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Aristteles Atheniense - 29/12/2010

A promessa de Dilma Rousseff

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Embora ainda não se saiba o que realmente irá ocorrer com a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada no Irã por adultério, considero oportuno avaliar a manifestação da futura presidente Dilma Roussef em relação ao questionado fato.

A entrevista que concedeu ao jornal americano The Washington Post foi não só oportuna como exemplar, tendo em conta o comportamento do presidente Lula e seu incontido apreço por Mahmoud Almadinejad, que recebeu em Brasília com todas as pompas.

O Brasil não pode mais continuar se abstendo nas votações da ONU, em se tratando de resoluções que condenem violações aos direitos humanos. Na última votação, tivemos 57 abstenções, nas quais o Brasil se alinhou a outros países que endossam a violência cometida por ditadores ultrapassados, a exemplo de Venezuela, Cuba e Irã, que fazem da prepotência a sua bandeira.

Dilma se houve muito bem na indireta dirigida ao seu antecessor, ao afirmar: “Não sou a presidente do Brasil (hoje), mas me sentiria desconfortável como uma mulher eleita presidente em não dizer nada contra o apedrejamento”. Prosseguindo em sua entrevista, acrescentou: “Eu não concordo com práticas que tenham características medievais às mulheres. Não há nuances. Não farei nenhuma concessão nesse assunto”. Este posicionamento deve servir de alerta, também, ao Itamaraty, cujo chanceler ainda não foi escolhido, em definitivo.

Diante desse pronunciamento, fica-nos a certeza de que não seremos, doravante, caudatários de fantoches que estimulam a violência, dentro e fora de seus países, contrariando os princípios assentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, cuja proclamação é comemorada em 10 de dezembro, que se destina aos momentos críticos em que haja risco ou ameaça às prerrogativas dos cidadãos.

Nos poucos dias que ainda lhe restam à frente do governo brasileiro, o presidente Lula terá tempo suficiente para renegar os princípios sustentados por alguns dirigentes, a quem dispensou imerecida atenção, contrariando a tradição de nossa política exterior, que teve no Barão do Rio Branco o seu melhor exemplo.

Vale esperar que essas companhias indesejáveis não tenham mais acolhida em nosso país, como deu a entender a nova presidente que o Brasil elegeu. 

 

(*) advogado; conselheiro nato da OAB; diretor da Associação Comercial de Minas Gerais




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