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Padre Prata - 10/12/2017

Nem sempre temos respostas para o que acontece

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“Você é padre?” Ouvindo minha resposta, continuou agressivo: “Saia pela porta que entrou. Ninguém chamou você aqui. Não gosto de padres, são exploradores do povo. Sou ateu e comunista. Saia logo”. Esta estória começou quando fui chamado para visitar um senhor em minha paróquia, estava doente e muito revoltado. Eu era um padre novo e usava batina. Era inexperiente. Diante de tão “delicada” recepção, sem saber o que responder, procurei explicar a razão de minha presença ali: “O senhor me desculpe. Um amigo seu pediu-me que eu o visitasse. Foi só. Contou-me que o senhor não estava bem de saúde e se estava precisando de alguma coisa. Peço desculpas. Vou embora logo. Quero apenas saber seu nome”. Fiquei sem saber o que fazer. Olhei aquele senhor. Era bem idoso. Cabelos brancos e barba espessa. O velho, mais uma vez, convidou-me a sair: “Vá embora, moço, por favor, já estou cheio, me deixe em paz”. Não sei o quê, mas alguma coisa me segurava ali. Insisti: “O senhor me disse que é comunista. Tenho vários amigos que são comunistas. São boas pessoas. Procuram criar uma sociedade sem classes e defendem os pobres. Sou professor num colégio aqui perto e leciono Sociologia. Por isso tenho razões para explicar para eles o sentido das ideologias em jogo. É por isso que entendo suas atitudes. Gosto de conversar com gente assim, falam o que pensam. A gente sempre aprende mais. Gostei de conhecê-lo”. Não sei por quê, mas o velho se tornou mais acessível: “Senta aí nessa cadeira”. Foi assim que iniciamos uma conversa que durou muito tempo, conversa que começou aos tapas e se estendeu por mais de hora. Com o tempo, meu velho agressor foi abrindo o livro de sua vida, falou de sua família, dos seus que foram explorados pelo capitalismo. Falou de sua doença, um câncer que o comia por dentro. Com o tempo veio a surpresa: “Você me desculpe, ‘seo’ padre, pelas minhas grosserias. Falei muita besteira quando o senhor entrou aqui. Eu estava azedo. Sofri muito nessa vida. Não sei se sou ateu ou não. Estou numa gangorra. De uma coisa tenho certeza. Respeito muito Nossa Senhora da Abadia. Só creio nela. Do resto eu duvido”. Contou-me toda sua vida. No fim, o inacreditável: “Se existe Deus, que Ele me perdoe pelo que fiz de errado”. Tomou minha mão e a beijou. Não é preciso dizer que eu, numa hora daquelas, já estava em prantos. Pedi a Deus que o perdoasse, se é que tivesse algum erro. Conversamos mais uns minutos e voltei para casa. Sem nenhum sentimentalismo, não conseguia compreender o que tinha acontecido. No dia seguinte, avisaram-me de que aquele senhor tinha morrido naquela noite. Foi ao encontro com o Pai. Entrou pela porta dos fundos, mas entrou.




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