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Dom Paulo Mendes Peixoto - 11/02/2017

Primado da justia

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Não é fácil falar da prática da justiça. Temos o privilégio de agir com o livre arbítrio, o que dificulta a integridade da verdade. Fazemos muitas coisas de forma imperfeita, às vezes também de maneira injusta. Assim agimos com infidelidade diante dos princípios da Palavra de Deus. Podemos dizer que só Deus é totalmente justo. É por isso que Ele nos justifica e nos faz participar de seu amor.

A proposta dos Mandamentos do Decálogo desafia a nossa liberdade e capacidade de escolha no momento de agir, porque estão diante de nós o bem e o mal. A tarefa implica opção, consciência e responsabilidade. As consequências vêm daí, isto é, do caminho escolhido. As normas existem, mas elas são como instrumentos estáticos, que só agem mediante o rumo que traçamos para viver.

As leis existem para sustentar a prática da justiça. Assim aconteceu no Antigo Testamento, quando Moisés recebeu do Senhor as Tábuas da Lei, dadas para ajudar o povo na condução de seu itinerário de vida. No tempo do Novo Testamento, essas Leis foram reinterpretadas por Jesus Cristo, mas com a intenção de dar a elas o seu verdadeiro sentido, de reafirmar a importância da verdade.

A prática da justiça começa nas atitudes que partem do coração da pessoa. Não é simplesmente cumprir a letra da lei, porque ela pode até ser injusta e não atender às exigências para a pessoa agir de forma correta. Na verdade, para ser justo, devemos ir além dos limites referendados pela lei, colocando em prática os conceitos que têm sua origem na consciência da pessoa bem formada.

Da parte de Deus, numa total ação de generosidade, Ele “faz o Sol nascer sobre bons e maus e cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). A justiça está aliada à caridade, uma dependendo da outra para sua real significação. A nossa prática da justiça precisa ser maior de quem age com irresponsabilidade, de quem provoca ações de injustiça, com isso prejudicando outras pessoas.

A justiça e a verdade estão entrelaçadas com a vivência da sabedoria e da sinceridade. Mas diante do ser humano estão o bem e o mal, a vida e a morte. A primazia tem que ser da justiça, abrindo espaço e condição para a prática da caridade. Quando dizemos que “só Deus pode fazer o bem por caminhos tortos”, significa que não existe verdadeira caridade sem que antes a justiça seja feita. 

(*) Arcebispo de Uberaba




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