de ser mais do que isto: um propalador de ideias, um formador de convicções afinado com as aspirações coletivas, em permanente processo de aperfeiçoamento.

 Consta que, em Roma, era produzido um boletim para anunciar os atos do governo (“Acta Diurna”), esculpido em metal ou pedra, exibido em locais públicos.

 Os duques da República de Veneza publicavam o mensal “Notizie Scritte”, feito a mão e utilizado para distribuir notícias políticas e militares para as comunas da região (1566-1700).

Segundo o World Association of Newspapers, o jornal alemão “Relation aller Fürnemmen un gedenckwürdigen Historien”, impresso em Estrasburgo por Johann Carolus, em 1609, foi o primeiro da história.

O jornal não deve ser um papel que contenha apenas notícias e fotografias. Como é feito por gente, como nós, transmite a felicidade e a tragédia, o riso e o choro, a esperança e a decepção. Tanto divulga a criação de uma indústria como serve ao comércio na venda de seus produtos, diminuindo a angústia da criança que perdera o seu cãozinho e que, mais tarde, consegue recuperá-lo.

Presta-se a antecipar o alvorejar da primavera e nos previne da chegada do inverno e das chuvas, contando o que ocorre nas delegacias e hospitais, além de fornecer entretenimento aos seus leitores, com jogos de palavra cruzada e quebra-cabeça.

O “Jornal da Manhã”, desde a sua fundação em 25 de junho de 1972, publicado de terça a domingo, com apenas oito páginas diárias, prima-se por encarnar os princípios que o consagraram, fazendo jus ao lema de ser “o jornal que todo mundo lê”.

Em suas matérias subsiste a imagem do advogado e fundador Edson Prata, com a mesma galhardia que inspirou a sua vinda de Conceição das Alagoas para Uberaba, começando como entregador da Farmácia Santa Terezinha e graduando-se na primeira turma da Faculdade local, onde se tornou professor.

Foi o primeiro presidente do Instituto dos Advogados de Minas Gerais em Uberaba, onde publicou o Digesto de Processo, que veio a ser o embrião da renomada Escola de Processo Civil do Triângulo Mineiro.

 Nunca diminuiu-se ou considerou--se superior ao seu próximo. Era dotado de uma sabedoria rara, reconhecendo que não passava de um aprendiz na escola da vida. Fazia de sua atuação uma atividade construtiva, deixando atrás de si uma fileira interminável de admiradores, sem alimentar mágoas em relação àqueles com que teceu armas no exercício honroso da profissão que elegeu.

 As normas éticas que balizaram a sua atuação em tudo quanto realizou, ao longo de sua frutuosa existência, têm na pessoa de sua sucessora e filha Lídia Prata Ciabotti uma exímia continuadora, voltada para os grandes temas sociais e econômicos que o “Jornal da Manhã” defende com inexcedível determinação.

 Daí podermos afirmar que não estamos a festejar apenas quarenta anos do papel cumprido por este diário vencedor, mas solenizando quatro décadas de sua profícua, construtiva e prestimosa existência, a que nos incorporamos com justificado contentamento.




(*) Advogado, ex-presidente e conselheiro nato da OAB; articulista do “Jornal da Manhã”

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