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Benito Caparelli - 20/07/2017

A ascenso social inalcanada - 2 parte

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Interessante notar que, por inusitada sutileza ou por razões de capricho do destino, ou, ainda, por sorte de ordem puramente sócio-filosófica, esta dualidade entre casa-grande (opulência) e senzala (miséria) aprendeu a conviver muito próxima uma da outra, ainda que esporadicamente, bastante observar o cenário carioca para esta confirmação. Muito bem destacados, os morros favelados envolvendo os imponentes e suntuosos edifícios da zona sul, da cidade do Rio de Janeiro, e as múltiplas interações sociais de respectivos figurantes, quer através de sincretismos religiosos, ressaltando dentre estes o cristianismo, os templos umbandistas e espiritualistas, em geral, e, muito mais marcante ainda, através do esporte, da música e da dança, preponderantemente, pelo Carnaval e pelas escolas de samba, unificando, muito embora por períodos efêmeros, as mais diversas classes sociais e alimentando sonhos de elevação por almejadas categorias, ou por consolos de origem musical, como só ocorre com as letras poéticas da canção Amélia, “que era a mulher de verdade, e que achava bonito o que não ter o que comer”, ou, na serenata Chão de Estrelas, formado pelo luar trespassado dos buracos nos tetos de zinco onde vivem como verdadeiras inspirações e odes à poesia do menestrel favelado e tantos outros artifícios de igual natureza.

Não há, como é inerente, uma representação congressista que pudesse igualar ou mesmo tentar reduzir esta equiparação, a fim de diminuir a disparidade sócio-classista brasileira, que já se traduz na dessemelhante desigualdade de distribuição da riqueza mais perversa e injusta de todo planeta.

Momento em que, agora, tentam os senhores legisladores reduzir benefícios sociais da classe obreira, alterando-se a legislação consolidada no estatuto trabalhista, flexionando-a em favor dos empregadores, como místicas fontes empregatícias, querem, também, reduzir e atenuar os benefícios previdenciários, com a enganadora estratégia de solução econômica, buscando mais sofrimentos para a tão espezinhada classe laborativa, quando o correto seriam buscas e experimentos de outras alternativas, para o desate do embaraço econômico que estamos a padecer, sabendo que os maiores grupos econômicos da nação devem aos cofres do INSS bilhões e bilhões de reais. Podendo, também, disciplinar os vultosos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mesclando-os para direcioná-los de forma mais racional em benefício de empresas em ascensão, e o corte das despesas extravagantes e desnecessárias.

A conclusão que se tira dessa complicada dualidade de tratamento legislativo, entre pobres e ricos, já tem a mais dura resposta a tudo que ocorre país afora, seja por depredação de escolas por menores que não estão tendo oportunidade na seara do ensino, por falta de condições materiais, ou por ausências paternais, tornando-os estimulados por sentir no seu íntimo a revolta à injusta disparidade com os demais afortunados que recebem essa benesse, sem falar dos que frequentam as escolas, simplesmente, para receber alimentação, que não lhes é outorgada em casa. Seja, também, pela revolta armada dos excluídos favelados, que investem com agressiva severidade beligerante contra a sociedade da qual não fazem parte, ou, ainda, pela falta de segurança da qual estamos sendo vítimas.

Ante este doloroso e conturbado cenário da nação, roga-se aos ilustres elaboradores de leis para que cumpram suas destinações em favor desta combalida sociedade brasileira, pois ainda é tempo de salvar o país, lembrando-lhes que nada é tão ruim que não possa piorar. 

(*) Juiz do Trabalho aposentado da 1ª Vara do Trabalho de Cuiabá (MT) e vereador cassado do então clandestino PCB de Uberaba (MG) pela ditadura militar em 1964




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