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16/02/2018

O tmulo do samba

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“Quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Comecei com um clichê, lugar comum, para enfatizar um fato preocupante quando se refere à cultura popular. Carnaval não é apenas uma festa, um evento que pode ser substituído por outros “espetáculos” sem prejuízo para a cultura, para uma tradição centenária de grande importância cultural para a população afrodescendente.

 Li nos jornais que a Prefeitura de Uberaba acertou ao optar pelo carnaval de marchinhas e os shows realizados no Ciclo Park, citando o número de pessoas presentes nos dias. Não discutimos esse quesito, lembramos apenas que a oferta foi de entretenimento e o número de pessoas poderá ser multiplicado por dez no ano que vem se a oferta de show for com a Anita ou Sangalo. Não é carnaval!!

A importância do carnaval transcende esse aspecto quando se refere às escolas de samba que possuem grande importância na manutenção de uma cultura centenária, na organização das comunidades, na mobilização de vizinhos, familiares e amigos que cultuam essa prática anualmente. No caso específico de Uberaba então, essa tradição tem grande importância como manifestação cultural.

Com o banimento do carnaval de rua, com a exclusão das escolas criou-se uma festa que peca pelo seu artificialismo tanto para o bem como para o mal. Eu, que sou da família Mapuaba, família centenária ligada não apenas ao carnaval, mas também a outras manifestações como Moçambique, Congada e demais ritos africanos, vejo o desprezo por essas manifestações culturais como algo grave, como uma ruptura que sepulta a cultura tradicional de nossa cidade.

Penso que esse desprezo se estende também às outras manifestações culturais que representam a pedra fundamental de nossa cultura, que foi desenraizada na África, transplantada para o Brasil e que ainda assim, de forma heroica, tenta se manter viva. Escolas de samba, como Bambas do Fabrício, Rosas de Ouro, Grêmio Recreativo, Unidos de Santa Maria, Preciosa do Leblon, Primavera, e tantas outras que estão perecendo no silêncio dos tambores.

Essas escolas mobilizavam pelo menos cinco mil pessoas em Uberaba que se empenhavam em fazer anualmente nosso carnaval, que levavam multidões às ruas, mesmo com as imensas dificuldades. Não há, portanto, como estabelecer comparação entre acerto e erro nessa história, até porque uma manifestação é altamente enraizada na cultura da população e a outra transformou-se num mero entretenimento.
 
Em tempo: o termo túmulo do samba foi cunhada pelo branco mais preto do Brasil, Vinícius de Morais.

Sinfrônio Silva Jr  - É afrodescendente e membro da família Mapuaba
 

 




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