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A imprevisível eleição francesa

O resultado conhecido na eleição para a presidência da França

- Por Aristóteles Atheniense Última atualização: 03/05/2012 - 21:01:40.

O resultado conhecido na eleição para a presidência da França, embora não constitua surpresa, está a merecer reflexões se considerado o número de votos obtidos pelos candidatos.

Ao contrário do que sucede nos Estados Unidos, Brasil e em outros países do mundo, na França não há o confronto de candidatos em um estúdio de TV, que permita ao telespectador sopesar as qualidades dos postulantes.

Na semana passada, enquanto Sarkozy promoveu um encontro emblemático na histórica Place de la Concorde, François Hollande optou por um comício na esplanada do Château de Vincennes. Ambos os contendores sustentaram que teriam contado com um público estimado em 100 mil apoiadores.

Agora, diante dos números conhecidos no primeiro turno, os candidatos não estão seguros da vitória, sobretudo em razão dos votos conferidos à Marine Le Pen, representante da extrema-direita, que obteve aproximadamente 20% do total dos sufrágios.

Assim, enquanto o socialista Hollande (ex-marido de Ségolène Royal, candidata socialista derrotada em 2007) gabava-se por haver obtido pouco menos de um ponto sobre Sarkozy (28,46% contra 27,6%), sobreveio a expectativa quanto ao destinatário dos votos assegurados à extrema-direita.

Já a votação recebida por Jean-Luc Melenchon, candidato do Partido Comunista (10,9%), ainda que transferida a Hollande, será insuficiente para a vitória, desde que a cota obtida por Le Pen seja direcionada ao atual presidente Sarkozy.

Mesmo que Le Pen se recuse a optar por um dos dois finalistas, é inegável que o seu apoio pende mais para Sarkozy, devido à linha de orientação que o aproxima mais do presidente do que de seu opositor.

Os dados fornecidos pelos institutos de pesquisa, ainda que favoráveis a Hollande, não infundem a certeza de que aquele candidato possa julgar-se vitorioso. Nem mesmo a identidade havida entre os programas de Le Pen e Hollande visando “restaurar o crescimento”, contribuirá para a possibilidade de sua adesão à causa esquerdista.

Por outro lado, não deixa de impressionar o fato de que Sarkozy, como atual presidente, haja ficado em segundo lugar, fato que nunca aconteceu desde que instaurado o processo de eleições em dois turnos.

Até agora, segundo os observadores, apenas Marine Le Pen tem condições de sorrir, embora não venha a participar do segundo turno. O seu prestígio, superando o percentual obtido por seu pai, Jean-Marie Le Pen em 2002 (16,8% dos votos), traduz o significado de sua mensagem e a expressiva votação recebida daqueles que nela acreditavam.

Como se vê, ainda é muito cedo para um juízo definitivo em favor de um ou outro candidato. As explicações dadas pelos eleitores também não convencem. Para os apoiadores de Hollande, o sucesso parcial que obteve deve-se à cólera dos franceses pela crise do desemprego e a queda do poder de compra, acrescido da insegurança que grassa em todo país.

Por sua vez, os que preferiram Sarkozy justificam a votação que lhe foi conferida como um “protesto” aos temores dos franceses com o novo mundo que invade as fronteiras do país, em decorrência do grande número de imigrantes, associados ao discurso da direita.

Sarkozy continuará desafiando Hollande a participar de debates públicos, para que cada candidato olhe nos olhos do outro, permitindo que o povo faça uma avaliação concreta quanto ao que ofereça melhor oportunidade contra o desnivelamento que vem angustiando a nação. 

 

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB
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Twitter: @aatheniense

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