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Elias Barbosa - 11/10/2009

Trechos de artigo sobre a melancolia

Em plena juventude, quando eu lia e relia a página “A Melancolia” (item 25 do Cap. V de O Evangelho Segundo o Espiritismo), duas preocupações se me apresentavam: a primeira, era saber o motivo pelo qual o velho Hipócrates (460-378 a.C.) teria usado esta palavra para aprimorar a sua observação clínica, e qual seria a razão de nome tão belo ter sido usado, levando em conta a etimologia da palavra; a segunda, porque o Espírito assinou François de Genève, tão-somente, quando transmitiu a mensagem, em Bordéus, sem colocar a data.

O Pai da Medicina diagnosticava Melancolia: um quadro caracterizado por tristeza, predisposição para os pensamentos sombrios, tristes. De origem grega, melankholia, de melas, melanos, negro; kholè, bílis, e sufixo ia. Os trechos que vamos citar pertencem ao artigo Depressão com sintomas melancólicos, do Dr. Frederico Navas Demetrio, verificando a ação benéfica de um timoléptico (Mirtazepina), capaz de melhorar o quadro psicopatológico: “O que incomoda o paciente é a piora matinal do humor.” E prossegue : “Está despertando algumas horas mais cedo que o habitual”, com uma ‘angústia’ muito grande, definindo “essa angústia como um aperto no peito. Acompanhado de pensamentos desesperadores”, julga-se inútil e afirmando: ‘não tenho mais jeito mesmo’, com sensações corporais e os pensamentos que o deixam paralisado; não conseguindo fazer nada, nem mesmo se alimentar, perde peso. O paciente, quando se sente melhor à noite, julga-se praticamente normal, como se nunca estivesse doente, negando pensamentos de culpa ou auto-recriminação. Dos antecedentes familiares: o paciente era filho de uma prole de quatro. “Ele (e sua irmã mais velha que o acompanha na consulta) informa que sempre foi ‘superprotegido’ pelos pais, pois sofria de asma e frequentemente apresentava crises que necessitavam de atendimento médico. (....) Não prosseguiu nos estudos além do Ensino Médio, trabalhando sempre na pequena empresa de ônibus urbanos da família, auxiliando na gerência e na administração do negócio.”

Dos antecedentes familiares apenas isto: “Mãe faleceu com Alzheimer; pai ficou muito desesperado nos últimos anos de vida da mãe, ‘desistindo de tudo’, claramente depressivo, mas não tratado. Faleceu um mês após a morte da mãe.”

 A página mediúnica, “A Melancolia”, ficará para o próximo artigo.

 

(*) clínico geral e psiquiatra
eliasbarbosa34@terra.com.br




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