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Tharsis Bastos - 12/06/2017

BR-262: Uma farra

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Abro os dicionários facilitados pela web e procuro o coletivo para “ratos”. Descubro que existe “ratada”, “rataria” ou “rataiada”. Porém, alerta-me outro volume, o melhor mesmo é utilizar “ninhada”. Fico em dúvida e, como sempre faço nesses casos, apelo para o meu vizinho – mais erudito impossível.

- Ô Hermógenes, tem aí coletivo de rato? Escuto do outro lado da linha o pigarro grave. (Gente erudita sempre limpa o pigarro da garganta antes de opinar sobre qualquer coisa).

- Olha, dependendo do contexto você pode usar “roedores”. Mas precisa ser logo de rato??? Solta uma risadinha abafada e murmura: não serve de mulheres de vida duvidosa???

Desligo espantado. O Hermógenes nunca foi de gracinhas, sempre tão sério! Tomo uma decisão e ligo novamente:

- Serve, serve sim. Quero saber, qual é o coletivo pra puta?

- Renca!

E ele dá uma gargalhada, o que me espanta mais ainda.

- Hermógenes!!!!!! O que você andou fumando hoje?

Bom, seja ninhada, rataria ou mesmo “renca”, a verdade é que as coisas que estão orbitando em torno da rodovia BR-262 são de cair o queixo.

O contrato que a concessionária assinou, autorizando-a cobrar pedágio após entregar 10% de duplicação, certamente não deve prever que existem duplicações de fato e duplicações meia boca. Porque o que vemos entre Uberaba e Campo Florido é um escárnio. Uma duplicação onde não foram concluídas as obras de arte. Onde os viadutos de acesso às cidades menores são apenas um tabuleiro de concreto, como uma trave de futebol sobre a rodovia. Não servem pra nada.

No mesmo trecho, desses famigerados “dez por cento”, todos os retornos são provisórios (e acintosamente com placas dizendo isso!). E quando a estrada se aproxima de um trecho, digamos, mais complicado (como saltar um rio ou um córrego), ela se converte novamente em pista única... Malandragem, não? Mas, como nos ensina o bom Murphy, tudo que está muito ruim tende a ficar ainda pior.
No trecho entre Uberaba e Nova Serrana, na estreita pista simples, por onde transitam milhares de caminhões e automóveis por dia, a estrada é um inferno. Curvilínea, estende-se por terreno montanhoso, com lombadas e “pontos cegos” de montão. As filas de motoristas enraivecidos e estressados se arrastam dia após dia.

A estrada é um assombro de produtividade: Uma das que mais fabrica cadáveres no país. Ocupa posição de destaque no tocante a colisões frontais. Nem mesmo Dante, quando nos pintou seus círculos do inferno, poderia descrever um terror tão amplo.

A única coisa que funciona (de forma implacável e perfeita) são as praças de pedágio, que depenam motoristas de carros e de caminhões indistintamente. Dinheiro fácil, jorrando aos borbotões, dia após dia, semana após semana, faça chuva ou faça sol...

De espaço em espaço vê-se uma placa da ANTT dizendo que a auditoria do órgão está à disposição no fone 166. Se você liga, é uma piada... de mau gosto! Quando você procura pelos proprietários do consórcio, perguntando se temos ao menos a previsão de em qual década teremos alguma duplicação, a resposta é que os “órgãos ambientais” não liberaram ainda a “licença de operação”...

Nossa esperança é que, qualquer dia desses, alguma pessoa que não se encaixe nos coletivos acima (do MPF, por exemplo) atente para o problema e resolva investigar essa farra.

Não seria de espantar caso se descobrisse que essa situação é vista com bons olhos por muito malandro congressista, por muito burocrata de agências reguladoras federais. Nem seria de espantar saber que as licenças ambientais possuem preço para serem emitidas ou para serem engavetadas ad eternum!

Enquanto isso, as praças de pedágio não param! Engolem o dinheiro e, em troca, entregam um pedacinho de papel de quinta categoria (não é documento fiscal!) sugerindo que sequer tributos se permite recolher dos “roedores” e que não há controle nenhum sobre os números dessa farra gigantesca. Aprofunda-se nossa certeza: Infelizmente no Brasil, o triunfo é só para malandros. Diz o Hermógenes que para estes também há coletivo: “magote”.

Tharsis Bastos




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