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Solange de Melo M. N. Borges - 19/02/2018

Mineiros trouxas

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Em tempos idos, os mineiros se orgulhavam de seu passado inconfidente, das lutas pela soberania do estado diamante e pela hegemonia da famosa “ política do café com leite” que deu ao Brasil os mais atuantes, irreverentes e conciliadores presidentes. Assim, ganhou a fama de fiel da balança quando se tratavam de situações difíceis, cujos resultados poderiam trazer grandes prejuízos para a sociedade como um todo. Nesse caso, tanto em nível estadual como em nível da União, esperava-se dos mineiros respostas austeras, equilibradas e razoáveis.

No entanto, na última eleição, quer seja no resultado para presidente como para governo estadual, o politizado povo mineiro, numa demonstração bizarra de sua despolitização, se deixou levar pelo canto do triunfo fácil, pelas vertigens petistas e pela caricatura grotesca do candidato a presidente, assim como, pela irracionalidade do inconformismo de alguns setores do funcionalismo público. O resultado final, em ambos os casos, foi desastroso: vitória de irremediável insanidade que logo se revelou numa política atabalhoada e improvisada, no estado de Minas e no país Brasil.

Como se não bastasse a incompetência, os governos mergulharam numa cavernosa estrada de corrupção, improbidade administrativa e privilégios distribuídos com fartura aos “amigos do rei”. Aquela expectativa voltada para generosos governos petistas logo se dissipou na mesmice de um cotidiano prosaico de ocorrências que se tornaram banais pela repetição: prisões, conduções coercitivas e todo tipo de constrangimento legal sofrido por agentes públicos e privados com vínculos estreitos com o partido governista.

E o mineiro, que sempre foi um conciliador em benefício da sociedade, não permitindo que oportunista com cara de imbecil sem nem mesmo aquela barbicha asquerosa, fosse o seu governante, passou a entender o imbróglio que havia se metido. Nem mesmo o salário do funcionalismo mineiro estava livre do condomínio de ruínas deixado pela corrupção.

Nesse momento, faço minha reverência ao artigo publicado em 04/02/2018, no Jornal da Manhã, por uma das inteligências mais requintadas e lúcidas da nossa cidade, a economista Márcia Moreno Campos, cujo título Mineiros frouxos, em mim despertou um outro adjetivo, aqui registrado.

Infelizmente, já se foi o tempo em que o mineiro não era trouxa e nem frouxo pois jamais permitiria resignar-se a ajustar a sua visão à limitada distância entre o chão e o beiral da sua casa quando o assunto fosse POLÍTICA. Fazia questão de não se calar frente aos desmandos que pudessem ocorrer contra os seus interesses de cidadão probo e participativo. Dinheiro público, é sabido por todos, não é dinheiro do governo, é dinheiro do povo, dos impostos que todos pagamos. É sagrado e consagrado às necessidades da população.

Então, mineiros eleitores do “engomadinho” com cara de chuchu, não sabiam que o indivíduo não poderia governar sequer um dormitório para tartarugas ou um buraco de tatu? Hoje, vocês são avalistas dos atos que ele pratica.

Minas Gerais, um estado envergonhado de si mesmo!

Profa.Solange de Melo M N Borges, economista
Pós-graduação PUC/MG
solange.borges@netsite.com.




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