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Aristteles Atheniense - 23/02/2017

O magnfico Romero Juc

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O envolvimento do senador Romero Jucá, em sucessivos episódios indecorosos, revela a sua excepcional capacidade de criar situações inusitadas e continuar sobrevivendo na política brasileira. Dono do maior grupo de comunicação de Roraima, foi o primeiro governador do novo estado, antigo território federal.

Nascido em Recife, exerceu diversas funções em Pernambuco. Foi acusado pelo genocídio de índios ianomâmis, em consequência das epidemias levadas por garimpeiros, quando Jucá era presidente da Funai.

Em 2016, na interinidade de Michel Temer, foi ministro do Planejamento, sendo exonerado doze dias após sua posse, quando do vazamento de áudios de uma conversa que manteve com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, propondo o enfraquecimento da Lava Jato.

No mesmo ano, por iniciativa da presidente Cármen Lúcia, foi instaurado inquérito (Operação Zelotes) para apurar a participação de Jucá na venda de emendas e medidas provisórias relacionadas ao setor automotivo, editadas no governo Lula.

Na delação do ex-funcionário da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, Jucá recebera propina de R$ 22 milhões para defender os interesses da empreiteira no Congresso Nacional.

Atualmente, figura em novo inquérito, juntamente com Calheiros e Sarney, promovido por Rodrigo Janot, por obstrução da Justiça e pressão exercida nos acordos de leniência de construtoras investigadas no escândalo da Lava Jato.

Na última semana, apresentou uma proposta de EC em que presidentes e vice-presidentes do Senado e da Câmara Federal seriam beneficiados pelo art. 86 da CF, não tendo que responder por crimes cometidos anteriormente aos seus mandatos. A EC que, a princípio, contou com o apoio de senadores da base governista, já foi retirada de pauta a pedido do senador Eunício de Oliveira.

Romero Jucá é alvo, ainda, de outro processo em curso no STF, destinado a apurar falcatruas na construção da usina de Belo Monte.

A PF, por determinação do ministro Edson Fachin, está empenhada em investigar essa trapaça, com a detenção de Márcio Lobão (filho do senador Edison Lobão) e do ex-senador Luiz Otavio, que, como Jucá, participaram da propina de 1% sobre o valor da obra.

Apesar dessa atuação obscena e de responder por corrupção e prevaricação, Romero Jucá foi obsequiado por Temer a exercer a sua liderança no Senado Federal, como ocorreu nos governos de FHC, Lula e Dilma.

(*) Aristoteles Atheniense,
Advogado e Conselheiro Nato da OAB
Diretor do IAB e do IAMG
Presidente da AMLJ
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
Blog www.direitoepoder.com.br
Twitter: @aatheniense

 




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