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Bruno de Assis - 03/07/2017

Deus e o infinito

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Na vastidão do céu, lá onde habitam as estrelas; nas gotas de água contidas na imensidão do oceano, e até mesmo na divisão das partículas subatômicas, não encontramos o infinito, pois na natureza tudo está delimitado. Na nossa realidade sensível, da materialidade, não existe nada que exceda ou extrapole as categorias de espaço e tempo. Na natureza, tudo está contido em uma fronteira que demarca o ser e o outro.

O infinito é apenas uma força de expressão. Quem o procurar no universo vai se perder. Quando dizemos que algo é incontável, estamos apenas usando uma figura de linguagem para exprimir que determinada quantidade ou situação se repetiu um número exagerado de vezes. Não chegamos à noção de infinito pela experiência. Trata-se, portanto, de um conceito abstrato, a priori.

Se, na natureza, tudo está disposto em número, peso e medida, mesmo que me durasse toda a vida, quando eu terminasse de contar os grãos de areia de uma praia, chegaria a um número exato, pois o infinito só poderia ser entendido em um sentido negativo, caracterizando a hipotética impossibilidade ou incompletude de uma série.

Giordano Bruno, ao afirmar a identidade entre Deus e o universo e, consequentemente, a existência de infinitos universos, não se deu conta de que confundia arte e artífice. Errou Giordano ao identificar Deus com a natureza, negando sua transcendência, e ao considerá-Lo imanente a um universo infinito.
Atribuir atributos divinos à natureza é o mesmo erro de atribuir atributos naturais a Deus. Se isso fosse possível, poderia o homem ter o poder, derivado de sua eternidade e divindade, de ter criado a si mesmo. De tal forma, poderíamos ser a causa de nós mesmos.

Com efeito, toda arte leva um pouco do artífice, mas um não coincide nem se identifica com o outro. Pascal medita em seus “Pensamentos”: “A natureza tem perfeições para mostrar que é a imagem de Deus, e defeitos para mostrar que é apenas a imagem”. Deus é infinito justamente porque transcende a natureza, excluindo-se, assim, a hipótese de uma divindade imanente.

Bruno de Assis
Professor e jornalista




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