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Ricardo Cavalcante Motta - 17/02/2018

A lista

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Depois de transformar o armazém da esquina, que herdara do pai, em um grande supermercado com filiais de porte, sem comprar carga roubada, sem sonegar impostos, apenas usando da melhor estratégia comercial e excelência no atendimento, estava de fato muito bem financeiramente. Então, sua mulher anunciou a intenção de fazer uma elegante festa de quinze anos para a filha caçula.

Ele autorizou, contente. Já era tempo de receber em gratidão aos amigos num encontro social, mas com uma advertência. Queria presentes seus amigos leais, desde os mais simples. Reclamou do risco de esquecer-se de alguém pela convivência espaçada. Recomendou cautela e arriscou. Então foi ela à lista. Cuidou disto com zelo. Ela sonhava com uma festa marcante, afinal agora se sentia numa esfera social mais nobre. Queria fotos, coluna social, queria comentários, enfim, queria causar.

Pouco estava cogitando se era fútil. Até pensava que o marido merecia reconhecimento social, contudo estava mesmo interessada era no seu naco de orgulho próprio pela ascensão social, especialmente perante seus familiares. Assim apresentou a lista ao marido que tratou logo de conferir. Na lista estavam os nomes de autoridades com quem não mantinha convivência. Não entendia por que convidá-los. A mulher reagiu. “Eu os quero presentes para dar brilho à festa e para abrir horizontes”.

Ele manifestou sua suspeita de que havia políticos corruptos dentre aqueles convidados. Disse que não dava guarida a corrupto. “São assim porque nunca reagimos. O país está perdido por isso. Eles crescem porque damos lado, espaço, sorrisos, nos fazemos de cegos. Sou contra. Com político corrupto não convivo”. Ela entrou em pânico. “Somente seus amigos não vão dar realce à festa!”. Respondeu ele: “Dane-se. Então não vai ter festa. Lutei demais honestamente para ser eu mesmo, não um verniz”. Ela chorou muito, o chamou de bruto, insensível, de espírito pobre..., mas cedeu. Após o impasse, a festa se deu, limpa e feliz.
 




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