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“No túnel do tempo”

Madrugada fria de domingo... estou sentado na varanda fazendo uma reflexão sobre a vida...

20/08/2018 - 08:09:39. - Por Marco Antônio de Figueiredo

Madrugada fria de domingo... estou sentado na varanda fazendo uma reflexão sobre a vida.

Peguei o notebook e comecei a ler a crônica escrita pelo meu amigo e mestre Padre Prata, no JM online, surgindo em mim um emaranhado de pensamentos e imagens, vivenciando momentos de outrora.

Assim, hoje não vou falar sobre a política. Ao contrário, vou falar de saudades, pois ando cansado dos noticiários da vida, de manchetes sobre catástrofes, crimes hediondos, discussões políticas e caos.

Comecei a dar corda à imaginação e, como num túnel do tempo, me veio à mente fatos que se passaram em minha vida, deixando claro que estes dois últimos anos foram os mais intensos que já vivi, mas, ao mesmo tempo, foram os que mais me consumiram.

Refletindo mais, descobri a necessidade de pensar mais em mim do que me preocupar com o que acontece a minha volta. Senti a necessidade de parar com essa correria em que vivo e buscar minhas prioridades, esquecendo as coisas que nada podem somar na minha vida.

Repentinamente, veio à mente meus tempos de ginásio, lá no colégio “Estadual” do bairro Estados Unidos, trazendo aquele gosto estranho de tristeza por não mais poder vivenciar. Como gostaria de saborear aqueles momentos de verdadeira felicidade, mas, infelizmente, é algo que não podemos fazer.

Bateu a saudade dos meus amigos de adolescência, de mocidade, do ginasial e faculdade, mas, principalmente, dos sonhos não vividos, do primeiro amor e dos inesquecíveis tempos de faculdade.

Senti saudades de escutar mais meus sonhos, meus medos e inseguranças sobre o futuro. Uma saudade que tira o chão da gente. Uma saudade que chega a deixar a certeza de que sempre vivemos de forma segura.

Confesso, até hoje eu não sei direito como lidar com a saudade, mas nesses momentos de reflexão, consegui acreditar que, na verdade, eu estava com saudades de ir ao encontro de mim mesmo, desde a época de menino, em que chegava em casa com as mãos sujas de terra e a roupa em estado de misericórdia, mas não tinha essa minha necessidade de liberdade, pois eu tinha de sobra.

Que saudade senti agora, daqueles tempos em que acreditava que era dono dos meus atos, dos rótulos, dos medos, de não querer parar o dia e pular da cama com vontade de viver. Que saudade daquele sentimento de segurança, para brincar na rua até tarde da noite, apesar da fraca iluminação. Saudade de poder pensar que era dono do meu próprio destino, dos meus sonhos e do mundo. Saudade daquele tempo que não volta mais.

Está amanhecendo e vou preparar uma vitamina para começar meu dia, mas posso concluir que, na verdade, estava com saudade de ser eu mesmo.

Marco Antônio de Figueiredo
Advogado e articulista

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