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Padre Prata - 04/02/2018

H pessoas que marcaram nossas vidas

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Todos nós somos profundamente marcados por pessoas, leituras ou acontecimentos. Não sei por que, ultimamente, tenho me lembrado, com muita frequência, da figura de Monsenhor Eduardo Antônio dos Santos. Foi ele quem me recebeu no Seminário, exatamente no dia 2 de fevereiro de 1935. Veio de Goiás acompanhando Dom Eduardo Duarte Silva quando foi transferido para a sede episcopal de Uberaba. Já era ordenado padre. Monsenhor Eduardo era filho da cozinheira da residência episcopal. Era negra, casada com um rapaz mais claro, funcionário da diocese. Tiveram três filhos. Os três se ordenaram padres. Bem, Monsenhor Eduardo foi a pessoa que mais influenciou em minha vida. Não fosse ele, eu não teria chegado aonde cheguei.

Quando meu pai perdeu tudo, em 1937, sem condições de pagar meus estudos, minha mãe foi buscar-me de volta para casa. Monsenhor Eduardo não permitiu: “De modo nenhum, é um bom menino, bom aluno. Vai ficar aqui comigo, vai estudar gratuitamente”. Assim fiquei até me formar. Monsenhor era um homem de fé, exemplo de educador, de pessoa emocionalmente equilibrada. Possuía um coração ungido de ternura e compreensão. Não exibia poder, mas era de uma autoridade impressionante. Não humilhava ninguém nem demonstrava preferências por ninguém. Era um homem justo, corrigia sem ofender. Foi com ele que aprendi a não confundir poder com autoridade. Um dia, nós, os seminaristas, brincávamos, à noite, no dormitório comum, de jogar travesseiros uns nos outros. De repente, alguém gritou: “O Monsenhor está vindo.”

Todos voltamos para as nossas camas. Eu fechei os olhos, fingindo dormir. Monsenhor chegou, acendeu as luzes, deu uma olhada geral, apagou as luzes e foi embora. Dois dias depois, ele me chamou em sua sala. Passou a mão em minha cabeça e disse: “Meu filho, você estava no dormitório fazendo desordem. É natural em criança esse tipo de brincadeiras. O que não é natural é fazer o que você fez fingindo que estava dormindo. Não faça mais isso. Assuma sempre os seus atos. Deus o abençoe”. Foi com ele que aprendi a tomar decisões e não deixar as coisas rolarem para ver como ficam. Sempre o víamos, horas seguidas, na Capela, de joelhos, de olhos fechados, orando. Jamais o vimos humilhar ninguém nem impor sua própria opinião. Para mim foi um “pai”. Não castigava. Ensinava a ser gente.

Monsenhor Eduardo está, hoje, junto de Deus na dimensão da eternidade. Sei que, de lá, continua olhando por mim. Sua bênção, querido mestre, meu exemplo de vida.

PADRE PRATA




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