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Gustavo Hoffay - 10/10/2017

EUA X Coreia da Morte

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Depois que foram inventadas, produzidas, lançadas e de terem destruído duas grandes cidades japonesas antes mesmo da primeira metade do século passado, as primeiras bombas atômicas deram início a uma neurose mundial e quando iniciaram-se, em diversos idiomas e em todos os quadrantes do globo terrestre, conjecturas a respeito de quais seriam as consequências de uma guerra nuclear. Até Hollywood, claro, aproveitou-se da onda de uma quase histeria global em torno do assunto e faturou centenas de milhões de dólares ao produzir e lançar produções cinematográficas àquele respeito e sem contar, é claro, uma grande quantidade de livros editados em países diversos e que minuciosa e enfaticamente tratavam do mesmo tema. Ou seja: mesmo diante de ameaças quase palpáveis e, portanto, pensando no que até então era absolutamente impensável, a humanidade continuou em sua caminhada natural sobre este globo, mas esquecendo-se, entretanto, de imaginar o que faria se pudesse fazer tudo o que pode para impedir o que seria autêntica hecatombe nuclear, e quando os sobreviventes teriam ciúmes daqueles que morreram e pelo fato de que esses não passariam a sofrer as terríveis consequências advindas da insanidade mental de dois bufões inconsequentes, desconfiados, confusos, enigmáticos e, geograficamente, situados em lados opostos deste planeta. Eu, Gustavo Hoffay, brasileiro, casado, pai de quatro filhos e três netas, prefiro iludir-me a ter que acreditar no fato de que dois supermimados presidentes desejam exterminar a vida de centenas de milhões de pessoas, a partir de uma descarga elétrica incomum entre os neurônios dos cérebros daqueles dois bufões e originada de uma teimosia que beiraria a infantilidade, não fossem alguns fatores políticos e econômicos que envolvem as relações entre aqueles países e que tornam mais complexas quaisquer análises a respeito daquele entrevero intercontinental. Sou adepto, sim, da ideia de que tudo aquilo a que assistimos e acompanhamos pela imprensa não passa de meras intimidações, fundadas na lógica de que não haveria vencedor ou vencedores a partir do desencadear de uma guerra nuclear. Prefiro viver iludido quanto a esse assunto. Acredito, até, fosse viável um desarmamento progressivo das nações que possuem um poderio bélico atômico, caso não existisse um clima de total desconfiança mútua em que se desenvolvem as relações entre as superpotências mundiais. Caso trate-se de mera provocação entre países, que ela não encubra uma constante ascensão daquelas superpotências na corrida aos armamentos atômicos. Mas se estamos todos iludidos em relação à paz e à ordem mundial, então rezemos, com muita fé, para que a ameaça de uma guerra nuclear desapareça no mais profundo da consciência moral ou se reviva entre os dirigentes das superpotências os valores éticos da justiça, do amor e confiança no trato de suas divergências.  

(*) Agente social
lifelink@bol.com.br




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