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MANIA

Minhas excentricidades foram se estabelecendo com o tempo. Como já vivi oito...

Por Mário Salvador. Última atualização: 14/02/2018 - 12:02:16.

Minhas excentricidades foram se estabelecendo com o tempo. Como já vivi oito décadas e meia, as raízes de minhas manias têm robustez insuperável. Dentre essas singularidades que me alentam e que me vêm espontaneamente, cito o regalo recorrente de provérbios conforme o contexto.
Sim, estou cansado de saber que provérbios refletem exclusivamente aquilo que o povo tem por incontestável. E que devemos ter postura mais crítica com cada qual deles, questionando-os e fazendo uma releitura deles, afinal, na maioria das vezes, eles não têm nada de sabedoria; são apenas uma série de equívocos, às vezes até rimados para se tornarem mais convincentes. Porém, saber disso não me ajuda em nada. “Cada louco com sua mania.” Assim, como eu mesmo me convenci do meu direito de fazer isto, citarei três deles, que esse é o número que sempre convém à literatura.
“Lé com lé, cré com cré” é o ditado que explica, por exemplo, por que pessoas com características em comum se sentem atraídas e tendem a permanecer juntas. Quanto à origem desse ditado, mestre Google esclarece que é religiosa – imaginem! – por conta da frase: “Leigo com leigo; clérigo com clérigo.” Com algumas adaptações – talvez feitas por mineiros, que economizam sílabas e palavras inteiras –, o ditado virou o que virou.
Numa ida ao supermercado, deparei-me com três gerações de mulheres (uma menina, sua mãe e a avó), que me chamaram a atenção pela fisionomia idêntica. Estando uma ao lado da outra e com o carrinho de compras ao lado de uma delas, a avó e a mãe impediam a passagem de outros fregueses. Felizmente, a netinha estava atenta: “Vovó, mamãe, o moço quer passar.” De repente eu havia virado “moço”, o que não é tão ruim assim. Aproveitei a oportunidade: “Como é que pode? Cara de uma, focinho da outra.” E elas deram uma boa gargalhada.
Para encerrar, há um ditado que cai como luva no que se refere a integrantes de partidos políticos: “Deus os faz e diabo os junta.” Há muitos equívocos nos provérbios, todavia às vezes eles parecem dizer o óbvio com toda a ironia a que têm direito.
 

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