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Aristteles Atheniense - 20/01/2017

Enquanto Trump no chega

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Com o mundo tomado de profunda incerteza sobre o que lhe estará reservado na liderança defendida por Donald Trump, reuniram-se nos Alpes suíços três mil personalidades, incluindo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Godfajn.

O criador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, adiantou que “as coisas não estão indo bem para essa visão aberta e pragmática de progresso”. Segundo o texto divulgado, é preciso colocar “padrões medianos de vida – isto é, o povo – no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento e da integração econômica internacional”.

Embora isso não signifique abolir o receituário tradicional, caracterizado pelo predomínio avassalador dos mercados, impõem-se, a esta altura, “esforços combinados para difundir oportunidades, renda, segurança e qualidade de vida, isto é, padrões de vida como parte do processo de crescimento”.

Em 2016, ocorreram dois terremotos que irão afetar a agenda de Davos-2017: o voto dos britânicos para deixar a União Europeia e a questionada vitória de Donald Trump, que assumirá o comando da nação maior do mundo, coincidentemente no último dia do encontro do Fórum Econômico.

Enquanto isso não acontece, coube ao presidente Xi Jinping o destaque de ter sido responsável pelo pronunciamento inaugural daquele evento. Como Trump irá assumir a Casa Branca após o término do Fórum, não terá oportunidade de repelir as considerações do líder chinês.

Há quatro anos passados, na mesma cidade de Davos, já fora denunciado o aumento da desigualdade econômica como uma ameaça à estabilidade social. Tanto o FMI como o Banco Mundial já alertaram para o fato dessa desigualdade extrema, capaz de comprometer a economia como um todo.

Na atualidade, 1% dos homens mais ricos do mundo detém riqueza equivalente a todo o resto do Planeta. Outros oito possuem a mesma riqueza de 3,6 bilhões de pessoas. A sonegação fiscal nos países desenvolvidos atingiu, no último ano, US$100 bilhões.

Esses dados indicam uma distorção no mercado que eleva a pobreza e piora o desempenho geral da nossa economia.

As tiradas demagógicas de Donald Trump, contando com a solidariedade de Putin, constituem o tema central do que foi proclamado até agora naquele simpósio, tendo-se em conta a crise da Síria, sem perspectiva de solução a curto prazo, por mais grave que se torne a cada dia.

O Brasil não pode render-se às especulações do novo Presidente norte-americano nem condescender com as suas hiperbólicas propostas, que não tem outra meta senão assegurar uma posição de predomínio, embora impondo sacrifício tão desmensurado como impiedoso aos que fogem do terror sem saber o que lhes estará reservado ao final da hecatombe. 

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB, diretor do IAB e do iamg, presidente da AMLJ
www.facebook.com/aristoteles.atheniense
Blog:
www.direitoepoder.com.br
Twitter: @aatheniense

 




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