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Dom Paulo Mendes Peixoto - 03/12/2017

A vida um tecido de esperanas

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Estamos vivendo o tempo litúrgico do Advento. Renasce a Esperança. É o que acontece todos os anos. Estamos, figurativamente, aguardando a vida do Senhor, o Natal. Que o leitor me entenda, mas não me traz muita alegria a festa do Natal. Esse dia que deveria ser um dia de paz, de presença divina, tornou-se um dia de comércio desenfreado. Transformaram-no numa festa em que o personagem principal é um velhote idiota, importado da França, naqueles tempos em que éramos colônia cultural dos gauleses. Embrulhado em roupas de frio e jogando beijinhos para milhares de basbaques.

Prefiro o Advento. É tempo de Esperança. Tempo em que se aguarda qualquer coisa. Aliás, toda nossa vida consiste em esperar. A esperança está no sangue, agarrada no íntimo de nosso ser. Esperamos sempre que aconteça alguma coisa de bom. Esperamos e sofremos pelas coisas de bom que podem acontecer e, quase sempre, não acontecem.

Os mais antigos se lembram de uma composição de Chico Buarque, Pedro Pedreiro: “Pedro Pedreiro fica assim esperando, assim pensando. O tempo passa e a gente vai ficando para trás, esperando, esperando, esperando, esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento a cada ano passado para o mês que vem”.

Para o Chico, esperança vira sinônimo de decepção. É coisa extremamente frustrante. Há gente que não gosta deste poema. Ele deixa, dizem, no fundo do coração, um amargo gosto de cinza. Lembro-me de um velho amigo meu quando dizia: “Esperança é como menina bonita afagando meus cabelos brancos”.

Se tenho esperança? Sim, tenho. Espero sempre por uma Criança que me prometeu que viria um dia. Às vezes me custa muito “segurar as pontas” quando me agridem as desesperanças humanas. Mas, há sempre a voz de um Menino que vai chegar (Ele chega sempre!) dizendo bem baixinho que haverá uma Casa bonita onde eu possa morar um dia.

Irei para Ti, ó meu Deus, e Tu me darás o Teu rosto. Irei para Ti com o meu mais louco sonho: levar-Te outros nos meus braços. Irei para Ti e gritarei em voz bem alta, toda a verdade de minha vida. Gritarei para Ti o meu brado que vem do fundo do coração: Pai, me perdoa e abre para mim a porta de Tua Casa.




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