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Marcos Vincius Zani - 23/05/2010

A brincadeira que mata

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Odeio picareta. E acho que não sou o único. Mas tem gente honesta que põe em dúvida a própria conduta por desconhecimento do processo adequado e nem sempre por má-fé. Dia desses vi uma boa reportagem sobre uma falsa médica, procurada pela polícia. Ela já havia atendido vários e, inclusive, recebia indicações de seus próprios “pacientes”. Foi denunciada por se tratar, se não me engano, de exercício ilegal da profissão. Essa agiu de má-fé. E como fica a atenção em relação aos que fazem marketing sem nenhum preparo? Muitos o praticam por três motivos: acreditam num suposto talento nato; por falta de leis que os impeçam, mesmo sem formação técnica para isso, e, por fim, por entenderem que não farão mal a ninguém, caso dê errado. Será que essa sucessão de erros tem alguma relação com a grande rotatividade de empresas que entram e saem do mercado brasileiro?

Não adianta: você deve fazer aquilo que sabe fazer, certo de que sempre há mais para aprender, que existe alguém ao lado melhor do que você e de que toda ação causa uma reação, ou seja, suas atitudes não são tão inofensivas assim. Há uma consequência para cada uma delas. Portanto, estamos o tempo todo ao redor de grandes oportunidades e riscos.

Fico pasmo de ver quanta gente brinca de Gestão de Marca! Fazem o que bem querem com o próprio nome e com o nome dos outros. Muitos acreditam que basta um bom domínio do software Corel Draw e uma boa pitada de “incompetência motivada”, definida por estes como “criatividade”, e pronto: tá pronto, no “jeito”. E nem perca tempo em questioná-los, afinal, irão alegar que os “trabalhos” são deles e que ninguém tem nada com isso. Provavelmente, dirão essa frase de outra maneira. Para nossa felicidade, uma pequena parcela ainda dá o exemplo profissional e bem sucedido na relação com o marketing. Essa minoria empresarial, amparada pela minoria de bons profissionais, normalmente por razões que saltam aos olhos, está bem mais confortável financeiramente por entrar num mercado de amadores.  

A má gestão do conceito da marca pode não só prejudicar sua empresa, como também contribuir para a falência da mesma. Essa é uma brincadeira que não tem graça e que pode até “matar” o seu negócio. Em nosso mercado, existem vários marqueteiros de qualidade, teoricamente, à disposição. Juro que não estou fazendo propaganda pessoal. É preciso rever a cultura de investimento e prazo de retorno. A ansiedade de aumentar as vendas rapidamente por um custo baixo leva o cenário dessa gestão a ficar perecível. É necessário disseminar a ideia de que os retornos mais demorados podem também ser os mais sólidos. Marca não se constrói de um dia para o outro. Todavia, se desconstrói mais rápido do que seus olhos podem acreditar.

 

 (*) publicitário, professor universitário, palestrante e consultor de Marketing e Comunicação
marcos.zani@gmail.com




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