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Pe. Roberto Francisco de Oliveira - 25/08/2011

A dimenso religiosa opcional?

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Cultivar a dimensão religiosa é algo opcional ao ser humano? Esta é uma pergunta que intriga a muitos. E são muitos os que respondem positivamente. Enganam-se? Acham-se corretos? A busca religiosa é um elemento facultativo à humanidade? Trata-se de um complemento, de um acessório ou é elemento constitutivo e essencial do ser humano?

Dentro do linguajar teológico, Karl Rahner procurou esclarecer essa verdade. Usou uma expressão interessante: existencial-sobrenatural. O termo indica que a sobrenaturalidade integra a existência humana. Melhor explicando, quer dizer que toda existência humana é dotada de uma abertura ao transcendental. E não poderia ser de outra forma. O homem não se explica em si mesmo. O homem não constitui autor de si próprio. Foi feito por Deus. Explica-se em Deus. Assim, a abertura ao divino, a procura pelo divino, não pode ser encarada como um dado facultativo. Tendo sido criada por Deus, a criatura só resolve o ciclo de sua existência no Criador.

Há, pois, um intrínseco ligame entre Criador e criatura. A natureza humana se liga ao sobrenatural e se entende a partir dele. Isso torna funesta uma vida que prescinde do divino. O senso de total autonomia frente ao Ser transcendental acarreta um profundo desequilíbrio existencial. O homem não pode, então, ver-se como uma mônada autossuficiente, pronta e acabada. Ao contrário, é ser em abertura. Abertura ao transcendental. 

O homem na sua condição criatural continua dependente de seu Criador, de modo que a procura por uma evolução da espiritualidade constitui uma exigência irrenunciável e essencial para a própria realização do humano. O homem somente se realiza enquanto homem quando desenvolve a sua dimensão religiosa. Cheio de Deus, o homem se torna mais homem. Torna-se verdadeiro homem.

Consequentemente, a humanidade alheia a Deus não é humanidade. Quando muito pode ser considerada uma humanidade pela metade, deformada. A ausência do divino converte pessoas em espectros, em zumbis capazes de negar o ser. A falta de Deus faz aparecer a morte, o roubo, a mentira, a violência em toda sua plenitude. O dinheiro transmuta-se em ídolo e a ambição em mola propulsora do agir. Cai por terra o sentido da vida, os ideais elevados, o despojamento materialista. Já a filosofia existencialista heideggeriana afirmava a nadificação do ser quando da privação do sentido sobrenatural.

Diante disso, seguiremos aquelas vozes que apregoam a vida no Espírito como opcional? Porventura a procura por Deus pode ser empreendida e pode não ser empreendida sem implicações maiores?  Está na nossa constituição humana a real possibilidade que aderir ou refutar a marca do divino? São estes sérios questionamentos que devemos levantar para nós mesmos. Oxalá, concluamos com os grandes Santos da nossa Igreja, que guardavam a certeza de somente encontrarem em Deus a explicação de suas vidas.  

 

(*) Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma); chanceler do arcebispado da Arquidiocese de Uberaba




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