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Dom Paulo Mendes Peixoto - 31/12/2016

E dois mil e dezessete?

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Começamos um novo ano, certamente não diferente de 2016. As perspectivas estão muito nebulosas, confusas e com poucas esperanças. O terrorismo, a ganância e o individualismo se alastram de maneira muito assustadora. Perdemos a confiança nas pessoas, principalmente nas lideranças que deveriam sustentar a estabilidade dos cidadãos. Como disse alguém: “Só Deus, só Nele confiar!”.

Mesmo em meio a atos de injustiça, que têm raízes em todos os setores da vida brasileira, o ano deve começar com as bênçãos de Deus. Nas palavras do papa Francisco, para quem faz o processo da reconciliação e da superação das fraquezas, a misericórdia divina supera as misérias humanas. Não há limites no amor de Deus, porque faz parte de seu plano, a salvação de todos.

Todo envolvimento com a maldade causada pela injustiça impede a pessoa de acolher o anúncio da Boa-nova do Evangelho. Ela deixa de participar da alegria e das maravilhas da presença de Deus, que transforma totalmente o ser humano. Tira as pessoas do jugo da escravidão e as faz proclamadoras dessa boa notícia. Em vez de destruir, constrói o bem e a sociedade com responsabilidade.

O modo de agir de Deus é surpreendente. Ele se abaixa e se torna humano para possibilitar que nos coloquemos de pé, superando as misérias que nos afligem. Nele temos que aprender a ser humildes, porque esse é o caminho que nos leva a acolher a divindade e nos tornar divinos. As trevas que nos encobrem precisam transformar-se em luz para dar claridade em nossas ações.

Passado o Natal, agora a vida vai tomando novos rumos e, entre eles, temos a posse dos novos dirigentes municipais. A transparência tem sido um desafio, porque o poder está muito enraizado na ânsia pelo dinheiro. Até parece que Deus virou dinheiro. Significa que a felicidade está longe. Repito as palavras de Tereza de Calcutá: “A pessoa é tão pobre, que só tem dinheiro”.

Pedimos a bênção de Aarão para o ano de 2017. Que seja uma bênção protetora: “O Senhor te abençoe e te guarde”; uma bênção de perdão: “O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti”; e uma bênção de paz: “O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6,22-27). São Paulo diz que Jesus é a bênção encarnada do Pai, e seu único mediador (cf. I Tm 2,5). 

(*) Arcebispo de Uberaba




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