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Diferença entre a psicose e a psicopatia

Muitas pessoas acreditam que o psicopata é um psicótico (pessoa que apresenta um sofrimento mental)

22/01/2019 - 00:00:00. - Por Fernando Vieira Filho

Muitas pessoas acreditam que o psicopata é um psicótico (pessoa que apresenta um sofrimento mental). Talvez esta seja uma dúvida que muitos têm, vou tentar esclarecer.

A psicose é uma distonia mental, ou seja, um estado anormal de funcionamento psíquico. O aspecto central da psicose é a perda do contato com a realidade, dependendo da intensidade da psicose. Num dado momento a perda será de maior ou menor intensidade. Os psicóticos, quando não estão em crise, zelam pelo seu bem-estar, alimentam-se, evitam machucar-se, têm interesse sexual, estabelecem contato com pessoas reais. Isto tudo é indício da existência de um relacionamento com o mundo real.

A psicose propriamente dita começa a partir do ponto em que o paciente se relaciona com objetos e coisas que não existem no nosso mundo. Por exemplo, a tristeza e a alegria assemelham-se à depressão, e a mania, a dificuldade de recordar ou de aprender estão relacionadas à demência e ao retardo mental; o medo e a ansiedade perante situações corriqueiras têm relações com os transtornos fóbicos e de ansiedade. Da mesma forma, outros transtornos mentais podem ser imaginados a partir de experiências pessoais. No caso da psicose não há comparações.

Já a psicopatia, ou mais tecnicamente Personalidade Psicopática ou Sociopatia (segundo o CID.10. – Classificação Internacional de Doenças, da OMS), não é uma doença mental, pois não demonstra qualquer sintoma para tal.

Nos anos 60, o movimento norte-americano chamado antipsiquiatria recomendou que os psicopatas fossem excluídos das classificações psiquiátricas. Dizia-se, na época, que a alteração do psicopata era de natureza moral e ética e, para problemas éticos, as soluções tinham que ser éticas (reclusão, encarceramento, etc.), e não médicas. Há um amplo consenso entre profissionais de saúde mental de que a sociopatia é intratável. Ao contrário da psicose, que é tratada com medicamentos adequados e psicoterapia própria para cada caso.

Como perceber a psicopatia em uma pessoa, observando que ela pode se manifestar desde a infância:

- Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.

- Estabelece relacionamentos com facilidade, é envolvente, fala aquilo que seu interlocutor “quer ouvir”, principalmente quando é do seu interesse.

- Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas, principalmente quando é surpreendido ou descoberto em pequenos ou grandes delitos.

- Incapacidade de assumir culpa ou se responsabilizar pelo que fez de errado, ou de aprender com as punições.

- Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos – geralmente tem uma inteligência acima da média –, porém improváveis.

- Possui um egocentrismo exacerbado.

- Emoções superficiais, teatrais e falsas.

- Falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento.

- Sente prazer em maltratar animais.

- Uma pessoa geralmente cínica, incapaz de manter uma relação leal e duradoura, manipuladora e incapaz de amar.

- É exageradamente mentirosa, sem constrangimento ou vergonha, subestima a insensatez das mentiras, rouba, abusa, trapaceia, manipula dolosamente seus familiares e parentes, coloca em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca é capaz de se corrigir.

Assim, muitos que estão interagindo no campo da política, da polícia, forças armadas, das finanças e do mundo corporativo portam o caráter sociopático. Felizmente, apenas uma pequena parte dos sociopatas se transforma em criminosos violentos, estupradores e assassinos seriais. Portanto, o psicótico e o psicopata são entidades bem distintas.

Há estudos muito sérios que mostram que existe uma “alteração” no sistema límbico do psicopata. Segundo a psiquiatra carioca Dra. Ana Beatriz Barbosa, autora do livro “Mentes Perigosas”, os psicopatas nascem com um cérebro diferente. Os seres humanos têm no chamado sistema límbico uma estrutura cerebral que é responsável por nossas emoções. É uma espécie de central emocional, o coração da mente.

Em 2000, dois brasileiros, o neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll, descobriram uma prova consistente dessa diferença no cérebro do psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa, com alterações significativas, de acordo com as imagens vistas. Nos psicopatas, não havia diferença, mantinha-se inalterado, sem reações.

Assim, ficou provado que o sistema límbico dos psicopatas simplesmente não funciona. O pôr do sol e/ou uma criança sendo espancada não geram reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam de nervosos. Enfim, não apresentam reações físicas diante de visões chocantes ou belas. 

(*) Psicoterapeuta clínico, palestrante e escritor
Contato: 
ffvfilho@terra.com.br

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