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Aristteles Atheniense - 09/02/2017

Nada mudou no Senado

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A oração que Renan Calheiros proferiu ao deixar a presidência do Senado serviu para demonstrar a sua excepcional capacidade de se sobrepor às críticas que lhe são feitas e aos onze inquéritos a que responde no Supremo Tribunal Federal por desvio de dinheiro público.

Ao longo de sua exposição, exaltou as providências que adotou em seu mandato, transmitindo a impressão de haver realizado tudo aquilo que seus antecessores não conseguiram fazer.

Na mesma ocasião, postou-se como o mais intrépido defensor da Casa, cuja ação fora referendada pelo STF, “devolvendo a harmonia e o equilíbrio entre os Poderes”.

Com a sagacidade que lhe é peculiar, Renan evitou qualquer referência ao impeachment de Dilma Rousseff, mormente quanto à solução milagrosa encontrada para livrar a ex-presidente das restrições a que estava sujeita, por força da Constituição Federal, contando com o apoio do ministro Ricardo Lewandowski.

Há entre Renan Calheiros e José Sarney uma curiosa identidade, embora em algumas situações tenham entrado em conflito. Foi o que sucedeu no primeiro mandato de Lula, quando Renan pretendia ser presidente do Senado, mesmo não contando com a simpatia do novo presidente e do então chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Como todo político matreiro, Renan, embora frustrado em sua pretensão, aguardou uma nova oportunidade, que surgiu em 2005. No ano passado, Sarney teve uma atuação decisiva junto à Corte Suprema para evitar que Renan fosse afastado da presidência da Casa.

Na sessão de quarta-feira última, quando foi conhecido o voto do ministro Dias Toffoli, Renan contou com um novo aliado na Corte.

O ministro Gilmar Mendes, com o propósito de assegurar a permanência de Renan até a transmissão da presidência ao cearense Eunício Oliveira, formulou pedido de vista. Assim procedeu mesmo havendo número suficiente de votos contrários ao presidente do Senado, que, mais uma vez, demonstrou o poder de que dispõe no atendimento às suas pretensões.

Na sua manifestação derradeira, Renan não poupou a operação Lava Jato de críticas mordazes, acusando-a de promover “conduções coercitivas impróprias” e “vazamentos manufaturados”. Paradoxalmente, sustentou a conveniência da “continuidade da Lava Jato”, como sendo um procedimento indispensável à “pacificação e concórdia do País”.

Na sua fala de despedida, Calheiros sustentou, ainda, que o Senado é a instituição pública mais transparente da América Latina, tendo obtido da Fundação Getúlio Vargas o reconhecimento de que é “100% transparente”, para o que concorreram as medidas instituídas nos quatro anos de sua gestão.

A partir de agora, Renan Calheiros tornou-se o líder do PMDB, partido que se encontra há dezoito anos detendo a presidência da Câmara Alta, servindo a todos os presidentes com invejável servilismo, obtendo as vantagens que lhe possam render esse comportamento indecoroso.

A mudança de comando do Senado serviu apenas para uma troca de posições. A falange composta por Renan Calheiros, Romero Jucá e Eunício Oliveira continuará traçando os rumos da instituição, com uma bancada de 22 senadores, que é a base de sustentação do governo de Michel Temer. 

(*) Advogado e conselheiro nato da OAB, diretor do IAB e do iamg, presidente da AMLJ
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
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Twitter: @aatheniense




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