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Bem-aventurados

O estilo de vida das pessoas define que tipo de identidade elas têm. Isto se torna um mistério...

- Por Dom Paulo Mendes Peixoto Última atualização: 04/02/2017 - 20:16:03.

O estilo de vida das pessoas define que tipo de identidade elas têm. Isto se torna um mistério quando olhamos para os critérios propostos por Deus, contidos nas palavras de Jesus Cristo no Evangelho. Ele chama de bem-aventurados todos os que se apresentam revestidos de santidade. Os mais pobres e sofredores se identificam, com mais facilidade, com esta realidade.

O itinerário do bem-aventurado está na prática do bem. A felicidade não depende apenas de ter “bem-estar” individual, mas em construir um mundo mais humano e na comunhão. Essa prática supõe vida centrada em Deus, a fonte da verdadeira felicidade. Supõe renúncia da autossuficiência pessoal e vaidades superficiais diante da grandeza do estado de vida sobrenatural.

Os critérios da felicidade de Deus são diferentes dos critérios humanos. A justiça divina não suporta amarras, compromissos desonestos, corporativismos escusos, apego a bens materiais, jogadas politiqueiras, etc. Essas práticas são excludentes e causam pobreza e sofrimento para a população. Até podemos dizer que Deus sofre quando vê o sofrimento de seu povo.

Na cultura da violência, são bem-aventurados os que promovem a paz e praticam a mansidão sem nenhum preconceito em relação ao outro, porque reconhecem nele sua dignidade. O outro é tratado como irmão, mais ainda quando necessita de ajuda. Com isto, a partilha e a solidariedade passam a ser fontes genuínas de vida feliz. Assim o outro é tratado como sendo um “outro eu”.

A autossuficiência vai à contramão das bem-aventuranças, porque quem assim age está buscando a si mesmo. Ele se torna incapaz para formar comunidade e de construir alguma coisa em comum. Na dinâmica de Deus, é feliz quem é capaz de ir ao encontro do irmão necessitado para ajudá-lo e recuperar sua dignidade e autoestima. Amar o irmão é como amar a Deus.

Todas as pessoas têm desejo de felicidade, mas isso tem que passar pelo caminho do bem, diferente do bem-estar oferecido pela sociedade de consumo. É feliz quem se lança conscientemente nos desafios propostos por Deus. É o caminho da cruz, do despojamento e da consciência de que só Deus é capaz de proporcionar autêntica felicidade para todos os seus filhos. 

(*) Arcebispo de Uberaba

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