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Feminicídio – extrema violência sobre a mulher!

Em 2015 foi tema para Redação no Enem: A persistência da violência

14/08/2018 - 20:53:20. - Por Ilcéa Borba Marquez Última atualização: 14/08/2018 - 20:53:31.

Em 2015 foi tema para Redação no Enem: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”; também em 2015 foi sancionada a Lei 13.104, conhecida como Lei do Feminicídio; mas, mesmo assim, a mulher continua sendo agredida, violentada e assassinada dentro da sua própria casa, no ambiente restrito e “protegido” da família. A sociedade conhece e denuncia as relações insustentáveis entre homens e mulheres quando baseadas no par de opostos: dominação/submissão, no entanto, parece difícil a internalização destes conhecimentos a ponto de provocar uma verdadeira mudança de comportamento masculino e feminino.

Há poucos dias, precisamente em 22/07, fomos surpreendidos pela morte acidental de uma advogada, no Paraná, devido a uma queda da sacada do apartamento onde morava, no quarto andar do edifício. As câmeras de segurança mostraram toda a sequência de golpes agressivos dados pelo marido na entrada, na garagem e no elevador do mesmo. São cenas chocantes, capazes de provocar nos que as veem uma revolta muito forte, bem como uma impotência identificatória. As mulheres se sensibilizaram diante da fragilidade submissa demonstrada pela vítima e os homens se revoltaram também, identificados ao Pai da jovem, expressando um desejo de tomar sua defesa interrompendo aquele suplício.

A diferença entre o casal se evidenciava imediatamente apenas pela observação dos corpos. Ele mais alto, bastante musculoso e ela menor e bem mais magra. Para ele ela era uma presa fácil que não conseguiria jamais sequer arranhá-lo. Os poucos movimentos de defesa esboçados por ela eram imediatamente cortados por exímias ações violentas que a imobilizavam imediatamente.

Desde 2013 estavam casados, numa relação considerada comum, pelas aparências. Entretanto, no círculo íntimo a advogada confidenciava dificuldades relacionais que iam de agressões verbais a atos que deixavam marcas em seu corpo. Nos últimos dias revelou vontade de se separar, sendo totalmente apoiada pelos seus familiares.

O fato desencadeador de tanta violência teve início na festa preparada para comemorar o aniversário dele num bar com alguns amigos, depois de ela ter visto a foto de uma mulher no seu celular. Em sequência foram embora do bar, chegando posteriormente à porta do edifício... Não consigo deixar de pensar nos motivos que a levaram escolhê-lo como marido: uma imagem impregnada de sinais evidentes de extrema violência facilmente constatáveis seria fator de atração? Temos informações que ela gostava de correr e praticar esportes, assim podemos inferir que ela se acreditava capaz de estabelecer relação simétrica com ele. Ledo engano! 

(*) Psicóloga e psicanalista
ilceaborba@gmail.com

 

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